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“A recompensa sempre vai ser maior que as dificuldades”, afirma faixa-preta Lucas Garone

da Redação - 31 de ago de 2026 às 16:19 105 Views 0 Comentrios
“A recompensa sempre vai ser maior que as dificuldades”, afirma faixa-preta Lucas Garone Da Redação

Aos 19 anos, Lucas Garone Lima vive uma nova etapa dentro do judô. Nascido em 1º de março de 2007, em Campo Grande, o atleta começou na modalidade aos sete anos, no Sesc Camillo Boni, inicialmente por influência de um amigo e também por uma questão relacionada à saúde. Com o passar do tempo, o que começou como uma atividade ligada à necessidade de cuidar da saúde se transformou em uma trajetória dentro do esporte.

 

“Minha trajetória no judô começou aos 7 anos, no Sesc Camillo Boni, com influência de um amigo e por necessidade, pois estava com alguns problemas de saúde. Mas, com pouco tempo, fui me apaixonando pelo esporte”, conta.

 

Anos depois, Lucas alcançou a faixa-preta, uma conquista que, segundo ele, representa não apenas a graduação dentro do judô, mas também as dificuldades enfrentadas durante o processo de formação.

 

Para conquistar a faixa-preta, o judoca precisou passar por um exame admissional para ingressar no curso de graus, além de cumprir as demais etapas da formação. Uma semana antes da primeira prova, porém, sofreu uma lesão e precisou adiar o exame para o segundo semestre do ano passado.

 

“Para conquistar a faixa-preta no judô, temos que passar por um exame admissional para poder entrar no curso de graus. Eu me lesionei uma semana antes dessa prova. Fiquei muito abalado, mas consegui adiar a prova para o segundo semestre do ano passado”, relata.

 

Depois de ser aprovado, Lucas concluiu o curso de graus e os estágios exigidos durante o ano. Quando estava novamente próximo de uma etapa decisiva, entretanto, sofreu outra lesão.

 

“Concluí o curso de graus e os estágios que temos que fazer durante o ano e, uma semana antes do exame final, em novembro, eu me lesionei novamente. Sofri outra luxação no ombro”, explica.

 

Mesmo diante da lesão, o judoca decidiu realizar a prova. Além de lidar com a recuperação física, precisou enfrentar a pressão psicológica provocada pelo momento.

 

“Tive que lidar com a dor e com a minha própria pressão psicológica e fiz a prova. Fui aprovado graças ao incentivo da minha sensei e dos meus colegas de treino”, afirma.

 

A graduação também teve um significado específico dentro da academia onde Lucas treina. Segundo ele, foi o primeiro atleta do local a chegar à faixa-preta tendo iniciado sua formação desde a faixa branca na própria academia.

 

“Sou o primeiro faixa-preta formado desde a faixa branca na minha academia”, destaca.

 

Da competição para a arbitragem

 

Durante o curso de graus, Lucas também teve contato com a arbitragem. Como parte da formação, os alunos precisam realizar estágios supervisionados e passar pela área de arbitragem.

 

O processo de transição de atleta para árbitro acabou sendo acelerado pelas circunstâncias. Depois de sofrer uma lesão, Lucas se afastou das competições para concentrar seus esforços na preparação para o exame de faixa-preta.

 

“A minha transição de atleta para árbitro foi rápida devido ao curso de graus, e eu gostei particularmente, pois me encontrei em uma área que nunca imaginei chegar e pude também atuar de uma outra maneira nas competições depois da minha lesão”, afirma.

 

A primeira oportunidade para atuar como árbitro veio durante esse período. Apesar de ter pedido para ser convocado, Lucas conta que sentiu nervosismo antes da estreia.

 

“Quando fui convocado para atuar na arbitragem pela primeira vez, fiquei um pouco nervoso, apesar de eu ter pedido para ser convocado. Mas me saí bem, fui elogiado pelos árbitros durante a competição e gostei de arbitrar também”, relata.

 

Depois da primeira experiência, passou a receber novas convocações. O desempenho nas competições também chamou a atenção dos profissionais responsáveis pela arbitragem no Estado.

 

“Continuei sendo convocado e elogiado pelos árbitros e, em uma competição, o diretor de arbitragem do Estado me chamou para conversar e perguntou se eu iria querer seguir na arbitragem após eu pegar a faixa-preta. Respondi que sim”, conta.

 

A partir daí, Lucas foi incluído no grupo de árbitros do Estado e passou a construir uma trajetória paralela à carreira de atleta.

 

Conhecimento das regras e treinamento

 

Para Lucas, a arbitragem exige mais do que o conhecimento básico das regras. O árbitro precisa acompanhar as mudanças que ocorrem na modalidade e manter contato constante com o judô.

 

“O árbitro precisa ter o domínio e o conhecimento das regras e das atualizações constantes que ocorrem durante o ano. Além disso, é essencial o árbitro se manter ativo, treinando judô, para que consiga interpretar, pontuar e conduzir a luta da melhor forma”, explica.

 

Em Mato Grosso do Sul, ele avalia que os profissionais responsáveis pela arbitragem têm contribuído para a preparação dos árbitros.

