Bate-Bola | Hélio Lima/MS Cross | 24/09/2016 18h01

Júnior Feitosa

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(Foto:Divugação) (Foto:Divugação)

Hexacampeão estadual de Motocross celebra À longedividade depois de uma trajetória de luta, persistência, superação e vitórias.

Aos 51 anos, o hexacampeão estadual de Motocross – MX1 (2009), MX3 (04, 10 e 13), MX4 (12/13), Júnior Feitosa celebra à longedividade nas pistas, depois de uma trajetória de luta, persistência, superação e vitórias.

Atualmente o veterano da Amaral Racing radicado em Maracaju (MS), lidera o Campeonato Paranaense de Motocross, na categoria MX5, após quatro etapas.

Além dos títulos Feitosa já conquistou pódios no Brasileiro e na Superliga Brasil de Motocross.

Feitosa contou toda sua história nesta entrevista.

Confira abaixo.

Conte sua relação com o esporte até chegar ao Motocross?

Feitosa – A minha relação com o esporte á a seguinte, eu sempre gostei de adrenalina, de velocidade, de emoção, de risco, entendeu? Jovem eu sempre gostei de aventuras. Quando eu era novo, eu assisti uma prova do Hollywood Motocross, quando eu morava em Bauru. Aquilo encheu os meus olhos. A emoção, os saltos, as cores dos pilotos, a adrenalina, a velocidade, a disputa, eu fiquei empolgado com tudo aquilo, e comecei então ali, a sonhar com esse esporte, e comecei a sonha em um dia praticar esse esporte.

Como foi o início no Motocross? Você se inspirou em algum piloto nesta época?

Feitosa – O meu inicio no esporte foi o seguinte. Em 1989, eu morava em Petrópolis, lá comecei correndo no enduro. Fiz amizade com o pessoal, subia as montanhas da região serrana do Rio de Janeiro com eles. Esse foi o meu primeiro contato com o fora de estrada. A minha primeira competição foi um enduro regional na cidade, contando com 120 pilotos, e lá consegui a minha primeira medalha, ficando na 11º colocação. Foi uma surpresa pra mim, que estava apenas começando no esporte.

Depois disso eu vim para Maracaju em 1990, e chegando aqui, meus pais já moravam aqui, conheci o piloto Osmar Ferreira. Já um piloto consagrado na época. Comecei a andar perto deles, e assistir os treinos, e tesava sempre na pista. Ele (Osmar) me inspirou realmente, pois eu via à rotina dele, a determinação dele, às rotinas nos treinos. Eu comecei a treinar junto ali. E assim foi como eu comecei no Motocross aqui em Maracaju.

Quais as dificuldades no início da carreira? Você lembra-se da sua primeira vitória?

Feitosa – Só que assim, na época eu não tinha recursos, minha motocicleta era usada, era difícil ir às corridas. Era uma luta constante e eu não tinha uma visão ainda. Mas era engraçado, pois quando eu ia às provas, muitas vezes os pilotos mais experientes, desfaziam de mim, tiravam sarro, subestimavam. Eu me esforçava bastante pra ter bons resultados nas provas, mas não conseguia, devido a isso – disciplina, a falta de experiência, à falta de recursos, mas eu queria sim ganhar um troféu, meu objetivo era ganhar um troféu.

O meu primeiro troféu, lá na cidade de Caarapó (MS), em 1994. Até hoje eu tenho esse troféu guardado. Foi uma grande emoção. Depois daquele dia eu comecei a me dedicar mais. Eu falei não, eles tão dizendo que eu não posso. Eu ouvia mesmo “Larga mão, isso não é pra você”, e eu sentia isso, que queriam me segurar, eu falei “Não, eu vou treinar, e eu vou pra cima, eu sou capaz”. Isso é pra mim sim. Eu sonhava com esse esporte, e ai que eu comecei treinar mais, me dedicar mais, mudar o meu pensamento, psicológico, de ter assim um foco, um objetivo, na verdade isso, um objetivo de ter bons resultados.

E depois de ter alcançado objetivos de ter o primeiro troféu, que foi de quarto colocado, eu comecei sonhar e buscar a primeira vitória, e foi treinando, e isso demorou, não tão simples assim, e ai em 2002, eu consegui vencer a primeira corrida, que foi na cidade de Tupã, que por coincidência, foi na minha cidade natal. Essa era a minha primeira vez correndo em Tupã. Fiquei muito feliz, muito contende.

E o primeiro título?

