Futebol | Gabriel Neri | 24/03/2020 09h00

O último brilho do Cene

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O Furacão campo-grandense foi fundado em 1999 e sua passagem foi rápida e marcante no futebol de Mato Grosso do Sul. O clube conseguiu ganhar seis títulos estaduais em seu pouco tempo de atuação e hoje vive somente em nossas lembranças e arquivos.

O Centro Esportivo Nova Esperança teve seus últimos momentos de glórias em 2013 e 2014 com o bicampeonato estadual. E como forma de homenagear um dos grandes times do nosso Estado, vamos relembrar essas duas campanhas vencedoras do Cene.
Incontestável campeão

O Campeonato Sul-Mato-Grossense tinha sua forma de disputa diferente da atual em 2013. Eram catorze clubes, diferente dos 10 atuais, divididos em dois grupos de sete times. Eles disputavam dois turnos entre si. Os quatro melhores de cada chave avançavam para as quartas de final. O cruzamento era baseado na posição final de cada time: o primeiro do grupo A pegava o quarto do grupo B e assim sucessivamente.

O Cene, que teve vários jogadores entre os melhores da competição, tinha sua escalação principal com Guilherme no gol; Arnaldo na lateral direita, Rodrigo e Bruno na zaga e Moraes na lateral esquerda; na dupla de volantes vinham Jaime e Vina e mais avançados, Márcio e Uelisson; a dupla de ataque era Careca e Buiú.
A equipe cenista começou voando desde o princípio da competição. Logo na estreia diante do Comercial no Morenão, uma goleada de mão cheia. Com gols de Uelisson, Keverson e três de Careca, o 5 a 0 deu a primeira vitória no Estadual e a liderança já na primeira rodada.

No segundo confronto do time, outra goleada. Só que dessa vez foi somente por 4 a 1 diante do Maracajú. No Olho do Furacão, em Campo Grande, o Cene não tomou conhecimento do time do interior. Na terceira rodada, o primeiro tropeço e o único empate da campanha. Em Aquidauana contra os locais, o Cene não saiu do 0 a 0 e acabou a terceira rodada com sete pontos e oito gols de saldo.

Para encerrar o primeiro turno do grupo, duas vitórais e uma derrota. No Morenão, o Cene fez 3 a 1 no Novoperário. No entanto, no jogo seguinte, derrota amarga para o Misto em Três Lagoas e a perda da invencibilidade. Para encerrar, a recuperação na última rodada do turno ao vencer a Serc por 3 a 1 em Campo Grande.

No returno, o Cene emplacou quatro triunfos em sequência e assegurou a primeira posição do grupo com antecedência. No clássico diante do Comercial, não teve goleada como no primeiro jogo, apenas uma vitória por 2 a 1. Em Maracaju, sem sustos, mais três pontos com a vitória por 3 a 1.

Voltando a capital, o time superou o Aquidauanense em um jogo difícil. O salvador na ocasião foi o artilheiro Careca, que fez o gol da vitória aos 40 minutos do segundo tempo. No jogo seguinte, dentro do Morenão, nenhum problema para atropelar o Novoperário. Era a segunda goleada de mão cheia da equipe e a primeira colocação na primeira fase estava confirmada.

Nas últimas duas partidas, vitória e derrota. No Morenão, o time venceu o último time que o tinha derrotado até o momento, o Misto. O jogo foi movimentado com cinco gols e o Furacão Amarelo sofreu nos minutos finais. A partida estava “ganha”, mas o Misto ressurgiu das cinzas e pressionou. A equipe de Três Lagoas fez dois gols, porém, não foi o suficiente para evitar a derrota. E encerrando a fase de grupos, derrota do Cene por 4 a 1 para a Serc, mas não interferiu em nada na campanha.

A campanha cenista na primeira fase acabou com 12 jogos e 28 pontos. A equipe venceu nove vezes, empatou uma e perdeu duas, marcando 32 gols e sofrendo 14.

Mata-mata perfeito do Cene

Depois de sobrar e muito na primeira fase do estadual, o Cene foi perfeito no mata-mata. Em seis jogos, seis vitórias e nenhuma dúvida quanto ao merecimento do seu título. Para se ter uma ideia da superioridade cenista, o time marcou 15 gols nesses seis jogos e sofreu um apenas.

