Da Redação
Criar um espaço onde as artes marciais fossem mais do que técnicas de combate. Onde o tatame servisse como ambiente de transformação pessoal, inclusão social e preparação para os desafios da vida. Essa foi a motivação de Carlos Eduardo de Amorim Vasconcelos, o Cadu, ao fundar o CT Black Viper – Artes Marciais, em Campo Grande (MS).
Nascido em Araçatuba (SP), em 16 de maio de 1981, Cadu iniciou sua jornada nas lutas ainda na adolescência e carrega hoje mais de três décadas de experiência. A decisão de empreender surgiu em 2022, logo após sua participação na organização do Esporte Open Pantanal, o maior evento esportivo já realizado em Mato Grosso do Sul. “Aquele evento me gerou a vontade de mostrar que podemos empreender nos esportes de luta”, relembra.
Foi então que nasceu o CT Black Viper, um centro de treinamento com proposta clara: formar não apenas atletas, mas cidadãos mais preparados para os desafios do cotidiano. “Sempre acreditei que o verdadeiro impacto das lutas vai além do tatame. A motivação veio da minha própria trajetória — das dificuldades superadas com disciplina, coragem e respeito.”
No CT, a filosofia se apoia em três pilares: disciplina, respeito e superação. Para Cadu, esses valores são tão importantes quanto o domínio das técnicas de combate. “A técnica é importante, mas o verdadeiro valor está no que o aluno leva para a vida. No CT Black Viper, formamos caráter, cultivamos o autocontrole, a autoconfiança e a resiliência.”
O centro de treinamento oferece aulas de jiu-jitsu, muay thai, boxe, taekwondo e defesa pessoal baseada no jiu-jitsu. Atende desde crianças até adultos, em diferentes níveis. Além disso, investe em projetos sociais, oferecendo aulas gratuitas ou subsidiadas para jovens em situação de vulnerabilidade. Um desses projetos é mantido no bairro Noroeste e tem como referência Carlos Jordan, parceiro da iniciativa.
“Acreditamos que todos merecem acesso à arte marcial, independentemente da condição financeira”, explica Cadu. O CT também realiza um trabalho voltado à capacitação de policiais militares do estado, com aulas de defesa pessoal adaptadas à realidade das forças de segurança.
A rotina de treinos é intensa e organizada por idade e nível técnico. Há espaço para iniciantes, grupos avançados, turmas infantis e horários voltados à qualidade de vida. Para Cadu, o impacto da arte marcial vai além das medalhas: “Cada vitória, grande ou pequena, é motivo de celebração aqui.”
Mas o trabalho também já rende frutos competitivos. O CT já levou atletas a campeonatos estaduais, nacionais e internacionais. Entre os destaques estão Daniela Macedo Pavão, atual número um no ranking da União Pantaneira de Jiu-Jitsu em sua categoria, e Tatiane da Silva Alves, que acumula conquistas em torneios da modalidade. Apesar dos resultados, Cadu é enfático: “Nosso foco é a defesa pessoal. Mais do que formar campeões, queremos formar pessoas conscientes e preparadas.”
O caminho até aqui, no entanto, não foi simples. Entre os maiores desafios, Cadu cita a conquista da confiança da comunidade e a quebra do estigma de que lutas são apenas para atletas de alto rendimento. “Queremos mostrar que todas as pessoas podem praticar e precisam saber defesa pessoal.” Outro obstáculo foi manter a estrutura funcionando com excelência, especialmente nos momentos de instabilidade econômica.
Segundo ele, a força do projeto está nas parcerias e no trabalho coletivo. “Com trabalho sério, equipe comprometida e o apoio de grandes nomes do esporte como Gerson Santos (da Carlson Gracie), Lescano no muay thai, Monica Damazio no boxe, e todo nosso quadro de professores, conseguimos crescer. Hoje somos o CT que mais cresce em número de alunos ou estamos ali nas cabeças.”
A visão de futuro também é clara. Os planos incluem expansão da estrutura física, abertura de novas unidades, formação de professores e ampliação dos projetos sociais. “Também buscamos parcerias com marcas e instituições que compartilhem nossa visão de impacto positivo por meio do esporte”, diz Cadu.
Quando questionado sobre o papel das artes marciais na transformação social, ele responde sem titubear: “As artes marciais são uma escola de vida. Ensinam respeito, controle emocional, foco e empatia. Em muitos casos, tiram jovens da rua, ajudam adultos a lidarem com ansiedade ou depressão, e fortalecem famílias. O tatame é um espelho — ele mostra quem você é e quem pode se tornar.”
A mensagem que ele deixa para quem ainda hesita em dar o primeiro passo no mundo das lutas é direta: “Não espere o momento certo. O melhor dia para começar é hoje. No CT Black Viper, você será acolhido, respeitado e guiado passo a passo. Aqui, você não precisa ser forte para entrar — você se torna forte com o tempo, com treino e com verdade.”
A proposta de Cadu é mais do que ensinar golpes. É formar cidadãos mais confiantes, capazes de encarar o mundo com disciplina e coragem. Como ele mesmo define: “Não te preparamos só para a luta. Te preparamos para a vida.”