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“A obsessão vence o talento”, diz técnico de futsal de MS que aposta na formação de jovens

da Redação - 1 de set de 2026 às 15:32 87 Views 0 Comentrios
“A obsessão vence o talento”, diz técnico de futsal de MS que aposta na formação de jovens Da Redação

Aos 8 anos de idade, Junior da Silva Costa entrou em uma quadra de futsal pela primeira vez por meio de um projeto escolar. Nascido em Naviraí, no interior de Mato Grosso do Sul, em 25 de abril de 1997, ele começou a praticar a modalidade depois de ser convidado por um professor que passava pela rua onde brincava com os amigos.

 

O que começou como uma atividade para crianças se transformou em uma trajetória ligada ao esporte e, posteriormente, à educação. Junior jogou futsal até os 17 anos e, alguns anos depois, iniciou a trajetória como professor e treinador. A mudança de posição aconteceu a partir de um convite de um amigo e professor, Marcos Oliveira, para ajudá-lo com seus alunos.

 

Pouco tempo depois, veio outro convite, desta vez de Sandra, sua ex-professora e atual diretora, para assumir o projeto da Escola Presidente Médici. Foi nesse momento que Junior passou a ocupar o lugar que, anos antes, havia sido de seus próprios professores.

 

“Foi nesse momento que senti que estava voltando para onde era o meu lugar. Aquilo que um dia eu vivi como aluno, passei a viver como professor e treinador, tendo a oportunidade de contribuir para a formação de outros jovens”, afirma.

 

Desde então, o trabalho com as categorias de base passou a ocupar espaço central na trajetória do treinador. Para ele, o futsal também pode ser uma ferramenta de formação fora das quatro linhas.

 

Junior aponta a falta de estrutura e de investimento como alguns dos principais obstáculos enfrentados pela modalidade em Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o estado possui atletas com potencial, mas ainda existem poucas equipes com estrutura consolidada para desenvolver o esporte.

 

“Um dos principais desafios desde o início foi a falta de espaço e de estrutura para desenvolver o futsal. O futsal em Mato Grosso do Sul ainda é bastante escasso e, muitas vezes, acaba sendo invisível aos olhos das pessoas”, relata.

 

De acordo com o treinador, a situação afeta diretamente a formação e as possibilidades de continuidade para crianças e adolescentes que desejam seguir carreira no esporte.

 

“Hoje existem poucas equipes no estado que possuem uma estrutura realmente consolidada no futsal. Isso dificulta muito o desenvolvimento dos atletas e dos próprios projetos”, afirma.

 

Mesmo diante das limitações, Junior diz que os profissionais envolvidos com a modalidade continuam buscando alternativas para manter os projetos em funcionamento e criar oportunidades para os jovens.

 

“Muitas vezes, é preciso fazer muito com pouco e acreditar no projeto mesmo quando as condições não são as ideais”, destaca.

 

Na avaliação do treinador, Mato Grosso do Sul possui potencial para desenvolver o futsal, mas precisa ampliar os investimentos. Para ele, não basta identificar talentos: é necessário criar condições para que esses jogadores tenham onde treinar, competir e continuar sua formação.

 

“Acredito que Mato Grosso do Sul possui muitos talentos, mas ainda somos muito carentes em estrutura e investimento. Temos crianças e jovens com potencial, professores que fazem um trabalho sério e pessoas apaixonadas pelo esporte, mas ainda falta uma estrutura maior para transformar esse potencial em resultados no cenário nacional”, avalia.

 

Junior também defende uma maior valorização do esporte no estado. Segundo ele, a discussão não deve se limitar ao futsal, mas envolver diferentes modalidades esportivas.

 

“O futsal do estado precisa ser mais valorizado e receber mais atenção. Não apenas o futsal, mas o esporte sul-mato-grossense de maneira geral”, afirma.

 

Para que o futsal de Mato Grosso do Sul consiga ganhar espaço no cenário nacional, o treinador considera necessário ampliar os investimentos financeiros, melhorar a estrutura dos clubes e garantir continuidade aos projetos.

 

“Precisamos fortalecer tanto os pequenos quanto os grandes clubes, criar condições para que eles possam se consolidar e competir em alto nível. Também precisamos de mais competições, melhores estruturas de treinamento e projetos que tenham continuidade”, explica.

 

Entre as propostas defendidas por Junior está a criação e consolidação de um grande clube de futsal no estado, que possa servir também como referência para as categorias de base.

 

“Precisamos estruturar um grande clube de futsal em Mato Grosso do Sul, capaz de servir como referência para as categorias de base. As crianças precisam conseguir olhar para esse clube e pensar: ‘Eu também posso chegar lá e ser atleta de futsal’”, afirma.

 

Na visão do treinador, a existência de uma referência estadual poderia ajudar a aproximar o sonho da realidade para crianças e adolescentes que desejam seguir carreira no esporte.

 

“Hoje, para muitos jovens, seguir carreira no futsal ainda parece um sonho muito distante. Precisamos transformar esse sonho em uma possibilidade real”, completa.

 

No trabalho diário com os atletas, Junior afirma que comprometimento e esforço são elementos fundamentais. Sua filosofia de trabalho é resumida em uma frase que ele procura transmitir aos jogadores: “Ao sem talento, a obsessão”.

 

A ideia, segundo o treinador, é mostrar aos atletas que o desenvolvimento não depende apenas de habilidades naturais. Disciplina, dedicação e disposição para aprender também podem determinar até onde um jogador consegue chegar.

