Da Redação
“Jogar um Campeonato Brasileiro de Seleções já era um sonho.” A frase resume parte da trajetória de Maria Eduarda Lopes Costa, 20 anos, que nasceu em 16 de março de 2005, em João Pessoa (PB), mas construiu sua formação esportiva em Mato Grosso do Sul. Hoje morando em Campo Grande, ela divide a rotina entre os treinos de voleibol e o último ano da faculdade de Nutrição na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).
A relação com o esporte começou ainda na infância, por influência familiar. “Minha relação com o vôlei começou por influência do meu pai, que jogava e comentava comigo sobre o esporte, até que ele me levou a uma aula de vôlei de praia em João Pessoa quando eu tinha por volta de seis ou sete anos. Ali me apaixonei pelo esporte”, relata. Pouco tempo depois, aos oito anos, a família se mudou para Aquidauana. Foi lá que ela passou a se dedicar exclusivamente ao vôlei de quadra. “Comecei a treinar vôlei de quadra e, desde então, só joguei vôlei de quadra.”
O esporte ganhou novos contornos quando ela passou a integrar uma equipe de Campo Grande. As viagens frequentes entre Aquidauana e a Capital marcaram esse período. “O esporte começou a se tornar algo mais sério quando comecei a fazer parte de um time aqui de Campo Grande, em que eram necessárias vindas para a Capital para treinos e campeonatos. A partir desse momento, também comecei a participar de seletivas para compor a equipe de Mato Grosso do Sul nos Campeonatos Brasileiros de Seleções.”
A mudança de rotina trouxe desafios, principalmente na conciliação entre estudo e esporte. “Um dos principais desafios no início da minha trajetória era conciliar os estudos com o esporte, já que eu morava em Aquidauana e precisava vir treinar em Campo Grande.” A logística exigia organização e apoio familiar, algo que ela faz questão de destacar. “Sem dúvidas, meus pais e meu irmão nunca medem esforços para me ver fazendo o que eu amo. Estão sempre me acompanhando, vibrando e torcendo.”
Além da família, Maria Eduarda cita treinadores que participaram diretamente de sua formação. “Meus técnicos sempre acreditaram em mim: o professor Guto Portocarrero, de Aquidauana; Samir Dalleh, técnico do Campo Grande Vôlei; e Genilson, técnico da UCDB.” A convivência com diferentes comissões técnicas acompanhou sua evolução nas categorias de base e no ambiente universitário.
Atualmente, ela mora em Campo Grande e integra a equipe da UCDB, instituição onde cursa Nutrição. A rotina é dividida entre aulas, estágios obrigatórios e treinos. “Durante a manhã estou nos estágios obrigatórios ou em aula. À tarde, em alguns dias da semana, também estou em estágio e tiro um tempo para ir à academia. Treinamos de segunda a quinta no período noturno na UCDB, então tento sempre resolver tudo que tenho de questão acadêmica antes do treino.” A disciplina faz parte do planejamento pessoal. “Sempre fui muito regrada em relação ao treinamento, não gosto de faltar. Além de ser algo que levo a sério, também é um momento de distração, de fazer algo que eu gosto.”
Entre as competições que marcaram sua trajetória, os Campeonatos Brasileiros de Seleções ocupam lugar central. “Posso citar todos os Campeonatos Brasileiros de Seleções que eu joguei, pois disputar um CBS já era um sonho. Tive o prazer de jogar todas as divisões, destacando a divisão especial, que é a elite do voleibol, em que enfrentamos meninas que hoje compõem a Seleção Brasileira.” Para ela, atuar na principal divisão representou um marco na carreira.
Outra lembrança mencionada é a disputa do CBI Sub-21, no Ginásio José Liberatti, em Osasco. “Disputar o CBI Sub-21 no Liberatti, contra o time de base do próprio Osasco, foi algo extremamente marcante, principalmente por eu ser torcedora do clube. Foi uma experiência especial e inesquecível, que tornou aquele momento ainda mais significativo.” O confronto reuniu o aspecto competitivo e a identificação pessoal com a equipe adversária.
No cenário universitário, a final dos Jogos Universitários Brasileiros também ficou registrada. “A final do JUBS, apesar de não termos atingido o lugar mais alto do pódio, foi uma experiência incrível. Jogar a final de um campeonato brasileiro é algo marcante.” Mesmo sem o título, o grupo alcançou um dos objetivos estabelecidos para a temporada. “Subimos nosso estado de divisão, que era um dos nossos objetivos. Mesmo não sendo no lugar mais alto, foi gratificante ver nossa equipe no pódio, pois batalhamos muito para estar na competição e conquistar o acesso à segunda divisão.”
Ao analisar o cenário do voleibol feminino em Mato Grosso do Sul, Maria Eduarda aponta a necessidade de ampliar o calendário. “Ainda faltam mais campeonatos e competições ao longo do ano. Isso acaba limitando as oportunidades de jogo e o desenvolvimento das atletas.” Para ela, a ampliação de torneios impactaria diretamente na formação técnica. “Se tivesse mais calendário competitivo, o nível poderia crescer ainda mais.” Além disso, defende “mais competições para que as atletas tenham mais preparação, sejam mais vistas, e também mais estrutura.”
Para a atual temporada, as metas estão alinhadas ao coletivo. “Minhas metas são que seja uma temporada de muitas conquistas e aprendizado. Conquistar, com minha equipe, os títulos dos campeonatos estaduais, representar nossa instituição nos Jogos Universitários Brasileiros e, se possível, trazer novamente mais uma medalha.” O foco permanece dividido entre resultados esportivos e a conclusão da graduação.
Aos que iniciam no esporte, ela deixa uma orientação baseada na própria experiência. “Eu diria para não desistirem dos seus sonhos, manterem o foco e treinarem sempre com dedicação. No caminho vão surgir barreiras, isso é inevitável, mas que não deixem que elas as façam parar. Usem cada dificuldade como motivação para ficarem mais fortes e evoluírem ainda mais.”