Da Redação
Beatriz Morais, natural de Campo Grande, nasceu em 29 de junho de 2013 e iniciou sua trajetória no judô aos seis anos. O início no esporte aconteceu de maneira inesperada: “Comecei a fazer judô de uma forma inusitada, quando eu tinha 6 anos. Em um exame de rotina, meu pediatra disse para meus pais que eu estava com colesterol, dá para acreditar? Kkk. Então ele recomendou aos meus pais que eu fizesse alguma atividade física ou esporte. Na escola em que estava havia um projeto de judô, foi onde comecei a praticar e amei. Comecei com 6 anos e estou até hoje, já com 12 anos”.
Desde então, Beatriz vem se dedicando ao esporte e acumulando experiências. Sobre suas inspirações dentro e fora do tatame, a jovem judoca destaca: “Dentro do tatame me inspiro muito em Maira Aguiar, nossa multi campeã, e Rafaela Silva, medalhista olímpica e mundial. Fora do tatame, meus pais; sem eles nada disso seria possível. Eles fazem de tudo para que eu esteja nos campeonatos dentro e fora, os custos são altos e eles sempre dão um jeito. Não tem como não falar deles, são minha base nessa trajetória toda, dentro e fora do tatame”.
A jovem atleta destacou um momento recente como o mais marcante de sua trajetória. “Teve muitos momentos, porém o mais marcante foi o Brasileiro Sub-13 em João Pessoa, na Paraíba, da data de ontem, 05/10/2025, onde fiquei em terceiro lugar e estou classificada para o Sul-Americano. Foi muito marcante e especial para mim esse campeonato”, contou.
O judô, para Beatriz, vai além das medalhas e competições: “O judô me deu calma e serenidade. Sempre fui muito agitada e o judô ensina muito sobre disciplina, isso me ajudou muito a ter calma e alto controle”. Essa disciplina reflete também na rotina intensa de treinos: “Treino de segunda a sexta-feira, no Clube Associação Desportiva Moura, clube que represento nos tatames. Temos todo o treino com os senseis e preparação para os campeonatos. Fora isso, faço preparação física e de resistência para os campeonatos”.
Durante a trajetória, Beatriz enfrentou desafios que exigiram disciplina e dedicação. Ela comenta: “Para mim, creio que a maior dificuldade é o controle de peso, pois para mim é muito ruim ter que controlar peso e ficar de dieta regrada, aí é difícil. Mas creio que a maior superação é quando a gente tem que vencer nossos medos e controlar nossa ansiedade. Creio que minha maior superação foi comigo mesma nessa trajetória”.
Conciliar os estudos com os treinos e competições é um desafio que a jovem judoca também precisa enfrentar. “É bem difícil, porém consigo conciliar tudo. Agora mesmo, por conta do Brasileiro, tive que me ausentar quatro dias de aulas, mas tudo isso sendo informado à minha escola e justificado. Quero deixar meu carinho à Escola Sesi de Campo Grande, onde sou bolsista justamente pelos resultados dentro do tatame, e represento a escola nas competições também, minha gratidão”, afirma.
A conquista do Brasileiro Sub-13 em João Pessoa, além de trazer a medalha de bronze, garantiu à Beatriz a classificação para seu primeiro campeonato internacional. “Com certeza esse Brasileiro em João Pessoa e a conquista da vaga para o Sul-Americano ficaram marcados em mim, por ser um Brasileiro, pelo tamanho do evento foi incrível”, disse.
Os próximos passos da atleta são claros e envolvem dedicação total à preparação para o Sul-Americano: “Continuar forte nos treinos e foco total agora nesse Sul-Americano, por ser meu primeiro campeonato internacional. Treinar firme e focada sempre para trazer um resultado para nosso estado e, claro, representando o Brasil”.
Beatriz também deixou uma mensagem para outras meninas que desejam seguir no judô: “Eu diria para nunca deixarem que alguém diga que o judô não é para elas. O tatame não tem gênero — ele reconhece esforço, disciplina e coragem. No começo pode ser difícil, o corpo dói, a mente duvida, mas é justamente aí que o judoca nasce: na persistência. Cada queda ensina, cada vitória mostra o quanto você é capaz. Então, se esse é o sonho, agarre-o com garra, com respeito e com o coração firme. O judô é mais que um esporte — é um caminho de força e superação”.