Da Redação
Marcelo Erick Moriyama, nascido em 25 de julho de 1980, em Lins (SP), carrega quase três décadas de trajetória no atletismo. Filho e neto de atletas, ele começou a correr em 1995, quando ainda estudava no Colégio Dom Bosco, em Campo Grande. O incentivo inicial veio de um benefício escolar, mas rapidamente se transformou em vocação. “Comecei porque os atletas ganhavam bolsa de estudo. Depois de alguns meses de treino, fui bem em algumas competições e peguei gosto pelo atletismo”, recorda.
A herança familiar também pesou na escolha. “Meu pai e meu avô foram atletas, e isso me inspirou. Hoje tenho meus filhos que treinam comigo e tento ser um exemplo para eles”, afirma. A conexão com a própria história o levou a participar das tradicionais competições intercoloniais de atletismo, reunindo descendentes de japoneses de diversas regiões do país. “Isso me motivava muito porque eu sempre queria quebrar os recordes dos campeonatos e trazer o maior número possível de medalhas”, diz.
Quase 30 anos depois do primeiro treino, Moriyama segue ativo nas pistas e integra uma equipe que reúne atletas de 11 a mais de 70 anos. O planejamento técnico é estruturado por um grupo de profissionais que acompanha o desenvolvimento de cada integrante: Tamir Fagundes, Cleberson Yamada e Renata Miyamoto. A rotina, porém, exige organização. “Não é nada fácil, porque tenho que conciliar o trabalho, a família e a vida pessoal. Acordo às 5h todos os dias, de segunda a segunda. Tento organizar tudo até 15h30. Das 15h30 às 18h, é o horário que tiro para treinar e cuidar da saúde”, relata.
A preparação combina trabalhos de força e treinos específicos de corrida. “Três vezes na semana faço academia e três dias vamos à pista. Depois que comecei a pegar pesado na academia, diminuiu muito minhas lesões e consegui melhorar o rendimento”, afirma. Ele também reconhece que ainda precisa avançar na recuperação: “Estou tentando melhorar o horário de descanso. Preciso dormir mais.”
O atleta diferencia com clareza as fases da própria carreira. Dos 15 aos 21 anos, viveu o alto rendimento: treinos diários, sessões em dois períodos e busca constante por desempenho. Depois, conciliando obrigações pessoais e profissionais, passou 25 anos correndo por hobby. “Nesse período eu treinava poucas vezes e sem cobrança. Era só por diversão”, explica. O retorno mais disciplinado nos últimos anos mudou os resultados e ampliou os objetivos.
A rotina intensa não é apenas física. Ele encara o treino como um espaço de respiro mental. “O atletismo, para mim, é o horário de desestressar da correria do dia a dia. É o momento em que esqueço os problemas e foco em melhorar o desempenho e cumprir a planilha”, afirma.
Entre os desafios atuais, Moriyama destaca o custo para competir. “A maior dificuldade é a parte financeira. A maioria das competições é em outros estados e países, e fica caro com viagens, alimentação, hospedagem e inscrições”, diz. Ele reconhece, porém, que a estrutura local tem permitido continuidade no trabalho. “Hoje temos uma pista de borracha. Apesar de estar com bastante problemas, conseguimos fazer os treinos necessários.”
O esforço recente o levou ao principal resultado da carreira. Em novembro, ele foi campeão sul-americano na prova dos 110 metros com barreiras, conquista que ampliou suas metas para os próximos anos. “Agora vamos treinar muito para o Mundial, que será realizado na Coreia do Sul em agosto de 2026”, projeta.
Ao observar a própria trajetória, Moriyama resume em poucas palavras o que acredita ser a diferença entre um corredor por hobby e um atleta focado em performance: “Dedicação e constância nos treinamentos.” E deixa um último conselho a quem deseja iniciar no esporte: “Comece devagar e não desanime. O começo não é fácil, mas depois de alguns treinos vira um vício. Procure um bom treinador para evitar lesões e corrigir os erros.”