Nas quartas, o time pegou o quarto do grupo B, o Sete de Setembro, de Dourados. O favorito não deu nem chances para a equipe rival. No jogo de ida, no interior do Estado, Careca marcou duas vezes e Keverson fechou o 3 a 0. Mesmo com a imensa vantagem, o Cene manteve o padrão no jogo de volta e outro 3 a 0. Buiú, Careca mais uma vez e Kanu fecharam o caixão. No agregado, 6 a 0 para o Furacão.
Na semifinal, o adversário foi o Ivinhema e os confrontos foram mais difíceis. A ida foi em Ivinhema e o artilheiro Careca decidiu. Seu único gol na ocasião valeu a vantagem simples para a volta no Morenão. Em Campo Grande, sem sustos e sofrimentos, a vitória selou a classificação à final. O jogo terminou 2 a 0 com Vinicius e Keverson marcando na etapa final. O adversário na finalíssima seria o Naviraiense.

No jogo de decisão, a ida foi em Naviraí e a volta no Morenão, em Campo Grande. O Cene era claramente o favorito e não decepcionou. O jogo no interior teve momentos de adversidades. O Naviraiense abriu o placar com Campanário no primeiro tempo. Era o primeiro e único gol sofrido na fase eliminatória. No entanto, no segundo tempo, o time de Valter Ferreira fez valer sua superioridade. Os gols de Vina e Careca deixaram o time campo-grandense em vantagem.

No jogo do título, uma goleada para coroar a incontestável campanha. O Cene, que encantou sua torcida em todo o campeonato, fez 4 a 0 na final. Foram dois gols no primeiro tempo e dois no segundo. Rodrigo abriu a conta, Vina apliou, o artilheiro Careca fez seu 19° gol na competição e Buiú fechou o placar. E assim o Centro Esportivo Nova Esperança levantou sua quinta taça do Campeonato Sul-Mato-Grossense em 2013.

Além do troféu de campeão, o time quatro jogadores entre os melhores da competição. O goleiro Guilherme, os laterais Arnaldo e Moraes e o artilheiro da competição, Careca. O técnico Valter Ferreira também foi premiado.
E ainda um fator curioso e que foi compartilhado pelo Cene: o Furacão ficou com o melhor aproveitamento nacional em 2013. Na fase de grupos do estadual, que foi levada em conta no ranking divulgado, o time apareceu com 81,48% de aproveitamento. Para se ter uma ideia, o Cruzeiro campeão brasileiro de 2013, apareceu com 74,44% somente. Mesmo sendo por níveis diferentes, foi algo comemorado pelos cenistas.

Último bicampeão

Com a mesma forma de disputa do ano anterior, o Cene sagrou-se bicampeão estadual. Além disso, era o seu sexto e último título da competição. A campanha não foi tão brilhante quanto a última, o time venceu menos e empatou mais vezes, mas foi campeão da mesma maneira.

O time base do Cene em 2014 era muito diferente do que atuava em 2013. O time vinha com André Moreto no gol; Cafú na lateral direita, Maycon e Dubinha na zaga e Robinho na esquerda; no meio o quadrangular era com Naka, Baiano, Eduardo e Andrézinho; no ataque, Guilherme e Marcelo Tevez. Todos comandados por Cláudio Roberto.

A estreia não foi como a esperada. O time começou empatando com o Novoperário em 1 a 1 em Campo Grande. Gol de Erick para o Cene e Agnaldo para o Novo. Porém, houve a recuperação no segundo jogo do time. O clássico diante do Comercial no Morenão valeu a primeira vitória para o time cenista. O jogo ficou com o placar mínimo e Guilherme decidiu aos 30 do segundo tempo.

No jogo seguinte, outro sofrimento e o gol salvador veio no apagar das luzes. O Cene visitou o Costa Rica no Laertão. O jogo estava empatado até os 90 minutos. Numa falta cobrada na esquerda, o volante Naka subiu e desviou com a cabeça e a bola entrou no ângulo, 1 a 0. A equipe de Cláudio Roberto seguiu no seu bom momento e venceu de goleada o Maracaju no Morenão. O time abriu 4 a 0 com Dubinha, Júlio César, Cafú e Guilherme. Nos últimos minutos, o time do interior diminuiu com Maílson.

