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De Sonora para o ringue: Ana Karolaine se prepara para a estreia no Muay Thai

da redação - 6 de out de 2025 às 16:08 98 Views 0 Comentários
De Sonora para o ringue: Ana Karolaine se prepara para a estreia no Muay Thai Da Redação

Aos 24 anos, Ana Karolaine Rodrigues da Silva, natural de Sonora (MS), encontrou no Muay Thai um caminho de transformação pessoal e agora se prepara para dar o próximo passo: estrear nas competições. O esporte, que começou como uma alternativa para lidar com a depressão e o excesso de peso, tornou-se parte central de sua vida.

 

“Eu estava sobrecarregada pelo peso e pela depressão. Sentia-me perdida e sem autoconfiança, precisando desesperadamente de uma mudança. Por sorte, encontrei o CT Nando Team aqui em Sonora”, relembra a atleta, que é patrocinada pela Suplementos Brandão.

 

O primeiro contato com a modalidade foi motivado por uma questão estética, mas logo o impacto foi mais profundo. “Comecei o Muay Thai pensando apenas em queimar calorias. Mal sabia que encontraria uma terapia brutal e viciante. Logo no primeiro treino, fui fisgada: a intensidade, a técnica e a sensação de poder eram transformadoras. Cada golpe que eu dava não era só um exercício; era uma forma de canalizar a tristeza e a raiva.”

 

O que era apenas um treino para perder peso passou a significar uma nova forma de encarar a vida. “O Muay Thai me ensinou a lutar não só no ringue, mas a reivindicar a mim mesma na vida.”

 

Agora, a atleta sonorense se prepara para estrear em competições oficiais. “Embora eu ainda não siga o esporte de forma competitiva, minha dedicação e o suporte do meu time me levaram ao próximo nível. Em novembro, darei o grande passo e farei minha estreia em competições. É hora de aplicar toda essa disciplina, força mental e paixão dentro do ringue.”

 

Apesar da dedicação, Ana Karolaine destaca as dificuldades enfrentadas pelos atletas que estão fora dos grandes centros esportivos do país. Segundo ela, a principal barreira é a falta de visibilidade e de estrutura de apoio.

 

“O maior desafio, sem dúvida, é a falta de visibilidade e de estrutura de apoio profissional. Para crescer, o atleta precisa lutar constantemente e em eventos de alto nível. Falo isso não por mim, porque ainda não lutei, mas meus amigos lutam e passam por muitos perrengues. Aqui temos poucos eventos, o que nos obriga a gastar muito para viajar e competir”, explica.

 

Além disso, a atleta lembra que a questão financeira é um entrave frequente. “É difícil atrair grandes patrocinadores nacionais estando em uma cidade menor. A maioria dos patrocínios são de empresários locais que apoiam por amor ao esporte, mas o valor é limitado para custear toda a preparação.”

 

Outro ponto destacado por ela é a dificuldade de acesso a experiências mais amplas. “Temos excelentes mestres, mas a dificuldade de acesso a intercâmbios, grandes seminários e clínicas de alta performance fora do eixo das capitais é um fator que precisa ser superado.”

 

Ao falar sobre referências, Ana Karolaine destaca nomes que a motivam em diferentes aspectos da vida. No Muay Thai, a inspiração vem de uma atleta que fez história. “Minha maior inspiração é a lendária Tainara Lisboa, a primeira mulher brasileira a ser bicampeã mundial da modalidade na Tailândia. Ela mostrou que o Brasil podia dominar o esporte e pavimentou o caminho para muitas de nós.”

 

Já fora do ringue, a influência é familiar. “Em outras áreas da vida, me inspiro na minha mãe. Ela sempre trabalhou duro e nunca deixou de me apoiar, mesmo quando não entendia muito bem a minha mania de brigar. Ela é o meu exemplo de força, sacrifício e amor incondicional.”

 

Na avaliação de Ana Karolaine, o Muay Thai não se resume apenas ao combate físico, mas é uma ferramenta de autodescoberta e fortalecimento. Por isso, ela deixa uma mensagem para outras mulheres que pensam em começar, mas ainda têm receio.

 

“A mensagem que eu posso deixar é: vá! O pior golpe que você pode levar é o da dúvida e do arrependimento por não ter tentado. O Muay Thai não é sobre lutar contra os outros, é sobre lutar contra os seus medos. Você não precisa ter força para começar; você vai ganhar força e autoconfiança no processo.”

 

Para ela, o treino também tem um efeito além do esporte. “O treino não só te ensina a se defender na rua, mas te ensina a se defender dos pensamentos que te limitam. No ringue, somos tratadas com igualdade e respeito. Deixe o receio de lado, coloque a atadura e as luvas, e descubra a guerreira que já existe dentro de você. Você não vai se arrepender.”

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