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De atleta a árbitro: a trajetória de Gabriel Bonetti no basquete de MS

da redação - 15 de dez de 2025 às 15:29 70 Views 0 Comentários
De atleta a árbitro: a trajetória de Gabriel Bonetti no basquete de MS Da Redação

A trajetória de Gabriel dos Santos Bonetti, nascido em 10 de outubro de 1996 em Ponta Porã, começou longe da arbitragem. Aos 13 anos, entrou no basquete por influência de um amigo que não queria treinar sozinho. “Me apaixonei desde então, nunca mais parei”, lembra. Como atleta escolar, seguiu até o fim do ensino médio e, depois, na faculdade de Engenharia Civil, continuou na modalidade representando a instituição e a atlética do curso. Chegou a dar treinos e atuar como técnico da equipe feminina.

 

A arbitragem entrou na vida dele em 2019, quase por acaso. Ele se inscreveu em um curso realizado em sua cidade natal acreditando que isso o ajudaria a se tornar um técnico melhor. “Resolvi fazer o curso para conhecer mais das regras, mas logo veio a pandemia”, conta. Com o retorno das competições após a paralisação, a oportunidade de fato surgiu. Ele foi chamado para ajudar na Taça Erasmo, competição escolar organizada por sua antiga professora Michele Mendonça. Ali, trabalhou ao lado de Crislaine Alves, árbitra FIBA e uma das referências do basquete sul-mato-grossense. “Ela viu em mim algum potencial”, afirma.

 

Uma semana depois, com o retorno dos torneios oficiais e a ausência de muitos árbitros que ainda não haviam voltado à ativa, Crislaine indicou seu nome à Federação de Basketball de Mato Grosso do Sul (FBMS). Ele foi convidado para atuar no Estadual Sub-13 em Rio Brilhante. “Dali não saí mais”, resume. Desde então, Bonetti acumula mais de 100 campeonatos, incluindo nacionais da Confederação Brasileira de Basketball (CBB) e competições com equipes internacionais. Ele também participou duas vezes da Sul-Americana, além de torneios com Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e até equipes americanas. Relata ainda uma experiência marcante em um camp da NBA School. “É surreal estar na mesma quadra que pessoas e equipes que você via apenas pelas transmissões.”

 

As demandas da arbitragem, porém, vão além da técnica. A responsabilidade e o impacto de cada decisão são constantes. “Estamos ali apenas para identificar os erros do jogo. Não existe apito para parabenizar alguém. São tomadas de decisões que precisam ser imediatas.” Para ele, a dificuldade não está em um momento isolado, mas no conjunto: pressão esportiva, avaliação permanente, pouco tempo com a família e a necessidade de decidir lances que podem definir um campeonato inteiro. “É uma responsabilidade grande, mas eu gosto.”

 

Gabriel também explica que o árbitro precisa estar em plena condição física. Além do volume de jogos, há testes exigidos pela federação e pela CBB, como o Beep Test, no qual o árbitro corre entre duas linhas distantes 20 metros em intervalos cada vez menores. “Precisamos estar em forma para corresponder à correria dos jogos e estarmos na melhor posição possível dos lances”, diz.

 

Sobre erros, afirma que o maior problema ocorre quando o árbitro tenta aparecer mais que o próprio jogo. “Sempre levei a visão de que o basquete é um espetáculo. Os astros são os atletas. Nós somos os produtores que ninguém vê, mas que fazem o espetáculo acontecer.” Para evitar falhas, ele aponta caminhos simples: estudo, preparação constante e confiança na equipe de arbitragem.

 

Quanto ao comportamento durante as partidas, diz que o ambiente do basquete facilita a atuação. “Pra falar a verdade, eu nem ouço. O corpo já acostumou. E o basquete não é como no futebol, com aquela gritaria em que todo mundo fala o que quiser. No basquete, sem respeito, você não fica na quadra.”

 

Na visão dele, o esporte e o estilo de jogo passaram por transformações nos últimos anos. “Hoje vejo atletas muito mais habilidosos, com mais chutes do perímetro. Antigamente quem corria mais era a bola.” Ele considera também que o nível do basquete em Mato Grosso do Sul cresceu. Destaca o trabalho da FBMS na estrutura das competições, hospedagem para árbitros e atletas e melhores condições nas quadras. “Isso elevou muito o nível. Nos últimos anos estamos entre os quatro melhores estados em quase todos os nacionais escolares.”

 

Para quem deseja ingressar na arbitragem, o conselho é direto. “Estudar muito, se preparar física e psicologicamente, entender que é uma profissão que exige muito, mas que entrega muito também.” Ele diz que a arbitragem o levou a conhecer grande parte do país e fez amigos que levará para a vida. Mas reforça: “O principal é amar esse esporte. Sem isso, sem chance.”

 

Quanto ao futuro, segue sem traçar metas distantes. “Meu objetivo é sempre o próximo passo, subir um degrau de cada vez, entregar o melhor trabalho para continuar nas melhores competições.” Para ele, a trajetória na arbitragem virou um caminho natural, alinhado ao que gosta desde a infância. “Quero aproveitar as oportunidades que Deus vem me proporcionando, trabalhando com o que sempre amei.”

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