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Das quadras de Terenos ao CTM: Lucas Correia mantém viva a paixão pelo voleibol

da redação - 25 de jun de 2026 às 15:00 116 Views 0 Comentários
Das quadras de Terenos ao CTM: Lucas Correia mantém viva a paixão pelo voleibol Da Redação

“O vôlei mudou minha vida. Me ensinou disciplina, honra, respeito e mostrou que com esforço, foco e dedicação é possível alcançar grandes coisas.” A frase resume a relação de Lucas Correia de Souza com o esporte que o acompanha desde a infância e que continua sendo parte fundamental de sua rotina aos 31 anos.

 

Nascido em Campo Grande, em 24 de março de 1995, Lucas passou boa parte da infância em Terenos, município onde deu os primeiros passos no voleibol. O contato com o esporte começou cedo, impulsionado tanto pela aptidão que demonstrava nas aulas de educação física quanto pelas referências que tinha dentro da própria família.

 

“Desde os 7, 8 anos de idade eu já percebia que tinha uma facilidade e uma aptidão para o esporte, principalmente nas atividades da educação física”, relembra.

 

Entre suas inspirações estavam as primas Patrícia e Sandra, atletas que atuavam por Dois Irmãos do Buriti e representavam Mato Grosso do Sul em competições. A identificação com o voleibol cresceu rapidamente e, aos nove anos, ele iniciou os treinamentos com o professor José Luiz, do projeto Terenos Vôlei.

 

Foi nesse período que Lucas encontrou a posição que marcaria sua trajetória dentro das quadras. Admirador dos levantadores Ricardinho e Bruninho, passou a dedicar atenção especial aos fundamentos da função.

 

“Foi nesse período que me apaixonei pela posição de levantador. Na época, não tínhamos os recursos que existem hoje para a formação de atletas, mas o professor José Luiz adaptava os treinamentos. Eu lembro de fazer centenas de toques com bola de basquete para desenvolver força, precisão e qualidade no levantamento.”

 

Segundo ele, aqueles primeiros anos foram decisivos para a construção dos valores que levaria para a vida esportiva e pessoal. “Foi ali que nasceu minha disciplina e meu amor pelo vôlei.”

 

A trajetória seguiu por diferentes cidades e equipes. Ainda nas categorias de base, Lucas passou pelo Colégio Dom Bosco e posteriormente foi para Iguatemi, onde representou o Colégio 8 de Maio e a seleção municipal. Uma semifinal contra o Colégio Calvoso, de Ponta Porã, abriu caminho para uma nova etapa.

 

A partir dali, passou a atuar pelo Calvoso sob o comando do professor Ademir, disputando campeonatos estaduais, regionais e a Copa Pantanal. Mais tarde, acompanhando a mudança da família para Santa Catarina, continuou investindo na carreira esportiva.

 

No estado catarinense, vestiu as camisas de Balneário Camboriú, Itajaí e Nova Trento. Também participou da tradicional Taça Paraná por Joinville, competição reconhecida nacionalmente por reunir atletas das categorias de base.

 

O período trouxe experiências importantes e uma das oportunidades mais marcantes de sua formação. Lucas chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira Sub-17 e permaneceu cerca de seis meses em treinamento.

 

“Acredito que por volta dos 14, 15 anos eu já tinha a convicção de que poderia chegar a um nível de alto rendimento. Eu acreditava no meu potencial, apesar de sempre existir uma dúvida por causa da minha altura, já que tenho 1,78 metro e o vôlei muitas vezes valoriza atletas mais altos.”

 

O ciclo na seleção, porém, foi interrompido por lesões no tornozelo e no dedo. Ainda assim, o atleta considera aquele período um aprendizado importante para sua formação.

 

As lesões, aliás, aparecem entre os principais obstáculos enfrentados ao longo da carreira. Para ele, a falta de maturidade na juventude e a tentativa de seguir competindo mesmo sentindo dores acabaram agravando alguns problemas físicos.

 

“Quando somos jovens, muitas vezes não temos maturidade para entender a importância de cuidar do corpo. Eu tive pequenas lesões que ignorei e continuei jogando, e isso acabou evoluindo para problemas maiores que me afastaram por mais tempo.”

 

Além das questões físicas, Lucas também aponta a falta de oportunidades e investimentos como um desafio recorrente para muitos atletas.

 

“Muitas vezes novos talentos não têm a oportunidade de serem vistos.”

 

Após a passagem pelo voleibol de base, ele iniciou a graduação em Publicidade e Propaganda e passou a defender a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) em competições universitárias. Mais tarde, já formado, retornou para Mato Grosso do Sul durante a pandemia de Covid-19, motivado pelo desejo de permanecer próximo da família.

 

O retorno ao estado marcou também um período de afastamento temporário das quadras. A retomada da carreira competitiva aconteceu em 2022, quando passou a defender uma equipe independente e voltou a disputar a Copa Pantanal.

 

Foi nessa fase que conheceu o Centro de Treinamento Monteiro (CTM), equipe que representa até hoje.

 

“Desde 2022 faço parte da equipe, treinando e representando o clube. O CTM possui uma estrutura muito boa, materiais de qualidade e uma metodologia de trabalho muito bem aplicada pelo professor Monteiro.”

 

A identificação com o projeto foi imediata. Após uma temporada, Lucas assumiu a função de capitão da equipe adulta, papel que lhe permitiu também contribuir na formação dos atletas mais jovens.

 

“Hoje sigo representando o CTM nas competições, ajudando também os atletas mais novos que chegam, aqueles que estão subindo de categoria, buscando transmitir um pouco da experiência que o vôlei me proporcionou ao longo da vida.”

 

Atualmente, sua rotina envolve treinos no CTM, atividades na areia e musculação. Mais experiente, ele afirma que o cuidado preventivo com o corpo passou a ser parte indispensável da preparação.

 

“A preparação hoje envolve não apenas treinar forte, mas também preservar o corpo.”

 

Ao analisar o cenário do voleibol sul-mato-grossense, Lucas acredita que o estado precisa ampliar investimentos, competições e oportunidades, especialmente para atletas do interior.

 

“Hoje ainda existem equipes fazendo um trabalho importante de formação, mas acredito que precisamos de mais investimento, mais campeonatos e mais oportunidades para atletas do interior. Existe muito talento que precisa ser visto e apoiado.”

 

Enquanto segue competindo, o levantador também participa da construção de um projeto voltado à formação de novos atletas. Sem estabelecer um prazo para encerrar a carreira, pretende continuar jogando enquanto a saúde permitir.

 

“O vôlei, para mim, vai além da competição. É qualidade de vida, amizade e uma parte importante da minha história.”

 

Ao falar com jovens que sonham seguir no esporte, Lucas deixa uma reflexão construída ao longo de mais de duas décadas dentro das quadras.

 

“Talvez o ‘chegar lá’ não seja sempre aquilo que aparece na televisão, mas pode ser uma vitória, um set, um ponto ou uma evolução pessoal. O importante é continuar acreditando no seu potencial e nunca deixar que outras pessoas limitem aquilo que você pode conquistar.”

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