Esporte Ágil - “Mereço estar nesse momento”, crava campo-grandense, campeão do maior torneio de poker da América Latina
Bate-Bola | Da redação | 13/12/2017 11h25

“Mereço estar nesse momento”, crava campo-grandense, campeão do maior torneio de poker da América Latina

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“Estou aberto a viver esse momento, porque é um momento que eu sempre sonhei”, disse. “Estou aberto a viver esse momento, porque é um momento que eu sempre sonhei”, disse. (Foto: BSOP Millions)

A vida de Saulo Sabioni, 28 anos, mudou radicalmente no início de dezembro. Após um 2016 difícil, “de luta e aprendizagem”, como ele mesmo define, o campo-grandense venceu o BSOP Millions 2017, maior torneio de poker da América Latina, e faturou a bolada de R$ 1 milhão, maior prêmio já distribuído no Brasil.

“Eu tenho certeza que eu mereço estar nesse momento. Foi um ano de muita dedicação, muito esforço, mas também eu não imaginava que terminaria tão maravilhoso assim, cravando o BSOP Millions, que é um sonho para todos os jogadores. Estou aberto a viver esse momento, porque é um momento que eu sempre sonhei”, disse Saulo, emocionado.

A mesa final do BSOP Millions 2017 se desenhou de maneira surpreendente. Mesmo com saltos gigantescos na premiação, os finalistas foram eliminados em pouco mais de quatro horas de disputa, formando o heads-up. Saulo enfrentou o recreativo Francisco Neto. Eles eram os dois jogadores que tinham mais fichas no início da decisão.

“Em tudo no poker tem matemática, talvez a maior característica, mas existem várias delas. Sorte, às vezes, é bom ter em algumas situações. Mas, quando falamos da carreira de um jogador de poker, o fator sorte é indiferente. O poker, claro, tem um fator variável alto, e isso faz com que, às vezes, um jogador iniciante ganhe de um profissional. Mas isso faz parte do jogo, ele é fantástico por isso. Isso atrai muitos jogadores recreativos, já que todos têm oportunidade de ganhar. Mas, a longo prazo, as pessoas que levam a sério e estão afiadas terão sucesso”, crava o campo-grandense.

Confira a entrevista:

Como foi seu inicio no poker?
Há 11 anos, aprendia as regras do poker e estava iniciando minha trajetória. Inicialmente, jogava na casa de colegas. Depois, quando entrei na faculdade aos 18, comecei a frequentar um clube aqui da cidade com alguns amigos. Era algo que me dava prazer e, desde o início, vi que poderia ter uma renda com aquilo, pois levava jeito para o jogo. Desde então, comecei a estudar cada vez mais. Por algumas vezes parei de trabalhar só para jogar. Depois, algumas vezes, não deu certo e voltava a trabalhar. Foi quando, no final do ano passado, decidi que eu realmente iria seguir aquilo, que iria focar só no poker. 2016 foi um ano difícil, de muita luta, muita aprendizagem, e 2017 foi muito excepcional, pois consegui alguns resultados legais e realmente comecei a sentir o gostinho de ser um vencedor no poker.

Como é sua rotina de estudos?
Em janeiro desse ano, fiz uma parceria com o Lincoln, um jogador bem consolidado no cenário nacional, e resolvemos fundar o Suits Poker Team, que é o maior time de poker online aqui do Estado. Nossa rotina de estudos está 100% ligada ao time. Na terça dou aula para nosso grupo, de 14 pessoas, e na quinta-feira meu sócio dá aula também para o grupo. Isso nos obriga a estudar sempre, trazer coisas novas para o pessoal. Ao mesmo tempo, isso força com que estejamos sempre atualizados, por dentro das tendências e técnicas do poker. Temos que estar afiados para alimentar essa turma que trabalha com a gente e também para nosso crescimento profissional.

