Da Redação
Natural de Avaré (SP), Evelyn Luiza Dorth Cardozo encontrou no basquete o caminho que definiria grande parte de sua trajetória. Anos depois, foi justamente a vivência dentro das quadras que a levou a descobrir uma segunda profissão: a fotografia esportiva. Hoje, conciliando as duas atividades, ela afirma que consegue transformar a experiência como atleta em registros que buscam retratar as emoções vividas durante uma partida.
"Eu vivo o esporte desde os meus 11 anos, e ele sempre fez parte da minha história. Hoje tenho a oportunidade de realizar um sonho, registrando momentos que antes eu vivia apenas como atleta. Isso me mostra, todos os dias, que dedicação e amor pelo que fazemos realmente são recompensados."
A história de Evelyn com o basquete começou ainda na infância. Aos 10 anos, sua escola implantou projetos de extensão que ofereciam diferentes modalidades esportivas. Ela chegou a praticar capoeira, judô e basquete ao mesmo tempo, mas foi a modalidade com a bola laranja que despertou seu interesse.
"Aos 10 anos, minha escola começou a desenvolver projetos de extensão, oferecendo basquete, capoeira e judô. Tive a oportunidade de praticar os três esportes, porém meus olhos brilharam para o basquete e, desde então, nunca mais parei."
O esporte passou a ocupar espaço central em sua rotina e também abriu portas em diferentes momentos da vida. Segundo ela, o basquete contribuiu para sua formação pessoal e profissional, além de proporcionar oportunidades que vão além das competições.
"O basquete sempre me proporcionou muitas coisas, incluindo trabalho, faculdade, amizades e a oportunidade de conhecer lugares. Acredito que meu maior objetivo é continuar tendo a oportunidade de seguir fazendo o que amo."
A paixão pela fotografia surgiu a partir do interesse pela área da comunicação. Evelyn, que está concluindo a graduação em Publicidade, conta que sempre gostou das diferentes formas de produção de conteúdo. Ao unir essa afinidade com a vivência no esporte, encontrou na fotografia esportiva uma nova forma de atuação.
"Eu sempre gostei de todas as áreas da publicidade e, inclusive, neste ano concluo minha graduação. Acho fascinante registrar momentos, e o lugar em que mais me expresso e vivo intensamente é dentro de quadra. Isso despertou meu interesse em registrar os sentimentos dos atletas."
Para ela, conciliar as duas atividades acontece de maneira natural justamente porque ambas fazem parte de sua rotina e representam suas principais paixões.
"Conciliar isso com a vida de atleta se torna simples, porque as duas coisas são minhas maiores paixões."
A experiência como jogadora também influencia diretamente a maneira como observa cada lance durante uma cobertura fotográfica. Segundo Evelyn, conhecer as emoções vividas pelos atletas facilita a identificação dos momentos que merecem ser registrados.
"Como atleta, eu conheço cada sentimento vivido dentro de quadra. Por isso, sempre busco registrar momentos em que o atleta demonstre exatamente isso. É algo muito importante para mim."
Atualmente, ela atua como fotógrafa esportiva no Paraguai, experiência que considera uma etapa importante em sua formação profissional. Logo no início da carreira, recebeu a oportunidade de trabalhar com um clube profissional, o que contribuiu para ampliar sua vivência na área.
"Tenho tido boas experiências por aqui. Tive a oportunidade de trabalhar com um clube profissional assim que entrei na área, mas ainda está sendo tudo muito novo para mim. Ainda estou aprendendo muita coisa."
Entre os trabalhos realizados, um dos que mais marcaram sua trajetória aconteceu durante o Campeonato Estadual Sub-18, disputado em Ponta Porã. Segundo ela, a decisão da categoria feminina ficou marcada pelo equilíbrio entre as equipes e pelas emoções vividas após o encerramento da partida.
"Recentemente tive a oportunidade de fotografar e filmar o Campeonato Estadual Sub-18, realizado em Ponta Porã. Todos os jogos foram muito emocionantes, mas a final feminina teve duas prorrogações. Ao final da partida, vi a equipe vice-campeã chorando e me lembrei de quantas vezes também chorei pelo mesmo motivo."
Essa identificação com os atletas é um dos aspectos que ela considera mais importantes em seu trabalho. Ao fotografar competições, procura registrar não apenas os lances técnicos, mas também as expressões que traduzem a intensidade do esporte.
Mesmo conciliando treinos, competições e trabalhos fotográficos, Evelyn afirma que nunca encarou essa rotina como um desafio difícil de administrar.
"Isso nunca foi um problema. Sempre mantive o basquete como principal objetivo da minha vida e, agora, a fotografia também faz parte disso. Não vejo nenhuma das duas atividades como algo pesado ou trabalhoso."
Apesar do crescimento da presença feminina tanto no esporte quanto na fotografia esportiva, ela acredita que ainda existem desafios relacionados ao reconhecimento profissional.
"O maior desafio é ter que provar o tempo todo que somos capazes. Tanto no esporte quanto na fotografia esportiva, esses ambientes ainda são, em muitos casos, dominados por homens. Muitas vezes, a mulher precisa demonstrar o dobro da competência para ser reconhecida."
Entre todas as imagens produzidas até hoje, uma possui significado especial. Trata-se de uma fotografia feita do marido durante seu retorno às quadras após um período afastado por lesão.
"A foto mais significativa que fiz foi do meu esposo, após ele voltar de uma lesão. Ele também é atleta e sempre o admirei. Agora, vê-lo através das lentes tornou esse momento ainda mais especial."
Para os próximos anos, Evelyn pretende continuar desenvolvendo as duas carreiras. Enquanto busca permanecer no basquete, também deseja ampliar sua atuação como fotógrafa esportiva e consolidar seu nome na área.
"Em relação à fotografia, meu objetivo é crescer, evoluir e ser conhecida como uma boa profissional."
Ao falar com jovens que desejam seguir carreira no esporte, na fotografia ou em ambas as áreas, ela destaca a importância da dedicação e da persistência.
"Se eu pudesse deixar uma mensagem, seria para nunca desistirem daquilo que faz o coração bater mais forte. Nenhum caminho é fácil, mas todo esforço vale a pena quando fazemos o que amamos. Acima de tudo, desejo que cada pessoa tenha a oportunidade de viver aquilo que ama, porque não existe sensação melhor do que trabalhar com algo que faz sentido para você."