Da Redação
A trajetória de Aléxia Vitória Vilhalba Souza Nascimento, nascida em 2 de setembro de 2002, segue marcada por resultados expressivos e por uma construção contínua dentro do alto rendimento. O ouro conquistado nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, em 2023, tornou-se um ponto determinante na carreira da judoca. Segundo ela, aquele resultado representou um divisor de águas. “O ouro em Santiago mudou a minha trajetória. Foi o resultado que consolidou tudo o que eu vinha construindo e mostrou que eu realmente podia me colocar entre as melhores das Américas”, afirmou.
O impacto também atingiu sua vida pessoal. Para Aléxia, a medalha simbolizou um processo de amadurecimento. “Na vida pessoal, foi uma virada de chave. Entendi que todas as renúncias, sacrifícios e dificuldades tinham valido a pena. Senti que ali eu estava honrando minha história e a de todos que caminham comigo.”
Sua ascensão, porém, não começou em Santiago. Dois anos antes, em 2021, ela conquistou o título dos Jogos Pan-Americanos Júnior, em Cali, na Colômbia. Aquela competição, segundo ela, foi um marco formativo. “Foi o primeiro grande sinal de que eu estava no caminho certo. Em Cali, eu ainda era jovem, mas percebi que tinha capacidade de competir em alto nível internacional”, disse. A experiência também a ajudou a lidar com pressão e responsabilidade. “Aprendi a lidar melhor com pressão, com expectativas e com a responsabilidade de representar o Brasil.”
Em 2022, Aléxia viveu um período de regularidade competitiva. Foi campeã brasileira e, logo depois, vice-campeã na Copa Europeia Sub-21, em Graz, na Áustria. Ela destaca que o mais significativo naquele período foi perceber a constância dos resultados. “O Brasileiro mostrou minha força dentro do país, e a Copa Europeia mostrou que eu podia repetir boas performances fora, contra atletas com estilos totalmente diferentes.” No torneio europeu, o aprendizado superou o resultado em si. “Aquela prata teve um sabor de evolução real. Foi ali que percebi que podia competir de igual para igual com qualquer atleta da minha categoria.”
A construção do ciclo até o Pan adulto, porém, envolveu dificuldades. A atleta cita questões físicas e mentais, ajustes de rotina e momentos de instabilidade. “Foram muitos desafios: lesões, dúvidas mentais, trocas de rotina, adaptação a treinamentos mais intensos e pressão de resultados.” Entre os obstáculos, ela aponta um ponto central: “O mais difícil foi manter a disciplina quando nada parecia estar dando certo.” Para ela, esse período exigiu reinvenção. “Houve momentos em que precisei me ajustar, recuperar confiança e entender que evolução não é linear.”
O desempenho internacional também trouxe outro efeito: a percepção do impacto que causava no seu estado de origem. “Quando comecei a conquistar resultados internacionais e perceber o impacto que isso tinha nas pessoas do meu estado, entendi que eu não representava só a mim mesma”, contou. Ela afirma que mensagens de jovens e comentários de treinadores fizeram com que entendesse seu papel dentro do judô sul-mato-grossense.
A rotina de treinos, já intensa, se tornou ainda mais estruturada após o ouro em Santiago. “Hoje minha rotina é ainda mais estruturada: treinos físicos, táticos, técnicos e recuperação. O volume aumentou, mas principalmente a qualidade.” Para Aléxia, o novo momento exige mais organização e consciência dos detalhes. “Depois do ouro, vieram mais responsabilidades. Passei a treinar com outro nível de consciência, entendendo que cada detalhe pode mudar o rumo de uma competição.”
A atleta destaca também o papel essencial da equipe técnica e da família. “Minha equipe técnica é quem me guia, ajusta meus erros, potencializa meus pontos fortes e mantém meu corpo e minha mente preparados.” Sobre a família, ela afirma que é sua base. “São eles que seguram minhas quedas e celebram minhas vitórias com sinceridade.”
No aspecto técnico, Aléxia afirma ter evoluído em pontos específicos. “Evoluí principalmente em postura, pegada e leitura de luta. Aprendi a controlar melhor o ritmo, a usar a estratégia a meu favor e a adaptar meu jogo conforme o estilo da adversária.” A transição para o solo, segundo ela, também melhorou. “Melhorei muito na transição para o chão, algo que antes não era meu ponto mais forte.”
Com um ciclo consolidado, a atleta projeta os próximos passos. “Meu foco agora é subir ainda mais no ranking internacional e me consolidar entre as melhores do mundo.” O Mundial e a Olimpíada estão no horizonte, mas ela reforça a importância do caminho. “Estou construindo passo a passo, sem pular etapas, mas com ambição de chegar ao topo.”
Ao falar com jovens atletas de Mato Grosso do Sul, Aléxia reforça a importância do comprometimento diário. “Acreditem no processo. O caminho não é fácil, mas a disciplina, a humildade e o amor pelo judô levam longe.” Ela destaca ainda a relevância dos treinadores e da dedicação constante. “Valorizem seus treinadores, se dediquem todos os dias e não deixem que as dificuldades definam quem vocês são.” Para os que se inspiram nela, deixa uma mensagem direta: “Se eu consegui, vocês também podem.”