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Breno Oliveira: da infância em Coxim ao sonho de crescer no hard enduro brasileiro

da redação - 3 de set de 2025 às 14:14 114 Views 0 Comentários
Breno Oliveira: da infância em Coxim ao sonho de crescer no hard enduro brasileiro Da Redação

“Cada subida é um novo desafio e cada acerto é uma vitória a ser comemorada.” A frase é de Breno Almeida de Oliveira, jovem piloto de hard enduro nascido em 26 de outubro de 2001, em Coxim, no norte de Mato Grosso do Sul. É assim que ele resume o sentimento de quem vive em cima da moto enfrentando serras, morros e terrenos difíceis, em um esporte que vem crescendo no Brasil e já atrai cada vez mais praticantes.

 

A paixão pelo motociclismo surgiu cedo. Filho de um entusiasta do mundo das duas rodas, Breno cresceu próximo às trilhas e ao ronco dos motores. “Com 11 anos de idade comecei a pilotar e aos 13 iniciei nas trilhas de verdade, entre estradas, morros e serras”, relembra. O primeiro contato com o hard enduro veio em 2021, quando a modalidade começou a ganhar espaço na região. “Por ser um esporte que além de preparo físico exige muita técnica e psicológico, acabei gostando muito. Foi quando iniciei de verdade na modalidade.”

 

A trajetória não foi linear. Depois de algumas participações em provas, Breno ficou um período afastado das competições. Em 2025, decidiu retornar com foco renovado, encarando as corridas como um novo ponto de partida. “Quero que esse fim de temporada seja minha base de treinos para 2026”, explica. Mesmo retornando após a pausa, já somou resultados relevantes, como o título da categoria Iron na etapa de Coxim do campeonato regional HECO e o 4º lugar na categoria Bronze Aircooled da 5ª etapa do Campeonato Brasileiro de Hard Enduro, disputada em Cuiabá.

 

A primeira experiência competitiva, no entanto, foi marcada mais pelos aprendizados do que pelos resultados. “Por ser a primeira, acabei ficando um pouco ansioso e cometi alguns erros durante o prólogo, o que me fez largar muito mal no segundo dia”, conta. Apesar de uma penalização de mais de oito minutos, ele conseguiu se recuperar e terminou em 8º lugar. “Não foi um pódio, mas foi superação e aprendizados que carrego comigo até hoje.”

 

O hard enduro exige mais do que apenas força ou velocidade. A rotina de Breno mostra como a disciplina é parte essencial do processo. “No hard o corpo deve trabalhar em conjunto com a mente, pois em muitas situações, o piloto e a moto são levados ao extremo e se não tiver foco no objetivo o piloto acaba desistindo.” Conciliando treinos com o trabalho, ele organiza os dias entre sessões na moto durante o horário de almoço, pedais noturnos durante a semana e treinos mais longos nos fins de semana.

 

O apoio familiar e o convívio com outros apaixonados pelo esporte são fundamentais em sua jornada. “Sem dúvidas minha família no geral, meu pai que sempre me apoiou desde o início e foi também quem me iniciou no esporte, e meus amigos do grupo ‘Trilheiros da Tribo do Velho Zé’, que sempre apoiam não só eu como nossos outros atletas.” Esse ambiente coletivo fortalece o sentimento de pertencimento e cria uma rede de incentivo que ultrapassa os resultados de corrida.

 

As dificuldades, porém, não ficam restritas às trilhas. Conciliar treinos, trabalho e vida pessoal já é um desafio. Além disso, o custo da prática também pesa. “É um esporte que demanda grandes investimentos, desde a moto, equipamentos e também deslocamentos para provas, custos de inscrições e afins.” Ainda assim, ele considera que os obstáculos fazem parte da caminhada e servem como motivação extra.

 

Entre os momentos marcantes da carreira, o retorno às competições em 2025 tem um lugar especial. “Sem dúvidas esse retorno, todo o apoio que venho recebendo, a felicidade do meu pai me vendo de volta, poder estar próximo dos meus amigos do esporte novamente. Pra mim, sem dúvida a melhor parte é essa, é o que nos marca de verdade.”

 

As referências de Breno dentro do esporte também refletem seu desejo de crescimento. Entre os nomes que mais admira estão o brasileiro Rigor Rico, destaque em competições nacionais e internacionais, e o britânico Billy Bolt, referência mundial. “Espero um dia poder chegar ao menos perto do nível desses feras.”

 

Sobre o cenário do hard enduro, Breno observa um crescimento consistente, tanto em Mato Grosso do Sul quanto no Brasil. “Cada ano que passa vejo que mais e mais pilotos gostam da modalidade e resolvem se desafiar nas corridas. No cenário brasileiro, onde se falar de trilha ouviremos a palavra ‘hard’, então pode-se dizer que já é um esporte nacionalmente conhecido e admirado.” No Estado, o campeonato HECO é o exemplo mais visível desse avanço, reunindo competidores também de Mato Grosso e consolidando a região como um polo importante da modalidade.

 

O planejamento é claro: utilizar os últimos meses de 2025 como preparação intensa para a próxima temporada. “Finalizar o ano de 2025 treinando muito e terminar de correr os campeonatos, utilizando essa base para fazer um ótimo campeonato em 2026 me destacando nas provas em que participar.”

 

Aos jovens que sonham em trilhar caminho semelhante, Breno resume a mensagem que ele próprio coloca em prática: “Foco, persistência. Não vai ser fácil, às vezes vai bater o desânimo, a vontade de largar tudo, mas até os melhores pensam em desistir. O que faz de alguém o melhor em qualquer área da vida não só no esporte é justamente a capacidade de se adaptar às adversidades e, por mais difícil que seja, não desistir. Faz você por você. Vai sozinho, vai com medo, não importa, só vai!”

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