Da Redação
Com apenas 23 anos, Rikelme Alves Ribeira já tem no currículo passagens por clubes importantes do futsal brasileiro e atua, atualmente, em uma das principais ligas do mundo. Natural de Campo Grande (MS), o jovem começou a trilhar sua trajetória fora de casa ainda na adolescência, e hoje defende o Jaén Paraíso Interior FS, da elite do futsal espanhol.
Nascido em 21 de fevereiro de 2002, Rikelme deu os primeiros toques na bola no colégio ABC, em Campo Grande, mas foi em Campinas (SP), no tradicional Pulo do Gato – hoje Pulo Futsal – que deu início a sua formação profissional.
“Minha história começou no Pulo do Gato, agora Pulo Futsal, em Campinas, aos 15 anos, onde aprendi muito. Antes disso, sempre estive jogando em Campo Grande, no colégio ABC, e foi onde vi que amava o futsal e queria viver disso”, relembra.
A decisão de sair de casa tão cedo impôs desafios naturais para um adolescente, mas também acelerou o amadurecimento. “Sair de casa tão jovem me fez amadurecer, aprender e errar. Cada aprendizado foi me moldando, e assim fui vendo o que era melhor e o que podia ou não fazer. Me deu personalidade e o poder de acreditar em mim”, resume o jogador.
No Brasil, Rikelme passou por clubes tradicionais, como Corinthians, Juventude AG e ABC. A oportunidade de jogar fora do país surgiu em meio à pandemia, quando assinou com o CD Burela FS, na Espanha. A adaptação, segundo ele, não foi simples, mas foi encarada com naturalidade.
“Minha chegada foi um pouco diferente por conta da Covid. Assim que cheguei, tive que ficar em quarentena. Mas depois disso fui conhecendo as pessoas e a cultura. Aprender uma nova língua e como as pessoas são sempre é difícil e desafiador. Porém, sempre tive a vontade de aprender e escutar as pessoas. Assim, nunca me amedrontei”, conta. “Pouco a pouco fui pegando a língua e aprendendo os hábitos de uma nova cultura.”
Atualmente no Jaén Paraíso Interior FS, clube com tradição e títulos no futsal espanhol, Rikelme vê o novo desafio como mais um passo importante para consolidar sua carreira internacional. “Foi um passo dado ao meu caminho que quero trilhar, estar em grandes clubes e poder disputar títulos. Quero competir e estar nas melhores ligas e times para poder demonstrar que sou capaz. Vir para o Jaén é isso: estar com os melhores e realmente olhar com outros olhos para cima.”
Sobre as diferenças entre o futsal jogado no Brasil e o da Europa, ele aponta principalmente o aspecto físico. “Fisicamente e taticamente acho mais intensa a liga espanhola. Em questão de qualidade, vejo as duas no mesmo parâmetro.”
Um dos momentos mais marcantes da sua trajetória até aqui foi o acesso do CD Burela à primeira divisão. “Subir com o Burela à primeira divisão foi incrível e satisfatório”, diz. Rikelme também destaca um jogo contra o Barcelona na última temporada como especial.
Ao longo da carreira, ele foi moldado por referências diversas, mas sempre com os pés no chão. “Me criei muitas vezes vendo as pessoas ao meu redor. A educação que meus pais me deram sobressaía a tudo. Aprendi e errei, mas sempre soube onde poderia chegar. Só precisava ter paciência e escutar”, afirma. “Aprender acho que é uma das melhores coisas, e sair de casa ajuda nisso.”
Com base sólida e mentalidade focada, o jovem também fala sobre a pressão que acompanha quem opta por viver do esporte profissional. “A pressão sempre esteve comigo, e você aprende a lidar. Só não pode ter medo. O medo te paralisa. A pressão, não. É um bom sentimento de adrenalina.”
Apesar da juventude, ele já vislumbra voos maiores e alimenta o sonho de vestir a camisa da Seleção Brasileira. “O sonho existe e acho que o trabalho e a persistência podem me levar lá. Não gero expectativa, porém penso sempre.”
Para o futuro, o foco é seguir crescendo e aproveitando as oportunidades no cenário europeu. “Meus objetivos estão ligados ao meu clube. Quero mais sempre e poder estar feliz jogando e vivendo. O futuro só Deus dirá, mas quero trabalhar no presente para que seja o futuro que eu quero. Ainda não penso em voltar para o Brasil. Quero fazer meu nome aqui e voltar para estar com minha família e poder ser vitorioso no Brasil também.”