Da Redação
“O pedal é além de competição, é por mim”. A frase resume a relação construída por Rosiane de Morais Santos com o mountain bike ao longo dos últimos anos. Natural de Coxim, no interior de Mato Grosso do Sul, a atleta amadora voltou a conquistar o título estadual da categoria Elite XCM em 2025, seis anos após a primeira conquista na principal categoria do ciclismo sul-mato-grossense.
Nascida em 18 de maio de 1990, Rosiane conta que entrou no esporte por influência de amigos da cidade que já praticavam ciclismo. O primeiro contato foi suficiente para despertar o interesse pela modalidade.
“Iniciei no pedal quando um grupo de amigos que já pedalava na minha cidade me convidou. Desde o primeiro pedal já fiquei encantada, foi apaixonante”, relata.
O começo no esporte aconteceu de forma simples. Sem bicicleta própria, ela utilizava equipamentos emprestados e dividia uma bike com o esposo até que o casal conseguiu adquirir uma bicicleta para cada um.
“No início era bike emprestada. Depois passei a dividir uma bike com meu esposo e, um tempo depois, conseguimos ter cada um uma bike. Era uma bike simples, mas não havia obstáculos para os pedais”, lembra.
A prática recreativa logo deu espaço às competições. Em 2017, Rosiane disputou a categoria iniciante e conquistou o título estadual. O resultado serviu como incentivo para aumentar a intensidade dos treinamentos, mesmo sem acompanhamento profissional.
“Comecei a treinar mais forte. Nunca tive treinador, mas tinha muita disposição”, afirma.
Com a evolução dentro do esporte, ela passou a competir na categoria Elite, considerada a principal e uma das mais disputadas do mountain bike estadual. Em 2019, alcançou um dos principais resultados da carreira ao conquistar o Campeonato Estadual Elite XCM.
“Consegui ter bons resultados nessa categoria, que era tão disputada e difícil. Fui campeã estadual Elite XCM”, recorda.
Após o título, a atleta enfrentou um período de mudanças pessoais e profissionais. Durante a pandemia, Rosiane decidiu direcionar mais atenção aos estudos e relata que passou por dificuldades emocionais que afetaram diretamente sua motivação no esporte.
“Veio a pandemia, foquei mais nos estudos e passei por um momento difícil de mudanças que influenciou o meu psicológico. O pedal ficou difícil, perdi o ânimo”, conta.
Mesmo mantendo os treinamentos e participando de competições, ela afirma que não conseguia repetir os resultados anteriores. A prioridade naquele momento era a preparação para concursos públicos.
“Passei a treinar, mas precisava focar nos estudos, então continuei participando das competições, porém não tinha bons resultados”, diz.
Em 2022, Rosiane alcançou outro objetivo importante fora do esporte ao conquistar a aprovação em concurso público. A estabilidade profissional ajudou a diminuir a pressão que ela colocava sobre si mesma dentro das competições.
“Em 2022 consegui realizar meu sonho e objetivo, um concurso público”, relata.
Já em 2025, a ciclista decidiu retomar os treinamentos com uma visão diferente sobre o esporte. Sem a cobrança excessiva por resultados, voltou a pedalar buscando a mesma sensação que teve no início da trajetória.
“Passei a encarar a bike, as pedaladas, pelo mesmo motivo que comecei: fazer por mim”, afirma.
O retorno ao esporte sem a pressão por resultados trouxe novamente conquistas importantes. Seis anos depois do primeiro título na Elite, Rosiane voltou ao topo do mountain bike estadual.
“Foi quando o que eu não acreditava aconteceu. Seis anos após 2019, consegui novamente o título de campeã estadual Elite XCM”, destaca.
Para ela, o novo título teve um significado diferente por representar superação pessoal diante das dificuldades enfrentadas ao longo dos últimos anos.
“Percebi então que vale a pena ser resiliente, que os altos e baixos me fizeram ser melhor a cada dia. E que Deus cumpre todos os desejos que estão em nossos corações, por isso sou sempre grata”, afirma.
Além da rotina de treinos e competições, Rosiane concilia o esporte com o trabalho, os compromissos familiares e as tarefas do dia a dia. Atualmente, ela mantém uma jornada de oito horas de trabalho e também passou a incluir a corrida na rotina para continuar ativa fisicamente.
“Sempre dividi uma rotina de oito horas de trabalho, casa, família e fazer o que sempre me fez sentir viva”, relata.
Mais do que a busca por resultados, ela diz que o ciclismo se tornou parte da forma como encara a própria vida.
“O pedal é além de competição, é por mim, me fez ser forte para a vida”, completa.
Atualmente, Rosiane afirma que pretende seguir praticando esportes sem estabelecer metas ligadas exclusivamente a resultados. O principal objetivo é manter a saúde e continuar encontrando no contato com a natureza um espaço de equilíbrio pessoal.
“O contato com a natureza me faz sentir Deus, por isso meu maior objetivo agora é seguir praticando com saúde e alegria”, diz.
A atleta também destaca as dificuldades financeiras enfrentadas por quem tenta crescer dentro do esporte amador e faz questão de agradecer às pessoas que contribuíram durante sua caminhada no ciclismo.
“Agradeço sempre todas as pessoas que já me ajudaram, pois todo esporte custa dinheiro e esse é um grande desafio para aqueles que pretendem crescer no esporte”, finaliza.