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De Pesqueiro do Noé a Aquidauana: os passos de Mikaely Vitória rumo ao profissional

da redação - 24 de fev de 2026 às 15:35 90 Views 0 Comentários
De Pesqueiro do Noé a Aquidauana: os passos de Mikaely Vitória rumo ao profissional Da Redação

“Se fosse por mim, eu treinava todos os dias.” A frase resume o momento vivido por Mikaely Vitória, nascida em 26 de junho de 2009, moradora de Pesqueiro do Noé e atleta de futebol em Mato Grosso do Sul. Aos 16 anos, ela fala sobre mudança de mentalidade, rotina de treinos e o objetivo de chegar ao futebol profissional.

 

O primeiro contato com a bola veio ainda na infância, dentro de casa. “Eu tinha 5 anos de idade e sempre ia ver meu pai jogar em frente de casa. Até que eu comecei a pegar uma idade em que ele deixava eu jogar com eles. Tinha dias que eles não deixavam eu jogar, eu chorava, mas chorava e ia correndo falar pra minha mãe. Nisso eu passei a jogar com eles todas as tardes”, relata. A convivência com o pai e os jogos informais na rua foram o ponto de partida para que o esporte deixasse de ser apenas brincadeira.

 

Com o incentivo da família, vieram as primeiras oportunidades. “Daí minha mãe e meu pai começaram a me motivar a fazer peneiras”, conta. A partir desse momento, o futebol passou a ocupar espaço central em sua rotina.

 

O primeiro jogo oficial aconteceu em Campo Grande, vestindo a camisa do Comercial. “Eu lembro que meu primeiro jogo oficial foi pelo Comercial, em Campo Grande, e foi uma experiência incrível. Estar ali e poder jogar era a realização de um sonho meu”, afirma. A partida marcou a transição entre as peladas da infância e a vivência em competições organizadas.

 

Ao longo do processo, os desafios também apareceram. Mikaely cita, principalmente, as dificuldades relacionadas à logística e à distância da família. “Os desafios que eu enfrentei foram a distância dos meus pais e a dificuldade de ir até os treinos”, diz. A necessidade de deslocamento e a adaptação a novas rotinas exigiram ajustes fora dos campos

 

Com o tempo, a forma de enxergar o esporte mudou. “Mudou muita coisa. Antes eu pensava em só competir, jogar por jogar mesmo. Mas hoje eu me vejo no profissional, me dedicando cada vez mais ao esporte”, declara. A fala evidencia uma mudança de perspectiva: do jogo como atividade recreativa para um projeto de carreira.

 

Atualmente, morando em Aquidauana, ela explica que a rotina de treinos sofreu alterações. “Como eu vim de Campo Grande para Aquidauana, diminuiu um pouco os treinos. Mas eu sempre tiro uns dois ou três dias da semana para treinar”, afirma. Mesmo com a redução das atividades em equipe, a atleta mantém uma programação própria.

 

A organização do dia a dia envolve escola e preparação física. “Eu estudo de manhã, das 7h às 12h. À tarde eu corro, treino em casa, às vezes vou para a academia. Quando tem algum futsal, eu vou. Mas, se fosse por mim, eu treinava todos os dias”, relata. A rotina demonstra tentativa de manter constância, mesmo sem a mesma estrutura de antes.

 

Entre as referências na modalidade, Mikaely destaca a treinadora Romilda, do Comercial. “A treinadora que eu me inspiro é a Romilda, do Comercial. Quando eu cheguei para jogar para ela, só ela via potencial em mim. Ela pegava no meu pé. No começo eu achei que era implicância, mas depois eu percebi que ela estava fazendo aquilo para me ajudar”, recorda. Segundo a atleta, a postura da técnica teve impacto direto em sua postura nos treinos. “Eu comecei a dar meu tudo nos treinos, e ela começou a não pegar mais no meu pé, porque viu que eu estava me esforçando.”

 

Entre as partidas que marcaram sua trajetória, uma se destaca. “Foi uma partida pelo Comercial, no campeonato do Toni Gol”, resume, ao mencionar o jogo como referência em sua caminhada até aqui.

 

Dentro de quadra, Mikaely identifica seus pontos fortes e os aspectos que ainda busca desenvolver. “Eu me destaco na velocidade e na marcação. Sempre procuro ajudar o time tanto na defesa quanto no ataque. Ainda busco evoluir na finalização e na tomada de decisão dentro da área”, explica. A análise revela atenção aos fundamentos e à necessidade de aprimoramento técnico.

 

Ao falar sobre o cenário da modalidade, ela observa crescimento. “Acredito que o futebol feminino está em expansão, e em Mato Grosso do Sul cada vez mais meninas estão tendo oportunidade de jogar”, afirma. A percepção acompanha o aumento de competições e projetos voltados às categorias de base no Estado.

 

Com metas definidas, Mikaely projeta os próximos passos. “Meu maior sonho é jogar no profissional, jogar pelo Corinthians ou Palmeiras. E, se Deus permitir, pela Seleção também.” O objetivo aponta para clubes de expressão nacional e para o desejo de vestir a camisa do país.

 

Entre treinos em casa, deslocamentos e estudos pela manhã, a jovem atleta afirma que a dedicação tem sido constante. A frase que abre esta reportagem sintetiza o momento: “Se fosse por mim, eu treinava todos os dias.”

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