Da Redação
“Ainda há poucos profissionais de enfermagem atuando na área esportiva.” A constatação de Pietro Oliveira do Amaral ajuda a dimensionar um campo que começa a ganhar espaço dentro do futebol, especialmente em clubes que estruturam seus departamentos de saúde de forma multidisciplinar.
Aos 31 anos, o enfermeiro e massoterapeuta integra o time do Pantanal Futebol Clube, onde atua diretamente no atendimento aos atletas durante treinos e jogos. A função exige rapidez, conhecimento técnico e capacidade de tomar decisões em poucos segundos, muitas vezes diante de situações de impacto físico.
A relação com o esporte começou ainda na infância. “Desde sempre fui apaixonado por esportes, especialmente pelo futebol. Durante minha juventude, sonhava em me tornar jogador ou atuar profissionalmente na área esportiva”, afirma. O incentivo familiar teve influência direta nesse caminho. “Tive grande incentivo do meu pai, que também foi jogador de futebol.”
Em 2013, Pietro iniciou a graduação em Fisioterapia com o objetivo de trabalhar no futebol. Durante esse período, teve a primeira experiência prática no ambiente esportivo. “Tive a oportunidade de estagiar no projeto de alto rendimento coordenado pelo meu primo, Everton do Amaral, atualmente empresário de jogadores, o que fortaleceu ainda mais minha conexão com o esporte.”
Apesar da proximidade com o futebol, a trajetória profissional tomou outro rumo durante a formação. Ao atuar na área hospitalar, surgiu a possibilidade de ingressar na Enfermagem. “Diante disso, acabei redirecionando minha carreira e me afastei temporariamente do sonho de trabalhar no futebol.” A formação foi concluída em 2024, quando passou a atuar no ambiente hospitalar.
O retorno ao esporte aconteceu no mesmo ano, a partir de um novo convite. “No final de 2024, recebi um convite do meu primo Everton para retornar ao meio esportivo.” A oportunidade levou Pietro ao Pantanal, onde foi apresentado ao treinador Glauber Caldas, então responsável pela equipe.
Em 2025, iniciou oficialmente sua trajetória no clube. Desde então, desempenha funções ligadas ao setor de saúde, com atuação direta no dia a dia dos atletas. “Minhas principais responsabilidades incluem suporte diário à equipe médica do clube, atendimento de primeiros socorros em treinos e jogos, realização de curativos, acompanhamento de atletas em consultas médicas, controle e orientação sobre hidratação durante treinos e apoio ao setor de fisioterapia no departamento médico.”
Dentro de campo, a atuação do enfermeiro é marcada pela urgência. O futebol, por ser um esporte de contato, apresenta riscos constantes de lesões. “O futebol é um esporte de alto contato físico, com incidência frequente de lesões como entorses, lesões ligamentares e musculares”, explica. Nesses momentos, a resposta precisa ser imediata. “É essencial uma resposta rápida e eficaz, onde o trabalho integrado entre enfermagem e fisioterapia se torna fundamental para o atendimento e recuperação dos atletas.”
A presença do profissional na beira do campo é estratégica para garantir os primeiros atendimentos ainda durante a partida. Cabe a ele avaliar rapidamente a gravidade da situação, realizar os procedimentos iniciais e, quando necessário, encaminhar o atleta para atendimento mais aprofundado.
Além do atendimento emergencial, a atuação também envolve prevenção e acompanhamento contínuo. O controle da hidratação, por exemplo, faz parte da rotina e impacta diretamente no desempenho e na saúde dos jogadores ao longo dos treinos e jogos.
Mesmo com a relevância da função, Pietro destaca que a enfermagem ainda ocupa um espaço reduzido dentro do esporte. “Ainda há poucos profissionais de enfermagem atuando na área esportiva, o que torna esse campo promissor e em expansão.” Segundo ele, a tendência é de crescimento, acompanhando a profissionalização dos clubes e a necessidade de equipes de saúde mais completas.
Para quem pretende seguir esse caminho, a qualificação é apontada como requisito fundamental. “Para atuar nesse segmento, é importante possuir qualificações específicas, como cursos de massoterapia e atendimento pré-hospitalar (APH), além de constante atualização profissional.”