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“Antes eu treinava para viver, hoje vivo para treinar”, diz mesatenista de MS

da redação - 8 de mai de 2026 às 15:05 204 Views 0 Comentários
“Antes eu treinava para viver, hoje vivo para treinar”, diz mesatenista de MS Da Redação

“Antes eu treinava para viver, hoje vivo para treinar”. A frase resume a relação do atleta sul-mato-grossense Mateus de Ferraz Ramos com o tênis de mesa. Aos 18 anos, o jovem acumula títulos estaduais, resultados em competições nacionais e internacionais e uma rotina dividida entre treinos, preparação física e estudos.

 

Nascido em 7 de setembro de 2007, Mateus conta que o primeiro contato com o esporte aconteceu ainda na infância, de maneira despretensiosa, durante um churrasco na ACP. Segundo ele, foi o pai, Adriano Ramos, quem apresentou a modalidade.

 

“Meu pai me apresentou o tênis de mesa quando eu tinha uns 7 anos. Fomos em um churrasco na ACP e tinha uma mesa. Gostei muito do esporte e, quando mudei de escola no ano seguinte, tinha uma mesa que passávamos o intervalo todo jogando”, relembra.

 

O interesse pelo tênis de mesa aumentou alguns anos depois, quando a família procurava uma escolinha de futsal. Durante a visita ao clube, Mateus viu um treinamento da modalidade acontecendo ao lado da quadra e decidiu qual caminho queria seguir.

 

“Com 11 anos, fomos em um clube de esportes para ver a escolinha de futsal, que na época era meu esporte principal. Fomos conhecer o clube e, ao lado, tinha o treinamento de tênis de mesa. Quando meu pai me perguntou qual esporte eu queria, eu já tinha decidido o tênis de mesa”, conta.

 

O início nos treinamentos trouxe dificuldades, principalmente pela diferença física e técnica em relação aos adversários mais experientes. Mateus afirma que precisou adaptar o próprio estilo de jogo para conseguir evoluir.

 

“Meu principal desafio no início foi, com certeza, a velocidade do jogo. Eu treinava com pessoas mais velhas e com mais força. Minha solução, por mais inusitada que pareça, foi me tornar um jogador mais defensivo. Não tinha por que eu querer atacar com a maior força sendo que podia aproveitar a força do adversário para deslocá-lo”, explica.

 

Entre os resultados conquistados, uma das vitórias mais marcantes aconteceu na terceira etapa do Campeonato Estadual de 2024. Segundo o atleta, a competição teve um significado especial por ter superado um adversário que dominava o cenário estadual havia anos.

 

“Uma conquista que marcou minha trajetória foi a 3ª etapa do Estadual de 2024, em cima do top 1 do Estado, que já estava há três anos sem perder nenhuma etapa do circuito estadual”, afirma.

 

Além desse resultado, Mateus também conquistou primeiros lugares em outras etapas estaduais, o vice-campeonato da Copa Brasil de Toledo, em 2024, e a segunda colocação no Campeonato Internacional e Interestadual Nipo, em 2022, na categoria sub-15.

 

Para manter o rendimento nas competições, o atleta segue uma rotina dividida entre treinos técnicos e preparação física. O maior desafio, segundo ele, é conciliar o esporte com os estudos e lidar com o desgaste constante.

 

“Atualmente minha rotina de treinos é intercalada: um dia de treino e um dia de preparação física. A parte que mais exige disciplina é conciliar isso tudo com as aulas, já que não se pode deixar em segundo plano”, relata.

 

Ele também afirma que os períodos de descanso acabam reduzidos por causa da frequência das atividades.

 

“O fato de treinar em dias alternados diminui muito o tempo de descanso. Na maioria das vezes tenho que treinar cansado mesmo, o que aproxima da realidade dos campeonatos, em que não há intervalos”, diz.

 

Além da preparação física e técnica, Mateus considera o controle emocional um dos fatores mais importantes no tênis de mesa. Segundo ele, qualquer desatenção pode comprometer o desempenho durante uma partida.

 

“O controle mental é essencial para ter um bom desempenho. Não adianta ter um corpo bem-disposto se a parte mental falha. Qualquer erro compromete não só um ponto, mas um jogo inteiro”, afirma.

 

Para aliviar a pressão durante os campeonatos, o atleta procura manter contato com os companheiros de equipe nos intervalos entre as partidas.

 

“Entre os jogos, opto por interagir bastante com parceiros de equipe para distrair um pouco e aliviar a pressão. Durante os jogos é necessário manter o foco em cada ponto e ‘esquecer’ o placar, para que a pontuação não interfira no meu desempenho”, explica.

 

Mateus também destaca a importância da família e dos treinadores no processo de formação esportiva. Ele cita os pais, Luzmena Ferraz e Adriano Ramos, além dos técnicos Ricardo Rieff, Mário Márcio Soken e Lívia Lima.

 

“As pessoas que mais considero para minha evolução como atleta, além dos meus pais, foram três treinadores meus: Ricardo Rieff, meu primeiro treinador; Mário Márcio Soken, que me fez ter a minha maior evolução no esporte; e Lívia Lima, que é minha treinadora há oito anos, desde o meu início no tênis de mesa”, afirma.

 

Sobre o cenário estadual, Mateus avalia que o tênis de mesa cresceu nos últimos anos, principalmente após a popularização da modalidade no Brasil com os resultados de Hugo Calderano.

 

“O crescimento do tênis de mesa no MS foi muito grande. O Hugo Calderano, depois da vitória no Mundial no Catar, tornou o esporte mais conhecido no Brasil todo. Aqui no Estado muitos atletas começaram por conta dele”, comenta.

 

Apesar disso, ele acredita que ainda faltam investimentos e apoio para os atletas sul-mato-grossenses.

 

“O esporte é caro e não são todos que conseguem arcar com despesas de hotel, alimentação, inscrição, transporte e material para um torneio. Na maioria das vezes perdemos atletas por conta disso. Outros estados oferecem condições melhores e um atleta que seria referência aqui acaba se tornando atleta de outro estado”, pontua.

 

Fora das competições, Mateus afirma que o esporte também contribuiu para mudanças na saúde. Na infância, ele enfrentava problemas respiratórios frequentes e precisou passar diversas vezes por atendimento hospitalar.

 

“Tive muitos problemas respiratórios, como bronquite e asma. Ia parar no hospital pelo menos uma vez a cada dois meses em crise. Com o tênis de mesa isso foi melhorando e hoje consigo ter uma vida muito mais ativa”, relata.

 

Para o futuro, o atleta projeta novos objetivos dentro da modalidade. Entre eles, conquistar o título de campeão eficiência de Mato Grosso do Sul e buscar espaço em competições nacionais.

 

“Ainda tenho sonhos como atleta. Penso em ser campeão eficiência do MS e, quem sabe, campeão brasileiro”, afirma.

 

Mateus também pretende seguir ligado ao esporte após a carreira competitiva.

 

“Gostaria de ir para a parte de treinamento no tênis de mesa para continuar no esporte e acompanhar a evolução de futuros atletas”, finaliza.

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