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Bate-bola: Fernanda Lopes Kunzler

da redação - 3 de jul de 2007 às 11:20 1140 Views 0 Comentrios
Bate-bola: Fernanda Lopes Kunzler Fernanda aponta a falta de apoio como a maior dificuldade na modalidade.

A campo-grandense Fernanda Lopes Kunzler é presidente da ala feminina da Associação Atlética Moreninhas, clube de esportes com sede no bairro da Capital. A equipe de futebol feminino resiste diante da escassez de apoio e patrocínios, com a manutenção do time sendo feito pelas próprias atletas e famílias. Em entrevista ao Esporte Ágil, ela falou sobre as dificuldades encontradas pela modalidade no Estado, sobre as conquistas da equipe das Moreninhas e sobre atletas de destaque que começaram no time, como o caso de Juliana Cardoso, integrante da seleção brasileira de futsal.

Esporte Ágil - Como e quando você começou no futebol?
Fernanda Lopes Kunzler  -
Quando eu comecei, o time feminino já existia. O falecido treinador Anísio Campos fundou o time feminino das Moreninhas, tendo treinado algumas outras equipes da Capital também. Antes jogávamos apenas no campo, na época com material conseguido pelo professor Anísio em uma parceria com o Santos-SP. Quando o time começou, em 98, era fraco, fortes eram as equipes de Ribas do Rio Pardo, Operário, Comercial, na época Cidinha e Formiga ainda jogavam no estado.
Gostava de ver os meninos, mas não podia jogar. Esporte de menina era o vôlei. Eu via o futebol como um grande desafio. Queria jogar, quebrar essa regra. Um dia, vi algumas meninas jogando em um terrão e comecei a aprender. Depois que a gente começa, não quer mais parar, torna-se uma necessidade, um vício bom.

Esporte Ágil - Quais os principais títulos da equipe das Moreninhas?
Fernanda -
Fomos campeãs estaduais de futebol de campo em 2005 e tricampeãs da Copa Mercosul. Na Taça Canarinho de Futsal, sempre alcançamos colocação, mas ainda não fomos campeãs. O José Carlos, pai da Juliana Cardoso, mantém contato com as escolas e universidades para que as meninas ganhem bolsa de estudos, como na UCDB, Uniderp, Sealp, ABC e outros, então, muitas vezes, nossas atletas disputam os campeonatos, cada uma por sua escola, mas começaram lá nas Moreninhas.

Esporte Ágil - A falta de apoio é uma das dificuldades para o crescimento do futebol feminino?
Fernanda -
Nós resistimos todo este tempo e não entendemos o porquê não conseguirmos apoio. Somos disciplinadas, apresentamos resultado, mas continuamos com esta dificuldade. Houve tempo em que havia muitos times. Atualmente, são apenas uns quatro ou cinco times, sendo que sempre cedemos jogadoras nossas para completar as outras equipes. A falta de apoio sempre foi nosso problema. Nosso time tem aproximadamente 20 atletas regulares, mas caso contarmos aquelas que sempre conseguimos para compor os outros times, são 40 ou 50 meninas.

Esporte Ágil - A Copa Mercosul é uma oportunidade de mostrar o talento e garimpar uma oportunidade?
Fernanda -
A Copa Mercosul é uma oportunidade, por vir muita gente de fora e por ser um campeonato regular, realizado todos os anos. Quando começamos, sempre temos uma esperança, mas percorremos um caminho com muita vontade de se tornar jogadora, e nem sempre as portas se abrem. Mas olhamos pra trás e podemos ver que realizamos um bom trabalho, para estas meninas que hoje conseguem bolsas de estudos. O crescimento é lento, à passos de tartaruga. Tem horas que pensamos em desistir, porque é muito sacrifício e decepções, mas é um misto de sentimentos, no final, fazemos tudo isto por amor.


Esporte Ágil - A Associação Atlética Moreninhas tem atletas atuando fora do Estado?
Fernanda -
Nosso time tem duas meninas jogando em equipes de São Paulo, mas tem também a Juliana Cardoso (faz parte da seleção brasileira universitária), a Rosimary, que chegou à ser convidada para ir atuar nos EUA, jogou em times de SP e, atualmente, está na Uniderp. As equipes de SP, PR, ligam para o Zé Carlos e pedem atletas para completar seus times em torneios e sempre mandamos meninas para disputar estas importantes competições.

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