Da Redação
A trajetória de Daniela Ota na corrida começou em 2013, quando participou pela primeira vez da Volta das Nações, em Campo Grande. Ela relata que entrou na prova “sem nenhuma pretensão de virar corredora”, movida apenas pelo desejo de se divertir e cuidar da saúde. O que seria um episódio isolado acabou se tornando o início de um ciclo interrompido, retomado e reconstruído ao longo dos anos.
No ano seguinte à sua estreia, Daniela enfrentou um período que transformou completamente sua rotina. Em 2014, recebeu o diagnóstico de câncer de ovário. Além disso, passou por uma gestação de risco, cirurgias e tratamentos que exigiram tempo e adaptação. Ela afirma que o processo também a levou à depressão após uma das cirurgias. O afastamento das provas e dos treinos foi inevitável, e a prática esportiva ficou em segundo plano.
A retomada da corrida só aconteceu em 2019. Daniela conta que voltou incentivada por familiares e amigos, e que o retorno foi mais do que físico. “A corrida me devolveu algo essencial: ela me fez sentir viva novamente”, afirma. Para ela, foi o esporte que trouxe de volta a sensação de propósito e reorganizou parte da vida após os anos de tratamento. Nesse período, encontrou nas provas um espaço de convivência e reconstrução. No ano seguinte, em 2020, conquistou o primeiro pódio, em uma prova de 5 km. O resultado marcou o início de um novo momento, no qual as corridas passaram a fazer parte definitiva de sua rotina.
Atualmente, Daniela treina cerca de três vezes por semana. Ela também participa de provas com frequência e diz que esses eventos se tornaram parte do seu ambiente social. Além dos treinos, o esporte está presente no trabalho: ela atua no administrativo de uma plataforma de corridas. Na prática e na rotina profissional, o contato com o universo das provas faz parte do dia a dia.
A distância preferida de Daniela é a de 5 km, que descreve como um percurso que reúne ritmo e intensidade. Mesmo assim, ela já vivenciou desafios maiores, como sua primeira meia maratona. Sobre os 21 km, diz que a experiência foi especial pela forma como conduziu a prova, sem pressão, respeitando seu ritmo. “Meus primeiros 21 km foram feitos com calma e gratidão”, relata.
Além dos treinos, Daniela mantém cuidados com alimentação e suplementação. Sobre correr em Campo Grande, destaca que as subidas da cidade são um dos principais desafios, tanto no asfalto quanto na trilha. Mesmo assim, ela afirma que a prática representa algo que ultrapassa a preparação física. “A corrida, no asfalto ou na trilha, representa liberdade, bem-estar e vida”, resume.