No jogo válido pela quarta rodada, visita ao Aquidauanense. No Estádio Noroeste, um jogo sem muitas emoções e com um gol para cada lado. O empate deixava o Cene com seus 11 pontos. Os gols foram feitos por Zé Carlos para o Azulão e Eduardo Sapinho para o Furacão.

Além desse empate, o Cene ficou mais três jogos sem vencer. Essa péssima sequência de quatro jogos impediu o time de passar em primeiro do seu grupo. Após o tropeço em Aquidauana, empate fora com o Misto em 2 a 2. Voltando a Campo Grande, outro empate com o Novopérario e para encerrar a sequência, derrota de virada para o Costa Rica, que acabou ficando em primeiro.

O time conseguiu se recuperar e venceu os três jogos seguintes. O primeiro, fora de casa, diante do Maracaju, a vitória por 1 a 0 com gol de Guilherme deixou mais tranquila a torcida e os jogadores. O segundo, foi no Morenão, contra o Aquidauanense e a equipe cenista ganhou de virada por 3 a 1. O gol do Azulão foi aos 13’ com Michel e a remontada veio com Eduardo Sapinho, Dubinha e Cafú. O terceiro, também na capital foi contra o Misto, e outro triunfo por 3 a 1 com dois de Guilherme, um de Dubinha e o desconto da equipe de Três Lagoas com Bruno.

No último jogo da primeira fase, o clássico contra o colorado da capital. O Cene já estava classificado e não tinha a obrigação em vencer. O resultado foi o empate por 1 a 1 com gol de Biro Biro para o Comercial e Naka para o Furacão.
Abaixo do aproveitamento do último ano, o time acabou a primeira fase com os mesmos 12 jogos, porém com 7 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Marcou 22 gols (10 a menos que em 2013) e sofreu 13.

Crescimento na hora certa

Inegavelmente, o Cene fez uma campanha inferior na primeira fase em 2014 com relação a 2013. Mas, tem um fator positivo: o time melhorou e muito na fase decisiva. No mata-mata, venceu cinco dos seis jogos e levou mais uma vez a taça. Pode até ter sofrido um pouco mais, no entanto, o importante é o troféu em casa.

O primeiro adversário foi o Ubiratan nas quartas de final. Sem nenhum problema para passar de fase, o time ganhou a ida e a volta. No Douradão, Marcelo Tevez, Dubinha e Guilherme marcaram e o Cene voltou com a 3 a 0 para Campo Grande. No Morenão, mais dois gols para completar o 5 a 0 no agregado. Guilherme marcou de novo e Baiano fechou a conta ainda no primeiro tempo.

Na semifinal, o confronto foi contra o rival na última final do Estadual, o Naviraiense. Do mesmo modo, o Furacão venceu os dois jogos e avançou. No Virotão, o placar magro deu a vantagem mínima para volta. O capitão Dubinha foi o herói na ocasião. Dentro de casa, um jogão que acabou em 3 a 2. Cafu, Michel e Guillherme marcaram para a equipe da capital e Thiaguinho e Bruno para o time do interior. Com isso, a vaga era do Cene mais uma vez rumo ao hexa.

A grande decisão foi contra o Águia Negra de Rio Brilhante. O Cene conheceu sua primeira derrota no mata-mata e teve de virar no jogo da volta para ser o campeão. O jogo de ida no Ninho da Águia terminou em 2 a 1 com gols de Tiago Moura e Leandro Branco; e Baiano para o Furacão. Na volta, o Furacão fez valer sua força, venceu o jogo por 2 a 0 com dois gols do zagueiro Maycon e levantou a taça. CENE BICAMPEÃO.

Na seleção do campeonato, seis personagens do Cene: o lateral Cafú, os zagueiros Maycon e Dubinha, o volante Naka, o atacante Guilherme e o treinador Cláudio Roberto. Além da presença na seleção, o capitão Dubinha foi eleito o melhor da competição e Guilherme foi o artilheiro com 10 gols. O meia Eduardo foi a revelação do Estadual.

E assim termina o último brilho do Cene. Infelizmente, o Furacão Amarelo está inativo hoje. Sua curta trajetória no futebol local encantou muitos torcedores e foi marcante. O Centro Esportivo Nova Esperança foi o último time a ser bicampeão seguido e hoje vive o reflexo do futebol em Mato Grosso do Sul.

Foto: MS Esporte Clube

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