Da Redação
“O goleiro é a última esperança”. A frase dita por Dafny Gonçalves Ribeiro Oliveira resume a forma como a jovem atleta de Rio Brilhante enxerga a responsabilidade de atuar debaixo das traves no handebol. Aos 15 anos, a goleira sul-mato-grossense acumula experiências em competições escolares, viagens esportivas e momentos decisivos que fortaleceram sua ligação com a modalidade.
Nascida em Dourados no dia 5 de abril de 2011, de oito meses, Dafny conheceu o handebol ao entrar na Escola Estadual Fernando Corrêa da Costa, durante o 6º ano. O início, no entanto, foi longe da posição que mais tarde se tornaria sua principal característica dentro de quadra.
“Eu comecei nos treinos como ponta, mas não entendia direito como funcionava o jogo. Então, um dia, cheguei ao meu treinador e disse que não queria treinar mais, porque não entendia o jogo”, contou.
Foi nesse momento que aconteceu a mudança que definiu sua trajetória no esporte. Segundo ela, o treinador pediu para que participasse de mais um treino antes de desistir definitivamente. A experiência acabou mudando sua relação com a modalidade.
“Ele pediu para eu ir em mais um treino, porque queria me testar em outra posição. Então eu fui, ele me colocou no gol e, desde então, nunca abandonei essa posição.”
Desde então, Dafny passou a entender o handebol de outra forma. Hoje, ela define a função de goleira como uma das posições mais complexas do esporte, tanto pela exigência técnica quanto pelo aspecto emocional.
“Acho que o maior desafio sendo goleira, pessoalmente para mim, é saber cuidar das emoções, continuar e persistir até quando você pensa que não é mais capaz de salvar um jogo”, afirmou.
Ela explica que a posição exige atenção constante aos detalhes, além de controle emocional em momentos decisivos.
“Ser goleira é uma posição difícil. Tudo tem que ser cuidado: o movimento do pulso e do braço, o adiantamento no gol, a espera do arremesso e o movimento de saída certo. Na minha opinião, metade da partida é decidida pelo goleiro. Chega a ser muita pressão.”
Entre as referências na modalidade, Dafny cita nomes conhecidos do handebol brasileiro e também atletas que acompanham mais de perto dentro do cenário regional. A principal inspiração profissional é a goleira Gabriela Moreschi.
“A goleira em que eu me inspiro muito é a Gabi Moreschi”, disse.
Ela também acompanha atletas de Mato Grosso do Sul. “Em Aquidauana, me inspiro muito no Adriano e na Vitória. Já em Dourados, adoro ver a Mariane Cansian em quadra.”
A rotina de treinos atualmente acontece às segundas e quartas-feiras, das 17h15 às 20h. Antes, segundo ela, os treinamentos eram diários, mas a programação foi alterada após a inclusão de categorias menores. Aos sábados também existem atividades, porém Dafny explica que nem sempre consegue participar porque trabalha nos finais de semana.
Mesmo jovem, ela já guarda lembranças importantes dentro das competições escolares. Uma das defesas mais marcantes aconteceu nos Jogos Escolares da Juventude de Mato Grosso do Sul de 2024, durante uma partida contra Caarapó.
“Acho que a defesa que eu mais amo lembrar foi a primeira vez que catei em X”, relembrou.
Na jogada, a atleta precisou agir rapidamente em um contra-ataque adversário.
“Era um contra-ataque. Eu não sabia o que fazer, então arrisquei. Pulei de corpo aberto e consegui defender. Meu técnico ficou tão surpreso quanto eu.”
Nos momentos de maior pressão, como cobranças de sete metros ou partidas decisivas, Dafny diz que procura observar os movimentos das adversárias para antecipar as ações.
“Nos sete metros, sempre tento analisar o pulso. Sempre foco no movimento e tento pensar no que a jogadora que vai arremessar está pensando.”
Já nas finais, o pensamento é coletivo.
“Sempre penso que cada defesa minha é uma chance de gol para o meu time, seja em contra-ataque ou em ataque normal.”
Fora das quadras, ela destaca o apoio recebido da família, principalmente da mãe, que acompanha a maior parte das partidas. O treinador também aparece como peça importante na continuidade dentro do esporte.
“Meu técnico sempre confia em mim e no meu potencial. Sempre que quero parar de jogar, ele me lembra de tudo o que já conquistei e que tenho muito mais pela frente.”
Além das competições, Dafny afirma que o esporte também trouxe experiências pessoais importantes. Segundo ela, o handebol ajudou a ampliar o convívio social e proporcionou oportunidades que talvez não tivesse fora das quadras.
“O esporte me apresentou lugares novos, mais conhecimento, novos amigos e me ajudou a socializar melhor”, afirmou.
Ela também lembra das viagens e convivências em equipe como parte marcante da rotina esportiva.
“Conviver com meu time por uma semana em hotel, viagens de ônibus, tudo isso só acontece pelo esporte.”
Para os próximos anos, a goleira pretende evoluir tecnicamente e conquistar novos espaços dentro do handebol.
“Eu pretendo ter mais confiança nas partidas, melhorar o que precisa ser melhorado, ser reconhecida e referência para quem quer começar no esporte.”
Entre as metas, Dafny também sonha em ampliar as conquistas e voltar a receber oportunidades em seleções.
“Quero ganhar mais competições e ser convocada de novo.”
Ao falar sobre o que diria para outras meninas que desejam começar no handebol, ela reforça a importância da persistência e da disciplina, além de defender que derrotas não podem interromper sonhos.
“Eu diria para nunca desistirem, fazer tudo com persistência e disciplina, dar o melhor em quadra e não se culpar por um jogo perdido.”
A atleta encerra deixando uma reflexão construída a partir da própria experiência dentro do esporte.
“Cada dia de treino é 1% melhor do que o dia anterior. O importante é continuar. Você nunca vai saber o que pode acontecer se não tentar.”