Esporte Ágil | Danilo Galvão | 24/05/2017 13h20

United leva vantagem sobre o Ajax, graças a esloveno e a Mourinho

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Na final da Liga Europa, que acontece hoje (24) na Suécia, José Mourinho deve chegar ao seu segundo título desse torneio, mesmo sem ter dado padrão ao Manchester United e mesmo sem ter em campo Zlatan Ibrahimović, seu principal jogador. Com o Ajax pela frente, que possui uma média de idade de 23 anos, confronto da decisão não é do tipo “em que a camisa terá uma vantagem”, pois os dois clubes são tradicionais e carregam uma história especial no futebol. Todavia, a estrutura financeira dos dois times é bem diferente no comparativo direto, uma vez que o clube inglês é um dos mais ricos do mundo, com orçamento até três maior que o do Ajax, o que também não deve ser mais definitivo para o triunfo que a valência de um estilo de jogo a ser consolidada na Arena Solna. E nisso o Senhor Damir Skomina, árbitro da Eslovênia, pode ser um fator interessante. Dono de travar partidas, ele realizará os desejos de José Mourinho, apesar dos dois não serem muito amigos.

Com 40 anos de idade e pouca expressão no quadro de arbitragem da UEFA, muito por conta do seu país de origem, Skomina é um árbitro que segura o jogo e possui uma estatística de cartões amarelos um tanto alta. Nos últimos oito meses, apitou 24 vezes, em oito competições, sendo quatro aparições em partidas da Champions League e duas em jogos das Eliminatórias da Copa da Rússia 2018. Em 75% das vezes que apitou nesta temporada a “experiência do esloveno” se restringiu a competições da sua terra, ou do Catar e Arábia Saudita. A escalação dele se escora provavelmente em duas performances até tranquilas, na vitória do Real Madri, frente ao Napoli, em 15 de fevereiro, e na vitória do Mônaco sobre o Borussia Dortmund, em 19 de abril.

Pela média de cartões amarelos de Damir Skomina, a tendência é que na final da Liga Europa dessa edição apareça pelo menos quatro cartões de advertência e nenhum vermelho. Apesar de ser “controlador” o esloveno dá poucas faltas e sua média é de 24 por jogo e pouquíssimos pênaltis. Em dois jogos com times de grande expressão, graças à leniência dos adversários em campo nenhum cartão precisou ser aplicado por ele. As raras situações ocorreram em na volta das oitavas da Champions League, entre Mônaco e Borrussia, e no amistoso entre Alemanha e Inglaterra, do dia 22 de março deste ano.

Entretanto, a final mais glamorosa da história da Liga Europa (nome de agora da antiga Copa da Uefa) promete ser um jogo nervoso e de disputa intensa por território, que pode induzir Skomina a superar sua média de cartões amarelos e de falta também. De olho no futebol que transcende as quatro linhas, José Mourinho tem criado um ambiente à parte para o jogo e dá a entender que prepara estratégias para lidar com o clube holandês e com o árbitro. Cheio de desafetos no mundo da bola, o técnico português tem na sua lista de ferroadas o esloveno, por conta de um jogo da Champions League 2015/2016. Na ocasião, o problema foi um pênalti não marcado para o Chelsea, contra o Dínamo de Kiev. Segundo o “Special One” a omissão interferiu no resultado da partida, que encerrou em um 0 a 0.

Disputa entre Chelsea e Dínamo, pela fase de grupos da Champions (Sky Sports)

No encontro com Skomina, Mourinho chamou o árbitro de “fraco e ingênuo”, repetindo os adjetivos ao esloveno na coletiva. Os tempos eram difíceis para o treinador português, que estava em turbulência no Chelsea e acabaria demitido 58 dias depois. Um ano e sete meses do pênalti não marcado na Ucrânia, o “Special One” tem pela frente uma ótima oportunidade de jogar com a necessidade de isenção do árbitro, que precisará equilibrar o critério na partida de United e Ajax mesmo com as rusgas que possui com Mourinho.

Mourinho à beira do campo, e sua mania de interferir no jogo (Getty Images)

Em comum, Mourinho e Skomina pensam parecido para a decisão desta quarta-feira (24), pois ambos preferem um jogo mais truncado, ao contrário do que o Ajax deseja, com uma equipe rápida e leve.

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