Da Redação
“A posição de goleiro de futsal é pressão do começo ao fim. Um erro pode custar toda uma boa campanha.” A frase resume a maneira como o atleta sul-mato-grossense Dioph Vitor de Oliveira Klip enxerga o esporte que pratica desde a infância. Natural de Coxim, no norte de Mato Grosso do Sul, o goleiro de futsal construiu sua relação com as quadras ainda criança, influenciado pela família e pelas experiências vividas nos jogos escolares.
Hoje conciliando a rotina universitária com o esporte, Dioph mantém o futsal presente no cotidiano enquanto cursa Agronomia na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Mesmo tratando a modalidade como hobby atualmente, ele afirma que continua levando o esporte a sério devido ao impacto que teve em sua formação pessoal.
A ligação com o futsal começou cedo, durante as aulas de Educação Física. Segundo ele, foi nesse ambiente que surgiu a identificação com a posição de goleiro.
“Minha relação com o futsal iniciou quando eu era criança. Sempre gostei de diversos esportes e praticava qualquer atividade proposta pelo professor de Educação Física. Em uma dessas aulas, me destaquei jogando como goleiro e, desde então, nunca mais troquei de posição”, contou.
Além da escola, a influência familiar teve papel importante na trajetória esportiva. O atleta lembra que o irmão mais velho o incentivava a participar das partidas com jogadores mais velhos, experiência que considera importante para o desenvolvimento dentro das quadras.
“Meu irmão mais velho, Sérgio Fagundes, sempre me incentivou e me levava para jogar com os amigos dele e, apesar de ser bem mais novo que eles, nunca tive medo de dar o meu melhor em quadra”, disse.
Dioph também destaca que o esporte sempre esteve presente na família, seja no futebol, judô, ciclismo ou outras modalidades. Segundo ele, esse ambiente contribuiu para que o contato com a prática esportiva acontecesse de forma natural.
Ao falar sobre os primeiros desafios no futsal, o goleiro relembra a pressão enfrentada ainda na infância. Para ele, lidar emocionalmente com os erros foi um processo de amadurecimento construído ao longo do tempo.
“Creio que um dos maiores desafios na vida de um goleiro é o pensamento: ‘Eu não posso errar, senão vão me chamar de frangueiro e vou prejudicar meu time’. Hoje em dia, para mim, é normal lidar com a pressão, mas quando criança eu não sabia fazer isso”, afirmou.
Segundo o atleta, a cobrança pessoal continua existindo, mas hoje é encarada de maneira diferente. Ele afirma que transformou o nervosismo em concentração durante as partidas.
“Com o tempo, a gente amadurece e redireciona esses pensamentos para a vontade de jogar melhor e de ficar completamente focado no jogo”, completou.
Mesmo jovem, Dioph afirma já ter participado de competições em diferentes regiões do Estado. Curiosamente, a lembrança mais marcante da trajetória não veio de uma conquista, mas de uma derrota.
“O campeonato que mais me marcou não foi uma lembrança de vitória, mas sim de derrota. Naquele dia, eu deixei o nervosismo falar mais alto que o meu potencial, e foi a última vez que isso aconteceu”, relembrou.
Ele afirma que a experiência serviu como aprendizado para a sequência da carreira e para a maneira como passou a encarar os jogos decisivos.
“Independentemente do resultado, saio de cabeça erguida e com o pensamento de que fiz o meu melhor naquele dia, naquele jogo. E essa mentalidade também levo para a vida”, declarou.
Atualmente, Dioph divide a rotina entre os estudos universitários, projetos de pesquisa e as atividades esportivas. Desde 2022, ele participa de pesquisas na área de irrigação dentro da universidade e afirma que pretende seguir carreira na Agronomia.
“Sou estudante de Agronomia pela UEMS e realizo projetos de pesquisa na área de irrigação desde 2022. Atualmente, meus planos pessoais são me formar, me tornar engenheiro agrônomo e atuar na área”, disse.
Mesmo com a mudança de rotina após o ingresso na universidade, ele segue praticando atividades físicas e participando de partidas sempre que possível.
“Hoje em dia, o futsal é um hobby para mim, mas aquele hobby que levo a sério devido a tudo o que ele me proporciona”, afirmou.
Além da prática esportiva, o atleta destaca o papel do futsal no processo de adaptação à vida universitária. Segundo ele, o esporte ajudou na construção de amizades e na integração com outras pessoas.
“Quando saí da minha cidade para morar em outra, o futsal me permitiu fazer boas amizades, ajudando na minha integração à universidade”, comentou.
Entre as referências esportivas, Dioph cita dois nomes conhecidos do esporte mundial: o goleiro alemão Manuel Neuer e o atacante português Cristiano Ronaldo. O sul-mato-grossense afirma se identificar com o estilo de jogo de Neuer e também admira a trajetória de Cristiano fora dos gramados.
“Para mim, o Manuel Neuer é o melhor goleiro que tive a oportunidade de ver jogar. Outro atleta de quem sou fã é o Cristiano Ronaldo. Admiro muito ele como atleta e como pessoa”, disse.
Ao comentar sobre o cenário do futsal em Mato Grosso do Sul, Dioph acredita que a visibilidade ainda é um dos principais desafios enfrentados pelos atletas locais.
“Temos grandes atletas em nosso estado que muitas vezes ficam limitados pela falta de visibilidade e acabam precisando sair daqui”, avaliou.
Para ele, o incentivo à prática esportiva também pode contribuir diretamente para transformar a realidade de crianças e jovens que encontram no esporte uma oportunidade de desenvolvimento.
Apesar dos estudos e dos planos profissionais fora das quadras, Dioph deixa claro que pretende seguir ligado ao futsal pelo maior tempo possível.
“Meu objetivo e meu sonho são não parar de jogar futsal”, afirmou.
O goleiro também descreve a intensidade da posição que escolheu ainda criança. Para ele, atuar no gol exige atenção constante e capacidade de lidar com a pressão em qualquer momento da partida.
“A quadra é pequena, a velocidade da bola é alta, os jogadores às vezes atrapalham sua visão, desviam o direcionamento da bola, um contra-ataque pode definir uma partida em segundos e a torcida é frenética”, relatou.
Mesmo diante desse cenário, Dioph resume a motivação que mantém sua ligação com o esporte.
“A sensação de fazer uma grande partida, realizar uma defesa nos últimos minutos, pegar um pênalti, ouvir a torcida te elogiar — ou a rival te xingar — é indescritível. Só quem já viveu sabe a emoção que é ser goleiro de futsal.”