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De Deodápolis ao LFA: Uelliton Silva busca espaço no MMA mundial após superar lesão e mudar de país

da redação - 29 de jul de 2025 às 14:59 199 Views 0 Comentários
De Deodápolis ao LFA: Uelliton Silva busca espaço no MMA mundial após superar lesão e mudar de país Da Redação

A trajetória de Uelliton da Silva Souza, nascido em 23 de maio de 1992, é um retrato dos desafios enfrentados por atletas brasileiros que sonham em fazer carreira no MMA. Natural de Deodápolis, no interior de Mato Grosso do Sul, ele iniciou seus treinos em 2013, sem imaginar que, anos depois, estaria nos Estados Unidos e com contrato assinado com o LFA — uma das principais portas de entrada para o UFC.

 

“Eu comecei em 2013 em Deodápolis com um professor que veio do Goiás, chamado Marcos Macedo, o Goiano. Começamos a treinar voltado sempre ao MMA. Ele viu que eu tinha potencial e focou em mim. Com menos de um ano fiz minha primeira luta”, conta Uelliton. Desde o início, o objetivo era claro: lutar profissionalmente. O caminho, no entanto, não foi simples.

 

A dedicação ao esporte exigiu mudanças profundas na vida do atleta. Atualmente, morando nos Estados Unidos, ele treina na equipe TFA MMA, em Wakefield, Massachusetts, comandada por Léo Ladeira. “Hoje faço parte da equipe TFA MMA, uma das maiores equipes de MMA do estado. Vários atletas duros e amigos. O Léo abriu as portas da sua equipe pra mim quando eu mais precisava. Já tinha assinado com o LFA e ele me ajudou do começo ao fim até o dia da luta, sem medir esforços. Sou muito grato a ele e à equipe, que sempre é um pelo o outro.”

 

A nova fase da carreira foi impulsionada justamente por essa conquista: o contrato com o Legacy Fighting Alliance, evento que se tornou vitrine para atletas que desejam chegar ao UFC. “O momento mais marcante da minha carreira foi quando assinei com um dos maiores eventos do mundo e que mais envia atletas pro UFC, o LFA”, afirma.

 

Com um cartel de 9 vitórias e apenas 2 derrotas, Uelliton construiu sua reputação no octógono com nocautes e agressividade. Das nove vitórias, oito foram por nocaute e uma por finalização. Ele é grau preto de Muay Thai e faixa roxa de jiu-jítsu. A rotina de treinos segue intensa, mesmo com as obrigações do trabalho. “Faço um treino de manhã de preparação física, vou pro trabalho, e à noite faço outro voltado ao MMA. Priorizo o condicionamento físico e o treino técnico. O sparring mais duro é uma vez por semana.”

 

Apesar da mudança de país, Uelliton não perdeu o vínculo com suas origens. Ele cita o irmão, Weverton Silva, como peça fundamental na continuidade da equipe em sua cidade natal. “Quero agradecer a todos que me ajudaram até aqui, meu irmão Weverton Silva, que manteve nossa equipe viva na nossa cidade de Deodápolis, a Team Silva MMA.”

 

Entre vitórias e derrotas, ele também precisou lidar com uma lesão séria. Durante um treino de jiu-jítsu nos Estados Unidos, sofreu uma separação entre o ombro e a clavícula ao levar uma queda. A lesão exigiu cirurgia e o afastou por um ano. “Foi frustrante, porque eu estava prestes a assinar com um ótimo evento e tive que adiar os planos.”

 

As dificuldades, no entanto, não diminuíram sua motivação. Pelo contrário, reforçaram o objetivo maior: alcançar o UFC. “O que mais me motiva é ser campeão da maior organização do mundo, o UFC. Acredito que seja o sonho de todo atleta, e também mudar a vida da minha família e das pessoas mais próximas.”

 

Uma das lutas mais desafiadoras da carreira foi fora do país. “Minha luta mais difícil foi na Polônia, onde fiz o co-main event do Babilion MMA contra o Piotrek Niedzielski. Fizemos a luta da noite.” Ele também compartilha o que passa pela sua mente antes de subir ao octógono: “Eu só penso em tudo que passei pra estar lá e que tenho que fazer valer a pena, deixar minha família, amigos e meus treinadores orgulhosos de mim.”

 

Fora do esporte, Uelliton é um homem de fé e diz ter como maior ídolo Jesus Cristo. No MMA, se inspira em Alex Poatan, campeão do UFC. “Pela história que vem fazendo, e não só dentro do octógono, mas também fora.”

 

Ao comentar sobre o cenário nacional, ele reconhece os avanços, mas também as barreiras que ainda existem para os atletas no Brasil. “Vejo evolução sim. Está tendo mais oportunidades, e acredito que no futuro os atletas terão mais chances de mostrar seus talentos. Mas acredito que no Brasil as coisas são mais difíceis de acontecerem.”

 

Com a próxima luta prevista para outubro, nos Estados Unidos, o foco de Uelliton está em estar pronto. “Meus próximos objetivos são me preparar mais e estar pronto pra quando a oportunidade aparecer, enfrentar atletas duros e de nome.”

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