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“A luta me salvou”: Maiara Rocha supera desafios pessoais e conquista títulos no wushu sanda

da Redação - 3 de out de 2026 às 07:00 210 Views 0 Comentários
“A luta me salvou”: Maiara Rocha supera desafios pessoais e conquista títulos no wushu sanda Da Redação

Aos 32 anos, Maiara da Rocha Silva, natural de Eldorado (MS), encontrou no wushu sanda uma forma de retomar uma relação com as artes marciais que começou ainda na infância. Em aproximadamente um ano de prática da modalidade, a atleta já conquistou três títulos: foi campeã do BFC Brasil, campeã em uma competição de boxe e campeã estadual de wushu sanda.

 

A história de Maiara com as lutas, no entanto, começou muito antes de sua entrada no wushu sanda. Filha de um professor de karatê, ela teve contato com o tatame desde os primeiros anos de vida. Aos sete anos, porém, perdeu o pai e deixou de praticar artes marciais.

 

“Eu nasci no tatame, pois meu pai era professor de karatê. Porém, quando eu tinha 7 anos, ele faleceu e então eu parei de lutar”, conta.

 

Anos depois, o retorno aconteceu por influência do marido, que já praticava wushu sanda. Maiara decidiu participar de uma aula experimental e, segundo ela, gostou da modalidade desde o primeiro contato.

 

“Eu comecei no wushu sanda há mais ou menos um ano. Entrei por influência do meu esposo, que já fazia e treinava há alguns meses. No ano passado, entrei para fazer uma aula experimental e já amei logo de cara”, relata.

 

A adaptação ao esporte foi rápida. Depois de apenas uma semana de treinamento, o professor, chamado por ela de Sifu, identificou potencial para competições e fez o convite para que Maiara começasse a se preparar para lutar.

 

“Com uma semana de treinamento, o Sifu, meu professor, me perguntou se eu tinha interesse em competir, porque eu tinha muito potencial. De início, fiquei um pouco assustada, pois fazia apenas uma semana de treino, mas, mesmo assim, aceitei o desafio”, afirma.

 

A primeira preparação para uma luta aconteceu depois de seis meses de treinamento. A estreia competitiva terminou com o primeiro título da atleta.

 

“Com seis meses de treinamento, comecei a minha primeira preparação para uma luta, onde fui campeã”, diz.

 

A primeira competição foi o BFC Brasil, marcada também pela diferença de peso entre Maiara e sua adversária, que era do Paraguai. Mesmo com 10 quilos de diferença, a sul-mato-grossense venceu o confronto e conquistou o título.

 

“O campeonato BFC foi minha primeira luta, com uma oponente do Paraguai, com 10 kg de diferença, e fui campeã”, lembra.

 

Depois da estreia no wushu sanda, Maiara participou de uma segunda luta, desta vez em uma competição exclusivamente de boxe. Novamente, saiu vencedora.

 

“Logo depois, tive minha segunda luta, que foi somente de boxe, onde também fui campeã”, conta.

 

A terceira disputa foi no Campeonato Estadual de Wushu Sanda, realizado pela Federação Brasileira de Sanda. Mais uma vez, Maiara terminou a competição com o título.

 

“Minha terceira luta foi no Campeonato Estadual de Wushu Sanda, feito pela Federação Brasileira de Sanda, e também fui campeã”, afirma.

 

Para a atleta, entretanto, os resultados esportivos representam apenas uma parte das conquistas alcançadas desde que decidiu voltar a lutar. O período de preparação também foi marcado por mudanças pessoais.

 

Segundo Maiara, a primeira preparação para uma luta foi responsável por ajudá-la a enfrentar situações que considerava difíceis de superar. Entre elas, estava o consumo de bebidas alcoólicas, o afastamento das artes marciais após a morte do pai e a ansiedade.

 

“Para mim, ganhar essas lutas vai além de uma vitória na luta, pois, na primeira preparação, eu venci algo que achava que seria impossível, que seria parar de consumir bebidas alcoólicas, voltar a lutar após a perda do meu pai e vencer a ansiedade, que era algo que vinha me deixando doente”, relata.

 

A relação com o esporte ganhou, dessa forma, um significado que ultrapassa os resultados obtidos dentro do tatame.

 

“A luta me salvou em todos os sentidos, e essas vitórias não são apenas na luta, mas, sim, uma vitória de vida”, afirma Maiara.

 

Para manter o ritmo de preparação, a atleta treina entre cinco e seis vezes por semana. Cada sessão dura de duas a três horas. A alimentação também faz parte da rotina de preparação, principalmente em razão do alto gasto energético provocado pelos treinamentos.

 

“Minha rotina de treino é de cinco a seis vezes por semana, de duas a três horas. Mantenho uma dieta flexível, de uma forma que eu consiga treinar bem, porque o gasto calórico é muito alto, e faço acompanhamento nutricional com coach”, explica.

 

Além da preparação física, Maiara também considera importante ampliar o reconhecimento do wushu sanda. Para ela, embora a modalidade esteja crescendo, ainda existe pouco conhecimento sobre o esporte.

 

“Hoje, o wushu sanda tem crescido muito, mas ainda assim é pouco reconhecido. Acredito que mais atletas deveriam publicar, postar e dar entrevistas, porque é uma arte marcial muito completa, tanto para o esporte quanto para a defesa pessoal”, avalia.

 

A atleta também defende uma maior participação de mulheres e meninas na modalidade. Para Maiara, o aprendizado das técnicas de defesa pessoal pode contribuir para que mulheres estejam mais preparadas diante de situações de violência.

 

“Eu indico demais a todas as mulheres, meninas principalmente, pois hoje o feminicídio é o que mais mata mulheres no Brasil, e, se essas mulheres tiverem a base de defesa pessoal, essa porcentagem com certeza reduziria”, afirma.

 

Depois das primeiras conquistas, os planos de Maiara estão voltados para a continuidade da carreira no esporte e para competições de maior alcance. Entre os objetivos estão a evolução técnica, a defesa do título estadual e a participação no Campeonato Brasileiro.

 

“Meus principais objetivos na luta são evoluir a cada dia, continuar lutando, ano que vem ser novamente campeã estadual, ir para o Campeonato Brasileiro e, quem sabe, ir para o Mundial”, projeta.

 

Apesar do curto período desde o início no wushu sanda, Maiara já estabeleceu uma relação de continuidade com a modalidade. A intenção, segundo ela, é seguir treinando e buscar novos resultados, sem deixar de lado os desafios encontrados no caminho.

 

Para quem pensa em começar no esporte, a orientação da atleta é não esperar que o caminho seja fácil, mas persistir diante das dificuldades.

 

“Meu conselho é: só vai, não tenha medo, se arrisque, treine muito, se dedique e vá atrás. O caminho é difícil e caro, mas, se você for atrás, você consegue”, conclui.

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