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De goleiro por acaso a atleta amador: o caminho de Brayan Coene em MS

da redação - 5 de dez de 2025 às 15:51 83 Views 0 Comentários
De goleiro por acaso a atleta amador: o caminho de Brayan Coene em MS Da Redação

A trajetória de Brayan Coene Teixeira Barbosa, 21 anos, jogador amador de futebol de campo e futsal em Mato Grosso do Sul, começa a partir de uma experiência simples: a necessidade de completar um time na escolinha do pai. “Aos 6 para 7 anos de idade, meu pai tinha uma escolinha de futebol e estava faltando um jogador na minha categoria. Ele me colocou para completar, de goleiro, e foi onde eu comecei a gostar”, lembra.

 

O ponto de partida, quase acidental, se transformou em rotina. As primeiras experiências mais estruturadas vieram ainda na infância, quando integrou projetos esportivos de grandes clubes. “Os primeiros times que comecei a jogar foram a escolinha do Santos FC e, no mesmo ano, a do São Paulo FC”, relata. A vivência nos núcleos oficiais ampliou o contato com treinadores e metodologias, o que contribuiu para que ele seguisse no futebol de campo por influência familiar. “O que mais me motivou a seguir jogando campo foi meu irmão, que sonhava em ser jogador e parou no meio do caminho por problemas pessoais e falta de oportunidades no nosso estado.”

 

A relação com o futsal é recente. Brayan iniciou na modalidade somente este ano, após ouvir conselhos de pessoas próximas. “Comecei pelo simples fato de alguns amigos falarem para eu focar no futsal, porque eu me daria bem”, explica. Apesar do início tardio, ele avalia que consegue levar parte de sua leitura de jogo do campo para a quadra. Ele aponta que no futsal suas principais características são “o drible, a velocidade e a inteligência vinda do campo”.

 

No futebol de campo, o jogador afirma ter facilidade em atuar em mais de uma função. “Tenho alta intensidade e consigo me adaptar em várias posições, como lateral direito ou esquerdo, volante, meio-campo e extremo. Também tenho o drible e a velocidade”, descreve.

 

A rotina atual, no entanto, não é mais a mesma da adolescência. Hoje, conciliando faculdade e estágio, Brayan afirma não ter tanto tempo disponível para treinar. “A rotina atualmente é muito ruim, porque tenho que fazer faculdade e estágio e não tenho tanto tempo para treinar por conta das aulas. Mas treino todo dia corridas e alguns treinos individuais sozinho.” Ele compara a fase atual à época em que buscava oportunidades mais amplas no esporte. “No passado era muito corrido. Eu treinava dois períodos e estudava à noite, sem tempo para nada e sem ajuda de custo.”

 

Ainda assim, acumulou experiências que considera importantes. Ele cita passagens marcantes por clubes e conquistas estaduais. Um dos momentos que destaca é o título conquistado pelo Náutico FC, em Campo Grande. “Ganhei dois estaduais no futebol de campo. Pelo Náutico, dei uma assistência e fiz o gol do título.” Outro período significativo foi a observação por parte de um clube de Série A. “Fiquei três anos sendo monitorado pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.”

 

As dificuldades enfrentadas ao longo do caminho também fazem parte de sua avaliação sobre o cenário esportivo local. Brayan explica que a falta de estrutura e apoio financeiro pesou em vários momentos. “Aqui no nosso estado não tem muito recurso e não ajuda atletas mais novos. Tive muita dificuldade porque minha família não tinha muita condição. Ia treinar de ônibus ou de carona com amigos porque os clubes não ajudavam”, afirma.

 

Ele cita professores que considera fundamentais no processo de evolução: Fábio “Risada” e Júlio César, ambos do Náutico FC; Toninho Mussi, do União ABC; e o personal trainer Patrick Coene. “Foram essenciais na minha evolução”, diz.

 

A visão de futuro no campo e no futsal também segue caminhos diferentes. Ele afirma que já não busca uma carreira no futebol de campo como atleta profissional. “Meus objetivos no campo já acabaram como profissional, só se aparecer alguma oportunidade no time profissional daqui do estado ou algo bom fora do estado.” Para o futsal, a perspectiva é distinta. “Sigo treinando e buscando evoluir porque comecei há pouco tempo. Se aparecer algo bom, estou indo. Meu objetivo é ter um bom time onde eu possa mostrar meu trabalho.”

 

Ao avaliar o cenário esportivo sul-mato-grossense, Brayan defende que ainda há limitações estruturais, especialmente para atletas mais jovens. Ele aponta que, no futebol, “falta os times investirem mais nos atletas que têm aqui e pararem de buscar jogadores de outros estados para ter uma boa performance”. Para o futsal, ele acredita que faltam “mais competições de expressão e mais investimento da federação”.

 

Mesmo assim, ele vê avanços recentes no ambiente esportivo local. “Acredito que o futebol do nosso estado está melhorando muito. Do tempo em que eu jogava para o que está agora, está melhor.”

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