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“A bola não era só diversão”: atleta de MS mira carreira no futebol profissional

da redação - 8 de abr de 2026 às 14:50 59 Views 0 Comentários
“A bola não era só diversão”: atleta de MS mira carreira no futebol profissional Da Redação

“A bola não era apenas diversão, mas uma oportunidade de representar meu povo e mudar a realidade da minha família.” A frase resume o ponto de partida da trajetória de Rodrigo Fonseca Palermo, o Rodriguinho, jovem atleta de futebol nascido em Mato Grosso do Sul, com origem nas terras indígenas Terena.

 

A relação com o futebol começou ainda na infância, em um cenário comum a muitos jovens do interior do Estado: campos de terra e jogos improvisados. Segundo ele, o esporte sempre esteve presente no cotidiano. “O futebol sempre esteve presente, desde as brincadeiras na aldeia e nos campos de terra”, afirma. Com o tempo, a prática deixou de ser apenas recreativa e passou a ocupar um papel mais central em sua vida.

 

A decisão de levar o futebol a sério veio a partir da percepção de que o esporte poderia ir além do lazer. “Percebi que queria levar a sério quando notei que a bola não era apenas diversão”, relata. A partir disso, o jovem passou a enxergar no futebol uma possibilidade concreta de transformação pessoal e coletiva.

 

No caminho até aqui, Rodriguinho aponta desafios estruturais e sociais. A distância dos grandes centros esportivos é um dos principais obstáculos enfrentados por atletas de Mato Grosso do Sul. “A logística e a distância dos grandes centros do futebol são barreiras reais”, diz. Além disso, ele menciona a necessidade de enfrentar preconceitos. “Existe o desafio de superar preconceitos e provar que o atleta indígena tem técnica, disciplina e capacidade de brilhar em qualquer cenário.”

 

Um momento considerado decisivo em sua formação foi a participação em competições de maior nível técnico. De acordo com o atleta, a experiência contribuiu para uma mudança de mentalidade. “Ali entendi que o talento sozinho não bastava; eu precisava de um preparo físico de elite e de uma mente resiliente para competir de igual para igual”, afirma.

 

A rotina atual é organizada em torno de treinos, estudos e recuperação. Rodriguinho destaca a importância da disciplina no dia a dia. “Acordo cedo para os treinos físicos e técnicos, dedico o período necessário aos estudos, que considero fundamentais para minha formação, e tento aproveitar o tempo livre para descansar e manter o foco mental.”

 

O apoio familiar e comunitário aparece como um dos pilares da trajetória. “Minha família e minha comunidade são a minha base. Quando as coisas ficam difíceis, é neles que busco força”, afirma. Ele também ressalta o significado de carregar a identidade indígena dentro de campo. “Saber que carrego o apoio do povo Terena comigo me dá um propósito maior.”

 

Dentro das quatro linhas, o atleta define suas características de jogo a partir da intensidade e da movimentação. “Podem esperar um jogador de muita entrega e velocidade. Minhas principais características são a agilidade, a visão de jogo e a raça. Não desisto de nenhuma jogada e busco sempre a verticalidade para criar chances de gol”, explica.

 

Em relação a referências, Rodriguinho diz observar trajetórias de atletas que tiveram origens semelhantes à sua. “Me inspiro em jogadores que vieram de origens humildes e conquistaram o mundo com trabalho duro”, afirma. Segundo ele, o foco não está apenas na habilidade individual, mas também no jogo coletivo.

 

A pressão por resultados e pela evolução na carreira é tratada com foco no cotidiano. “Tento manter os pés no chão. Sei que a carreira de jogador tem altos e baixos, então foco no trabalho do dia a dia”, diz. Para ele, a expectativa é transformada em combustível. “A pressão eu transformo em motivação para mostrar o meu valor.”

 

Os objetivos traçados envolvem metas de curto e longo prazo. No momento, a prioridade é consolidar espaço em uma equipe competitiva e evoluir aspectos táticos. “A curto prazo, quero me consolidar em uma equipe competitiva e evoluir minha parte tática”, afirma. Já o plano futuro inclui a profissionalização em alto nível. “A longo prazo, meu sonho é atuar profissionalmente em grandes clubes.”

 

Ao falar com outros jovens que desejam seguir o mesmo caminho, Rodriguinho reforça a importância da identidade e da disciplina. “Nunca esqueçam de onde vieram. Tenham orgulho da sua identidade e saibam que o caminho é difícil”, orienta. Ele também destaca a necessidade de conciliar formação esportiva e educacional. “Estudem e treinem com a mesma intensidade.”

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