Como é formar uma equipe em um jogo individual?
Para entrar no nosso time, o jogador tem que ter o sonho de ser profissional, além de entender o preço que tem que se pagar para isso. Quando entra no nosso time, entra por baixo, ele joga por um percentual, e temos um plano de carreira para ele. Às vezes, aumentar até mesmo o percentual que ele ganha conforme sua evolução dentro do jogo. Hoje, no nosso time, posso dizer que só temos amigos. Somos uma família que transcende apenas o trabalho. Tratamos de várias questões, até mesmo pessoais com os jogadores. É um projeto que amamos, que toma nosso tempo, mas vemos com muito carinho.

Poker é um jogo de sorte ou matemática?
É um jogo não só de matemática, mas de estrutura emocional, leitura comportamental e paciência. Envolve muitas coisas. Um bom jogador precisa ter muitas qualidades. Ficaria muito vago dizer que é um jogo apenas matemático. Em tudo no poker tem matemática, talvez a maior característica, mas existem várias delas. Sorte, às vezes, é bom ter em algumas situações. Mas, quando falamos da carreira de um jogador de poker, o fator sorte é indiferente. O poker, claro, tem um fator variável alto, e isso faz com que, às vezes, um jogador iniciante ganhe de umprofissional. Mas isso faz parte do jogo, ele é fantástico por isso. Isso atrai muitos jogadores recreativos, já que todos têm oportunidade de ganhar. Mas, a longo prazo, as pessoas que levam a sério e estão afiadas terão sucesso.

É essa variável que torna o jogo atrativo para um iniciante?
O poker é um jogo fantástico, para pessoas inteligentes. Um esporte que tem muitos desafios e pessoas que gostam disso, geralmente, se identificam. Além de ser algo muito prazeroso, é algo que pode se tornar uma fonte de renda. Isso atrai muita gente. Acredito que, como já disse, essa variável atrai muita gente. Ela mantém muita gente no jogo, pois dá oportunidade para o iniciante jogar com grandes profissionais. Em alguns casos, essa pessoa vai ganhar e isso será marcante. Como é algo infinito, a pessoa vai sempre buscar algo para melhorar seu jogo e, consequentemente, começa a colher resultados melhores. É um jogo mágico, vivo esse mundo. Conheço várias pessoas que levam o poker como hobby de uma maneira saudável. É algo que só faz bem.

É um jogo que tem crescido?
Hoje, é o jogo de cartas mais jogado no mundo. No Brasil, vem crescendo muito. Hoje, temos várias casas de poker totalmente legalizadas, onde há torneios com vários valores bem acessíveis. Isso é algo muito positivo para o esporte e para a sociedade, pois é um jogo que desafia, que faz com que você estude e tenha uma evolução na parte matemática, comportamento pessoal. É uma série de coisas que você deve desenvolver para ser um bom jogador de poker.

Você consegue viver só do poker?
Com certeza. Hoje, temos uma renda extra em casa, mas o poker nos manteria tranquilamente. É algo que quero focar cada vez mais. Aproveitar mais desse mundo do poker, que não é só jogar, no meu caso. Temos um time, alguns projetos dentro do esporte que, para mim, é prioridade.

Essa é uma realidade de vários jogadores no Brasil? E em Mato Grosso do Sul?
Essa realidade que eu vivo é a realidade de milhares de jogadores do Brasil. Aqui em nosso Estado, temos pelo menos 20 ou 30 jogadores profissionais que só fazem isso, vivem do poker. Estudam bastante, jogam bastante. Alguns consagrados dentro do nosso Estado, já que temos grandes nomes aqui. É algo que, às vezes, as pessoas não enxergam. Mas, aqui no nosso Estado, temos jogadores de referência nacional, alguns até mundialmente conhecidos. Apesar de ser pouco divulgado, é um esporte com grandes jogadores.

Como foi, para você, ganhar o maior torneio de poker da América Latina?
Eu tenho certeza que eu mereço estar nesse momento. Foi um ano de muita dedicação, muito esforço, mas também eu não imaginava que terminaria tão maravilhoso assim, cravando o BSOP Millions, que é um sonho para todos os jogadores. Estou aberto a viver esse momento, porque é um momento que eu sempre sonhei.

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