Feitosa – O meu primeiro título em campeonato foi o Estadual em 2004. Foi um ano de bastante treino. Foi muito legal, e aí começou uma rotina de troféus, de vitórias, foi muito legal por que eu tava vivendo o meu sonho. Depois disso eu tive outros títulos, e outras vitórias, e até hoje é difícil eu ir numa prova sem trazer um ou dois troféus, Sempre entre os primeiros. Eu sou realizado nesse ponto. Eu estava contando os meus troféus, que estão chegando aos 400, e dê primeiro lugar, eu tenho 100 troféus, contando por cima.
O que o Motocross significa para você?

Feitosa – O Motocross significa pra mim disciplina superação, aventura, adrenalina, esporte. As principais conquistas, além dos títulos, foram os pódios em campeonatos brasileiros. Não cheguei a vencer etapa, mas já cheguei em segundo lugar. Tenho aqui um troféu da Superliga Brasil, no Beto Carrero. Esses troféus pra mim são muito importantes, pois o nível do nacional é alto.

Como viu a evolução técnica das motos nestes 20 anos

Feitosa – A grande evolução técnica das motos de Motocross aconteceu em 2002, quando elas passaram de motores dois tempos para motores quatro tempos. Os motores quatro tempos são mais duráveis, não estragam com facilidade, conseguiram fazer um motor mais forte. Você não fica a é com um motor quatro tempos. O torque é muito forte. De lá pra cá só evoluindo, diminuindo peso, suspensão, a ciclística da moto vem melhorando, mas o grande marco foi o motor quatro tempos.Em relação à segurança, o que mudou nos dias atuais?

Feitosa – Sobre a segurança, assim, como as motos evoluíram, ficaram mais fortes, mais rápidas, mais seguras, mais eficientes, como eu disse tanto como eu disse, na suspensão, no motor, na preparação, na ciclística, assim como os pilotos também tiveram que evoluir, ter que se preparar melhor, ter mais condicionamento físico, mais disciplina, e tudo isso vai aumentando a segurança, assim como a organização das provas.

Nós já tivemos vários acidentes por imprudência, ou por problemas dentro das pistas, hoje inclusive para você poder participar de uma etapa do Brasileiro, você tem que ter um exame do cardíaco, um atestado médico dizendo que o piloto estar apto para prática de esporte de alto rendimento. Então tudo isso vai aumentando a segurança, tanto as motos como os pilotos e a organização. Então hoje a tendência é essa, de ter mais segurança.

O que acha do esporte atualmente no estado?

Feitosa – Infelizmente, a crise financeira nacional, talvez alguns erros da federação em não valorizar os pilotos, mas agora vale ressaltar esse ano, ano passado, o surgimento da equipe Amaral Racing, que apesar de muito jovem, tem valorizado o esporte, sim, aumento o número de pilotos no Velocross, e agora investindo no Motocross, então, mesmo com crise, a gente vai dar a volta por cima. E esse é um grande nome que surgiu para avançar o esporte no estado.

Qual a motivação para seguir lutando dentro e fora das pistas?

Feitosa – A maior motivação para seguir lutando, é justamente isso, lutar, busca objetivo, não desistir jamais, eu com todos esses anos, nunca tive nenhum problema dentro das pistas, nunca derrubei um piloto intencionalmente, sempre tive uma pilotagem limpa de caráter de piloto, de esporte, e um piloto pra vencer tem que ganhar no braço e na pilotagem, e não derrubando, trombando em alguém. Então isso é o principal, ter esse objetivo. Estou com 51 anos de idade, e prestes a mais um título, então pretendo ser campeão paranaense neste ano na categoria MX5, ta caminhando pra isso, tomara deus que consiga esse feito. Já me considero um vencedor por estar praticando nessa idade. Nunca desistir, sempre estar olhando para o objetivo final.Como foi a escolha do número #63? Já correu com outro numeral?

Feitosa – A escolha do número #63 é uma homenagem à minha esposa Márcia, feita pelo meu sogro, o Doutor João Marcondes, que criou a marca inspirada no ano de nascimento dela. Essa é a marca da fazenda, do gado, que a gente tem, e eu comecei a usar esse número faz mais de 15 anos.

O #63 é o meu número no ranking nacional. Eu já usei o numero #3, o #5 e o seis. Eu e o meu filho já usamos o #63. Inclusive a minha esposa e família que me acompanharam por todos esses anos, me apoiaram aguentando muita coisa, viagens longas, poeira, tudo que envolve o Motocross. Sempre me acompanharam. Minha esposa Márcia e os meus filhos André e Isabella. Sem minha família e deus às conquistas não seriam possíveis.Quer dizer algo ao  leitor?

Feitosa – A mensagem que eu quero deixar é que nunca desista nada é impossível para aquele que se determina. É possível realizar os sonhos, deste que a pessoa se determine e vá em frente.

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