Da Redação
“A força que precisamos já está dentro de nós.” A frase resume a relação que a atleta amadora Patrícia Aparecida Jara Garcia, de 36 anos, construiu com a corrida nos últimos anos. Natural de Bonito, ela encontrou no esporte uma forma de buscar saúde, enfrentar desafios pessoais e transformar a própria rotina.
Patrícia conta que teve os primeiros contatos com a corrida antes da pandemia, inicialmente por questões de saúde. Depois desse período, retomou a prática em 2023 com foco no emagrecimento. Foi no mesmo ano, ao trabalhar no evento Bonito 21K, que passou a enxergar a corrida de outra maneira.
“Meus olhos brilharam por querer sentir aquela emoção de perto”, relata.
A partir dali, ela passou a se dedicar com mais frequência aos treinos. Em 2025, após perder 12 quilos, sentiu uma mudança que aumentou ainda mais sua motivação.
“Foi onde tive mais motivação para correr, por estar mais leve e mais disposta”, afirma.
Mesmo mantendo uma rotina de treinos, Patrícia destaca que a falta de estrutura adequada em Bonito ainda é um dos principais obstáculos enfrentados pelos corredores da cidade. Segundo ela, muitos treinos acontecem em locais compartilhados com veículos ou ciclistas.
“Na maioria das vezes nossa corrida é no acostamento, dividindo o treino com muitos caminhões e carros em alta velocidade, ou na ciclovia dividindo o espaço com os ciclistas”, explica.
Apesar das dificuldades, ela afirma que a corrida se tornou parte importante do equilíbrio emocional e mental do dia a dia. Mais do que atividade física, os treinos passaram a representar momentos de conexão pessoal.
“A corrida de manhã é meu bem-estar e no fim do dia é o alívio. É a conexão comigo mesma, quase como uma terapia”, diz.
Ela conta que prefere correr sem fones de ouvido justamente para aproveitar o momento de forma integral.
“Gosto justamente de viver aquele momento, ouvir meus pensamentos, respirar, sentir o ambiente e me reconectar comigo mesma.”
A rotina exige organização para conciliar treinos, compromissos pessoais e outras responsabilidades. Segundo Patrícia, a disciplina é essencial para manter a constância.
“Procuro manter a disciplina e organizar meus horários da melhor forma possível. Muitas vezes o treino acontece no fim do dia, porque é justamente nesse momento que encontro equilíbrio, alívio do estresse e renovo minhas energias.”
Entre as experiências mais marcantes na corrida, ela destaca duas provas realizadas recentemente. A primeira foi a Bonito 21K de 2025, na distância de 5 quilômetros, em que terminou na 20ª colocação. A segunda foi o Circuito Sesc Trail – Etapa Morro do Paxixi, em 2026, onde conquistou a quarta colocação geral nos 7 quilômetros disputados em estrada de chão, morro e trilha.
“São duas provas muito emocionantes para mim”, resume.
Treinar em Bonito também proporciona contato direto com a natureza, algo que ela considera um incentivo importante durante os percursos.
“Os cantos dos pássaros e araras são maravilhosos. Ver o verde, o amanhecer ou o entardecer é realmente muito bonito.”
Ao longo do processo, Patrícia afirma que a corrida mudou a forma como enxerga a própria capacidade e passou a influenciar diretamente sua confiança pessoal.
“Antes eu não acreditava muito na minha capacidade e sempre achava que não conseguiria alcançar determinados objetivos”, conta.
Ela afirma que nunca teve perfil competitivo, mas que cada prova concluída trouxe novas percepções sobre superação.
“Cada linha de chegada me mostra exatamente o contrário. Quando cruzo a chegada, surgem muitos pensamentos, principalmente sobre a nossa capacidade de vencer obstáculos, superar limites e continuar mesmo diante das dificuldades.”
Segundo Patrícia, a prática esportiva trouxe amadurecimento e autoconfiança.
“A corrida me fez perceber que sou mais forte do que imaginava. Tudo isso trouxe mais confiança, amadurecimento e me faz buscar ser uma mulher melhor todos os dias.”
Em 2024, ela enfrentou um dos momentos mais difíceis desde que começou a correr: uma lesão no joelho. Patrícia conta que chegou a ouvir do médico a recomendação para não continuar correndo.
“O médico falou para eu não correr mais”, relembra.
Mesmo assim, decidiu continuar no esporte, mas com acompanhamento e fortalecimento físico por meio do crosstraining.
“O que mais me fortaleceu foram os treinos no crosstraining, que foi meu aliado e é até hoje.”
Para ela, o crescimento das corridas de rua em Mato Grosso do Sul está ligado à busca das pessoas por saúde física e mental.
“As pessoas estão em busca da saúde física e mental e acredito que isso fez com que a corrida crescesse, não só no nosso estado como no Brasil”, afirma.
Agora, Patrícia se prepara para um novo desafio: a primeira meia maratona. A prova será realizada em setembro, em Bonito, cidade onde começou sua trajetória na corrida.
“Apesar de eu gostar mais de distâncias curtas, quero viver essa experiência, sentir a emoção da prova e me desafiar de uma forma diferente.”
Ao falar para quem deseja começar no esporte, ela resume o conselho em uma frase simples.
“Coloca o tênis e vai.”
Segundo Patrícia, o mais importante é dar o primeiro passo.
“Muitas vezes achamos que não conseguimos, mas quando damos o primeiro passo percebemos que somos capazes de ir muito mais longe do que imaginamos.”