Da Redação
Ana Julia Calvento Ferreira, de 14 anos, natural de Dourados (MS), descobriu o vôlei em 2023, quando tinha apenas 12 anos. “O vôlei entrou na minha vida em 2023, quando eu tinha apenas 12 anos de idade. Eu me lembro que na época eu fazia educação física com o Douglas e, por eu ser alta, ele me sugeriu a entrar na Skill”, conta. Antes disso, Ana praticava taekwondo desde os seis anos, mas a transição para um esporte coletivo despertou uma nova paixão. “Para mim, o vôlei era um desafio, pois eu saí de um esporte que eu dominava para um que eu não fazia a mínima ideia de como jogar, e isso me motivava a continuar. O apoio do meu treinador Victor e dos meus pais influenciaram muito nesse meu início”, afirma.
A jovem relembra suas primeiras experiências em competições e o impacto que elas tiveram em sua evolução. “Minha primeira lembrança foi o meu primeiro campeonato, que foi em maio de 2023. Eu fiquei muito nervosa e comecei de titular, mas acabei indo para o banco. Essa experiência foi muito importante para meu amadurecimento no vôlei, por eu ter saído de um esporte individual para um coletivo. Isso influenciou muito na minha postura dentro de quadra”, explica Ana. Ela recorda também do JEMS de 2024, quando enfrentou dificuldades após um campeonato ruim, mas conseguiu se destacar. “Mesmo assim, eu cheguei lá e acabei me destravando e me tornando protagonista de um campeonato. Após muitos anos, colocamos Dourados em cenário nacional, e isso foi uma grande conquista individual e coletiva”, acrescenta. Em 2025, participou de um Campeonato Brasileiro, onde a equipe conquistou o terceiro lugar, colocando Mato Grosso do Sul de volta à divisão especial.
Ana cita referências importantes para sua formação dentro e fora das quadras. “Dentro do vôlei, minha maior inspiração é Gabi Guimarães, não só pela sua técnica e mentalidade, mas pela postura dentro de quadra e suas atitudes em situações de pressão. Fora do vôlei, minha maior inspiração é Kobe Bryant, principalmente pela mentalidade de dedicação e disciplina, que me incentiva a continuar em momentos difíceis”, diz.
A rotina da jovem atleta é intensa, mas ela mantém equilíbrio entre estudos, treinos e cuidados pessoais. “Minha rotina começa logo cedo, às 6h, me arrumando para ir para a escola, onde volto apenas às 12h30. Segundas e quartas dedico meu tempo aos estudos até mais ou menos 16h30 e, em seguida, vou para os treinos, que duram das 17h30 às 21h30. Terças e quintas faço inglês das 14h às 15h, depois academia das 16h30 às 17h30, e logo após treino das 17h30 às 21h30. Nas sextas-feiras, dedico meu tempo à psicóloga esportiva, depois academia, e então fico livre para sair com minhas amigas ou ir comer em algum lugar. Mas normalmente tenho campeonatos na maioria dos finais de semana, então são poucas as vezes que saio, pois acredito que para realizar esse sonho devo sacrificar muitas coisas”, relata.
Sobre os desafios que enfrenta, Ana destaca a importância de lidar com momentos ruins no esporte. “Para mim, o maior desafio foi lidar com fases ruins, pois era algo que eu nunca entendia e ficava me questionando. Mas com o tempo percebi que é algo natural para todo atleta, e que a única coisa que posso fazer é fortalecer meu psicológico para que essas fases diminuam cada vez mais e que, quando acontecerem, eu saiba lidar com elas”, explica.
Entre os momentos mais marcantes de sua trajetória, Ana cita o Campeonato Brasileiro deste ano. “O momento mais marcante da minha vida sem dúvidas foi o brasileiro que eu participei este ano. Conheci pessoas novas, joguei em um cenário nacional e me aproximei de muitas pessoas”, conta.
Sobre as qualidades que considera essenciais para um atleta, ela destaca resiliência e disciplina. “Eu acredito muito que quando uma pessoa foca tudo que tem em um sonho, ele vai dar certo”, afirma.
Ana também analisa o cenário do vôlei no Mato Grosso do Sul e aponta o que ainda pode ser aprimorado. “O vôlei no MS vem tendo uma grande crescente e eu acho que nosso estado não está atrás dos outros no aspecto esportivo. Existem grandes atletas e técnicos dentro dele. A única coisa que eu acho que deveria mudar é em questão de oportunidades, que muitas vezes não temos dentro do estado”, observa.
Quanto ao futuro, a jovem tem metas claras. “Meu principal objetivo é chegar em uma seleção brasileira e ser uma jogadora profissional”, revela.
Por fim, Ana deixa uma mensagem para outras atletas que estão começando. “Eu acho que não se deve comparar com outras atletas, pois cada uma tem seu tempo e seus sonhos. Muitas vezes, a comparação acaba fazendo você desistir”, conclui.