Da Redação
“Minha meta na corrida é nunca parar, correr até o fim da vida. Os pódios são apenas consequência do meu amor pelo percurso.” A frase resume a trajetória de Alcione Garcia, mais conhecida como Alcione Bombom, praticante de corridas de rua e trail run em Mato Grosso do Sul. Aos 41 anos, ela transformou a relação com o esporte depois de um início motivado por recomendações médicas e incentivo de uma amiga.
Natural de Corumbá, nascida em 18 de março de 1984, Alcione é casada há 16 anos com Francisco e mãe de Richard e Rickelmy. Enfermeira de formação, atualmente está em processo de especialização em Saúde e Estética. Além dos estudos, dedica-se ao lar e ao cuidado do filho mais novo, de 11 anos, acompanhando de perto sua rotina escolar e atividades extracurriculares.
A relação com o esporte, no entanto, nem sempre esteve presente. “Eu sempre fui sedentária, mas estava numa fase ruim com a minha saúde. Corria um grande risco de ter uma trombose nas pernas. Vivia com as pernas roxas e inchadas o tempo todo. O meu médico disse que eu precisava ao menos fazer uma caminhada ou andar de bicicleta, que essa situação iria melhorar”, conta.
Foi a partir de uma conversa com a amiga Eliane Prado que a vida de Alcione começou a mudar. Em 2019, aos 35 anos, ela aceitou o convite para conhecer a academia NG Training e fez uma aula experimental de funcional. “Gostei tanto que, no dia seguinte, já voltei, fiz a matrícula e comecei a treinar.” Na época, ela pesava 90 kg, mas cada treino passou a representar uma vitória pessoal.
O primeiro contato com a corrida aconteceu em 2020, durante um desafio proposto pela professora Suzani em comemoração aos cinco anos da academia. A prova era simples: dar uma volta na quadra, um percurso de 1.200 metros. “Resolvi encarar e, para minha surpresa, conquistei o 2º lugar. Foi nesse dia que descobri uma nova paixão: a corrida.”
A partir dali, Alcione iniciou os treinos com a assessoria de corrida da NG. Aos poucos, foi evoluindo sob a orientação do professor e decidiu se inscrever em sua primeira prova de 5 km. “A sensação foi indescritível, um verdadeiro momento de superação pessoal. Desde então, nunca mais parei.”
Primeiro, as corridas de rua passaram a ocupar seu calendário de treinos e competições. Depois, há cerca de três anos, o trail run entrou de vez na rotina. “Já vivi experiências incríveis, conquistei alguns amigos e sigo firme nessa jornada que transformou não só o meu corpo, mas também a minha mente e a minha vida. Hoje corro porque me faz feliz, porque me conecta comigo mesma e porque me lembra, todos os dias, do quanto sou capaz.”
O caminho, no entanto, não foi apenas de conquistas. Alcione enfrentou duas lesões graves ao longo do período. A primeira, na panturrilha, a deixou cinco meses sem correr. “Foi apenas fisioterapia e musculação para fortalecer.” A segunda foi um estiramento na virilha, também com recuperação longa. “Foram momentos difíceis, em que a tristeza bateu forte e pensei várias vezes em desistir. Mas, graças a Deus e ao apoio dos meus amigos do grupo e do meu esposo, não deixei a chama apagar.”
A corrida acabou, inclusive, se tornando uma atividade compartilhada com a família. Há três anos, Alcione conseguiu convencer Francisco a participar desse universo. “No começo ele resistia, dava desculpas, falava de trabalho e preguiça. Mas eu nunca desisti. Um dia o inscrevi na Corrida do Pantanal e, desde então, estamos há três anos juntos nos treinos, com alguns pódios conquistados e uma paixão que só cresce pelo esporte. A corrida nos uniu mais.”
Os treinos variam conforme o tipo de prova que está no horizonte. “Quando é trail run, geralmente subimos o Morro do Ernesto para treinar em condições reais de terreno. Já quando a prova é de asfalto, direcionamos os treinos para ruas e avenidas, simulando o percurso.”
Entre tantas participações, uma prova em especial marcou a trajetória da corredora. “A mais desafiadora foi a última de trail run em Rio Verde: 21 km de percurso arenoso, muitas subidas e calor. Cada quilômetro foi uma superação, e eu realmente não esperava o resultado que veio: 1º lugar na categoria e 6º no geral.” Para ela, o resultado significou mais do que um troféu. “Essa prova me mostrou o quanto a dedicação aos treinos e a força mental fazem diferença. Foi uma experiência que vou levar para sempre como motivação para os próximos desafios.”
O crescimento do cenário das corridas em Mato Grosso do Sul também faz parte do dia a dia de Alcione. Ela tem acompanhado de perto as provas locais e destaca o circuito do Sesc Trail, com etapas em cidades como Aquidauana, Bodoquena, Rio Verde do Pantanal e Bonito. “O evento oferece distâncias variadas e desafiadoras, perfeitas para quem quer testar limites, se conectar com a natureza e sentir a energia da corrida.”
A experiência acumulada também trouxe aprendizados que ela compartilha com iniciantes. “Antes de começar a correr, procure um profissional para orientação. Não tente correr rápido logo de cara. Ouça seu corpo, respeite seu ritmo, não se compare com os outros e celebre cada conquista.”
Alcione resume a corrida como uma escolha de vida, que se tornou parte de sua identidade. “Corro porque me faz feliz, porque me conecta comigo mesma e porque me lembra, todos os dias, do quanto sou capaz.”