 

“Acredito que o esforço pode levar o atleta a lugares onde o talento sozinho não consegue chegar. Nem sempre teremos o jogador mais talentoso da competição, mas podemos ter o jogador mais comprometido, mais disciplinado e mais disposto a aprender e evoluir”, explica.

 

A preparação, porém, não se limita aos aspectos técnicos e táticos. Junior considera o acompanhamento dos atletas uma parte importante do trabalho, principalmente quando se trata de jovens que ainda estão em processo de formação.

 

Para ele, conversar e ouvir os jogadores pode ajudar a identificar situações que interferem no desempenho e também na vida pessoal.

 

“Procuro estar sempre próximo dos atletas, conversar, ouvir e entender o que eles estão passando. Muitas vezes, uma conversa pode fazer uma grande diferença para um jovem”, relata.

 

O treinador também reconhece que existem situações que ultrapassam os limites de sua atuação como professor. Nesses casos, afirma que busca orientar o atleta para que procure acompanhamento especializado.

 

“Ao mesmo tempo, reconheço que existem situações que vão além daquilo que eu posso oferecer como professor e treinador. Quando percebo que o atleta precisa de um acompanhamento específico, procuro indicar profissionais da área para ajudá-lo da maneira correta”, diz.

 

Essa preocupação com a formação humana também aparece quando Junior fala sobre o momento mais marcante de sua carreira. Em vez de apontar uma competição ou um título específico, ele destaca a trajetória dos atletas que passaram por seu trabalho.

 

“Meu momento mais marcante vai muito além de títulos e resultados. Para mim, o maior orgulho é perceber que os atletas que passaram pelo meu trabalho estão se tornando bons homens e que, de alguma maneira, estou conseguindo ajudá-los a seguir um caminho honesto na vida”, afirma.

 

Os resultados esportivos, segundo ele, continuam tendo importância, mas não representam o único objetivo de seu trabalho.

 

“É claro que ganhar uma competição é muito bom, chegar a uma final é gratificante e conquistar resultados faz parte do esporte. Mas saber que conseguimos contribuir para a formação de um ser humano é algo que vai muito além de qualquer troféu”, destaca.

 

Na trajetória como treinador, Junior também atribui parte de sua formação aos professores que encontrou pelo caminho. Ele afirma que diversos profissionais foram importantes não apenas para seu desenvolvimento dentro da quadra, mas também para sua formação pessoal.

 

“Eles me ensinaram muito mais do que apenas aquilo que acontecia dentro da quadra. Muitos dedicaram seu tempo e esforço para atletas como eu fui um dia”, conta.

 

A experiência como aluno acabou influenciando a forma como Junior enxerga o trabalho que desenvolve atualmente. Para ele, ocupar a função de professor e treinador também representa uma forma de dar continuidade ao trabalho daqueles que contribuíram para sua formação.

 

“Se hoje sou professor e treinador, também é graças ao trabalho que esses profissionais fizeram no passado. Por isso, tenho muita gratidão por todos aqueles que contribuíram para minha formação e me ajudaram a encontrar o meu caminho dentro do esporte e da educação”, afirma.

 

Para os próximos anos, o objetivo é continuar trabalhando com jovens atletas e ampliar as oportunidades dentro do futsal. Junior pretende seguir contribuindo tanto para o desenvolvimento esportivo quanto para a formação pessoal dos jogadores.

 

“Meu principal objetivo é continuar ajudando os jovens craques que estão surgindo, tanto dentro quanto fora da quadra. Quero continuar desenvolvendo meu trabalho, dando oportunidades para esses atletas e ajudando-os a evoluir como jogadores e, principalmente, como pessoas”, afirma.

 

O treinador também pretende contribuir para ampliar a visibilidade da modalidade no estado e fazer com que os jovens enxerguem o futsal como uma possibilidade de futuro.

 

“Também quero contribuir para que o futsal de Mato Grosso do Sul tenha mais visibilidade e para que nossos jovens possam enxergar o esporte como uma possibilidade real de futuro”, acrescenta.

 

A mensagem que Junior deixa para quem está começando no futsal está diretamente ligada à sua filosofia de trabalho. Para ele, a carreira esportiva exige dedicação e não pode ser construída apenas na expectativa de que oportunidades apareçam.

 

“Eu diria para ele entender que nada é fácil e que nada vem do céu. Somente o seu esforço pode levá-lo mais longe”, afirma.

 

O treinador também orienta os jovens a investir no próprio desenvolvimento e aproveitar o tempo para adquirir conhecimento e melhorar dentro e fora da quadra.

 

“Invista em você, invista seu tempo em aprender e melhorar, porque o conhecimento e o desenvolvimento que você constrói são os maiores ativos para o seu futuro”, diz.

 

Ao final, Junior reforça a ideia que resume sua maneira de enxergar o esporte e o trabalho de formação: talento pode ser importante, mas a dedicação diária é o que permite transformar potencial em resultado.

 

“Não espere que alguém faça por você aquilo que depende da sua própria dedicação. A obsessão vence o talento.”

 

Para ele, mesmo um atleta que não seja considerado o mais talentoso pode construir seu espaço por meio do trabalho, da disciplina e da persistência.

 

“Talvez você não seja o mais talentoso hoje, mas pode ser aquele que mais trabalha, que mais aprende e que nunca desiste. E, muitas vezes, é isso que faz a diferença.”

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