 

“Atuar como árbitro aqui no Estado é bem tranquilo. Nossos diretores de arbitragem são muito bons e passam da melhor maneira as atualizações para nós, sempre visando nos manter atualizados e dando apoio e incentivo para evoluirmos na arbitragem”, afirma.

 

Experiências em competições nacionais

 

As experiências de Lucas como árbitro ganharam novos capítulos em 2026. Em abril, ele participou do exame para árbitro nacional C, realizado em Campo Verde, em Mato Grosso, durante o Campeonato Brasileiro Região IV.

 

“Minha primeira experiência marcante foi em abril, quando fui realizar meu exame para árbitro nacional C, em Campo Verde, MT, no Brasileiro Região IV. Realizamos uma prova teórica e prática durante a competição. Fui aprovado e fui destaque da competição, sendo uma conquista muito importante para mim”, relata.

 

Meses depois, no início de agosto, Lucas recebeu outra convocação que considera importante para sua trajetória. Pela primeira vez, foi chamado pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) para atuar em uma competição nacional.

 

“A segunda foi no começo de agosto, quando fui convocado pela primeira vez pela CBJ (Confederação Brasileira de Judô) para atuar como árbitro convocado no Campeonato Brasileiro Sub-13, em Macapá/AP”, conta.

 

Para ele, a convocação representa o início de uma nova etapa dentro da arbitragem.

 

“É uma conquista muito importante também para mim, pois é o marco inicial para mim na arbitragem”, afirma.

 

Judô de Mato Grosso do Sul

 

Além da própria trajetória, Lucas também acompanha o desenvolvimento do judô em Mato Grosso do Sul. Para ele, o Estado tem atletas e árbitros que vêm participando de competições de diferentes níveis.

 

“O judô sul-mato-grossense é referência nacional. Nossos atletas sempre estão se destacando em competições nacionais e internacionais, trazendo grande relevância para o Estado, e nossos árbitros também, sempre sendo convocados para as competições e atuando da melhor forma e sempre representando nosso Estado da melhor maneira”, avalia.

 

Apesar dos resultados, Lucas aponta a falta de incentivo como uma das principais dificuldades para quem pratica o esporte no Estado, especialmente quando é necessário participar de competições realizadas fora de Mato Grosso do Sul.

 

“Acredito que a maior dificuldade que enfrentamos é a falta de incentivo. Na maioria das vezes, precisamos dar o nosso jeito para poder ir para os campeonatos fora. Não é sempre que a federação consegue algum auxílio, sendo assim a principal barreira que os atletas têm”, afirma.

 

Princípios levados para a vida

 

A relação de Lucas com o judô também está ligada aos princípios aprendidos durante os anos de treinamento. Segundo ele, os ensinamentos da modalidade ultrapassam o ambiente das competições.

 

“Eu carrego sempre comigo os princípios do judô. Se não fosse esse esporte, eu não estaria onde estou, e vou ser eternamente grato a todas as amizades que fiz e a tudo que conquistei com o esporte”, afirma.

 

Lucas também cita um ensinamento recebido de sua sensei sobre a relação entre os praticantes da modalidade.

 

“Como minha sensei sempre fala, esse é o esporte individual mais coletivo que existe, pois precisamos dos nossos colegas para treinarmos e evoluirmos juntos”, conta.

 

Para ele, os aprendizados adquiridos ao longo da trajetória continuarão presentes fora dos tatames.

 

“Vou continuar levando todos esses ensinamentos e princípios para a minha vida”, afirma.

 

Conselho para quem busca a faixa-preta

 

A experiência enfrentada durante o processo de graduação também influencia a maneira como Lucas aconselha quem está começando no judô. Para ele, as dificuldades fazem parte do caminho e não devem ser motivo para abandonar o objetivo.

 

“Para quem sonha com a faixa-preta, eu sempre digo para continuar e não desistir quando aparecer alguma dificuldade, pois a recompensa sempre vai ser maior que as dificuldades”, afirma.

 

O judoca também destaca as oportunidades que podem surgir por meio da modalidade.

 

“Além de tudo, o judô abre diversas portas e devemos sempre aproveitar cada oportunidade”, completa.

 

Próximos objetivos

 

Depois de conquistar a faixa-preta e começar a atuar como árbitro em competições estaduais e nacionais, Lucas pretende continuar avançando nas duas áreas. Entre os objetivos está a conclusão da graduação e, futuramente, o trabalho como professor de judô.

 

“Os meus próximos objetivos são terminar minha graduação, dar aula de judô em um futuro próximo e continuar arbitrando, fazendo os exames para que, no futuro, eu possa me tornar árbitro internacional de judô”, afirma.

 

A trajetória, iniciada aos sete anos no Sesc Camillo Boni, passa agora por uma nova fase. Além de continuar ligado aos treinos e às competições, Lucas busca ampliar sua atuação na arbitragem e avançar nos exames necessários para alcançar novos níveis dentro da função.

 

“Quero continuar arbitrando e fazendo os exames para que, no futuro, eu possa me tornar árbitro internacional de judô, aproveitando cada momento desse processo”, conclui.

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