Personalidade | Gabriel Neri | 25/12/2019 09h37

Classe A: um time amador que se ‘auto-sustenta’

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Um clube forjado na vontade de querer continuar a jogar e no investimento de quem faz parte disso. O Classe A é uma equipe que começou a partir de um time de professores de educação física e seu objetivo, acima de tudo, é o lazer. Mas também tem o lado esportivo. O Clube é dirigido por Sérgio Ferreira Calheiros, professor de Educação Física, e conta com alguns ex-atletas que já participaram de vários campeonatos amadores e profissionais.

O Clube foi fundado em 1986 e está ativo atualmente. São mais de 30 anos participando dos campeonatos na categoria master, principalmente, o Campeonato do Rádio e Campeonato do Guanandizão. Calheiros contou um pouco dessa história em entrevista ao Esporte Ágil.

“Classe A é uma equipe que iniciou a sua prática do futebol a partir de um grupo de amigos que já jogavam juntos e a maioria dos atletas eram professores de educação física, do qual eu também faço parte. Durante esse período da existência do Classe A, a gente já conquistou vários títulos e campeonatos. Os Campeonatos do Rádio Clube e Campeonatos do Guanandizão são os principais da categoria mais veterano, ou seja, dos masters. E nós temos o pessoal que não se resume só aos professores de educação física, há também amigos que gostam da prática do esporte e do futebol especificamente”, completou o comandante do Classe A.

Grupo de atletas do Classe A (Foto: Divulgação)

“O grande desafio é o patrocínio”

Muitos clubes de futebol, até mesmo os profissionais, acabam ficando inativos e são esquecidos no tempo. Aqui em Mato Grosso do Sul, temos o caso do Centro Esportivo Nova Esperança, o Cene, que já fez grande sucesso e hoje está esquecido. Outro também que pode ser citado é o antigo Dourados Esporte Clube. Assim, podemos ver que manter uma instituição não é nada fácil.

No caso do futebol amador, muitos jogadores e dirigentes têm de tirar recurso de si para investir no clube. Mas o motivo de manter o time vivo é mais nobre que tudo. Sérgio contou que tem o lado do lazer e o lado competitivo do Classe A. Grande parte dos campeonatos oferece as premiações, troféus e dinheiro, e isso mantem a motivação, tornando mais “apetitoso”, para seguir trabalhando em prol da manutenção da instituição.

“A gente mantem o clube ativo porque o lazer é o nosso objetivo principal. Mas acaba se tornando também um lazer competitivo, porque geralmente os campeonatos têm premiações, não só de troféu, mas também em dinheiro, que acaba tornando a competição um pouquinho mais apetitosa no sentido de você adquirir prêmios. E disso, fazer confraternizações, fazer outras participações em outros campeonatos”. Contou Calheiros.

Além do lado de conquistar títulos, vencer campeonatos significa ter recursos para disputar o próximo. É um ciclo de buscar o recurso e chegar na próxima competição. “Geralmente, os campeonatos são com inscrições pagas. Tem de desenrolar a parte financeira para poder participar”.

Calheiros afirmou que o grande desafio de seguir com a equipe é o patrocínio. Ainda de acordo com ele, o Classe A não tem patrocinador oficial, “é um time que auto-sustenta”. Para pagar os uniformes, as inscrições e os outros custos operacionais do Classe A, esses valores são divididos entre os participantes ou são feitas algumas promoções e eventos.

“O grande desafio realmente da nossa equipe acaba sendo a questão de patrocínio, porque não temos o patrocínio de ninguém, ou seja, o Classe A é um time que se alto sustenta. Tudo que é gasto na confecção dos uniformes, nas inscrições que são cobradas das instituições que promovem os campeonatos, a gente rateia ou faz algumas promoções para que possamos pagar essas inscrições. Felizmente, o nosso grupo é bastante unido, todos participam e fazem desses campeonatos as nossas participações patrocinadas por nós mesmos”.

Grupo procura unir-se para arrecadar recursos para competições (Foto: Divulgação)

Atletas que fazem parte do time

O time é formado por vários atletas que jogaram em outros esportes. Alguns também já atuaram profissionalmente pelo futebol. Esse é o caso de Paulão, ex-goleiro do Operário, que atuou pelo Galo na década de 1970. Ele está há mais de dois anos no Classe A e é um dos principais jogadores. Como Calheiros disse: “é uma estrela que a gente tem no nosso time e tem nos ajudado a conquistar muitos campeonatos”.

Outro parte importante com relação aos times amadores, em especial os da categoria master, é a integração entre os que fazem parte dessa história. Sobre isso, Calheiros diz: “A importância da integração é oportunizar essa categoria master e que as pessoas tenham, e possam dar continuidade, na prática do futebol que é uma coisa prazerosa, é uma coisa que é o vício do brasileiro”.

“Quem não gosta de futebol”

Futebol é “um vício do brasileiro” e esse é também um motivo para continuar a jogar e participar das competições. O Classe A é um grupo que une tudo isso: a paixão pelo esporte e as histórias dos jogadores e de quem faz parte disso. Para Calheiros, é um motivo de “grande satisfação”.

Em 2019, o time participou de duas competições: Campeonato do Rádio Clube e do Guanandizão. A equipe conseguiu chegar na semifinal do primeiro e foi finalista no Guanandizão. Apesar de não ganhar os títulos, de acordo com o comandante do clube, as boas campanhas proporcionaram alegria à equipe, pois o objetivo não está somente na competição. “A gente tá sempre na busca de melhorar cada vez mais e fazer com que tenhamos um grupo de pessoas que, pela prática do futebol, tenham sempre uma boa relação, um bom desempenho no dia a dia do corpo para não ficar parado e ficar aí se acometendo de problemas de saúde”.

Classe A em jogo da Copa do Rádio Clube (Foto: Divulgação)

“Além da parte de saúde, de lazer, é importante que a gente dê continuidade e continue, sempre, com o Classe A onde for possível”. Concluiu Calheiros.

Para 2020, a equipe de Sérgio deve participar novamente do Campeonato do Rádio Clube e do Campeonato Guanandizão, que são as duas principais competições do futebol master em Campo Grande.

*Corrigido por Gabriel Sato

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