Bate-Bola | Da redação | 14/04/2016 14h43

João Rocha

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João Rocha ocupou local de destaque na mesa durante o Super Desafio BRA. João Rocha ocupou local de destaque na mesa durante o Super Desafio BRA. (Foto: Bruno Ribeiro)

Vice da Confederação e presidente da Câmara de Campo Grande mostra que política e esporte podem -e devem- caminhar lado a lado.

Há quem diga que política e esporte são caminhos separados, que não se misturam, e que devem seguir paralelamente na vida de uma pessoa. Para o professor João Rocha, porém, isso é diferente. Presidente da Câmara Municipal de Campo Grande e vice-presidente da CBJ (Confederação Brasileira de Judô), ele carrega política e esporte no sangue, faz com que os dois assuntos caminhem juntos, e vê na política uma importante ferramenta de fomento ao desporto.

A vida no esporte o levou, inevitavelmente, para a política. Ex-judoca, o professor de Educação Física já foi presidente da Fundesporte (Fundação de Esporte do Estado), da Funesp (Fundação Municipal do Esporte), passou por dois mandatos a frente da FJMS (Federação de Judô de Mato Grosso do Sul) e no trabalho de técnico revelou atletas para competições nacionais e internacionais. Na Seleção Brasileira de Judô, além de ter sido técnico, foi membro técnico na Olimpíada de Barcelona (ESP).

Como dirigente, também galgou postos, com destaque nacional: atualmente, além de ser vice da entidade máxima do judô brasileiro, é presidente do Conselho Nacional de Graus. Todos os sete irmãos de João Rocha foram judocas, chegando à faixa preta. Três deles hoje são profissionais de Educação Física. E o filho conquistou o título de campeão sul-americano. O sensei é faixa-coral de 7º Dan e um dos mais respeitados entre os judocas brasileiros.

Apesar do tempo escasso e da responsabilidade de presidir uma Casa de Leis com 28 parlamentares, o judô jamais saiu de sua agenda. Nos dias 9 e 10 de abril, esteve presente no Super Desafio BRA de Judô, entre Brasil e Coreia do Sul, que lotou o ginásio poliesportivo Dom Bosco, em Campo Grande.

Em entrevista ao Esporte Ágil, ele fala sobre a importância do esporte em sua formação social e se emociona ao falar sobre o legado que pretende deixar. “A educação básica, que eu recebi dos meus pais, e a formação em sociedade que eu recebi foi através da prática do judô. Minha maior alegria é poder oferecer àqueles que podem menos a oportunidade da prática do esporte, pois eu também já pude menos”, diz, com voz embargada e olhos marejados.

Confira a entrevista:

Esporte Ágil – Como começou sua relação com o judô?
João Rocha – O judô é uma história de vida. Comecei praticar judô aos 13 anos e, de lá pra cá, nunca parei. Passei por todas as fases. Como atleta, conquistei medalhas de nível nacional. Fui técnico da seleção Brasileira, fui coordenador técnico do Brasil inteiro cuidando da parte técnica. Hoje, sou vice-presidente da Confederação e presidente do Conselho Nacional de Graus, que coordena a graduação do Brasil inteiro. Estamos sempre envolvidos. É um compromisso que a gente tem com a modalidade. Na verdade, tirando os pais, foi o judô que me deu essa formação. A educação básica, que eu recebi dos meus pais, e a formação em sociedade que eu recebi foi através da prática do judô.

Formação social é uma função não só do judô...
Não só do judô. Particularmente, na minha vida, a importância do judô é muito grande. Mas o que eu recebi, tenho como objetivo e preciso deixar legado de dar oportunidade, enquanto homem público, enquanto estando na política, oferecer o que eu tive para a maior quantidade de pessoas, tanto crianças, jovens, adultos, idosos e aqueles portadores de deficiência. Fazer com que a oportunidade da prática do esporte saudável e organizado possa chegar nos mais diversos bairros de Campo Grande atingindo principalmente aqueles que podem menos, aqueles que dificilmente têm acesso a alguma ferramenteade política pública, social, que possa fazer com que esses tenham uma projeção na sociedade. Não projeção social, mas mudança de vida. O esporte é capaz de promover isso.

Qual a importância de um evento como esse para o judô local?
Um evento de primeira grandeza, de padrão Olímpico. Temos aqui duas grandes seleções. A seleção coreana, que tem um dos judôs mais fortes do mundo, junto com o brasileiro, japonês, francês e russo. Uma competição por equipes em que saímos vencedores e isso projeta a modalidade, provoca o desenvolvimento, promove o intercâmbio. Penso que é fundamental a Confederação Brasileira de Judô continuar com esse trabalho de descentralizar. Não promover eventos só nos grandes centros, no eixo Rio-São Paulo, mas levar para todos os estados do Brasil. Prova disso é a realização de um evento dessa importância em Mato Grosso do Sul.

Qual a realidade do judô em Mato Grosso do Sul?
O judô de Mato Grosso do Sul é um dos mais bem colocados do Brasil, tanto é que temos a Camila, que integrou a seleção principal. Além dela, temos mais sete atletas que integram as seleções de base. Temos uma atleta campeã olímpica da juventude, que é a Layana Colman. Mato Grosso do Sul está posicionado entre os melhores no judô brasileiro e com projeção internacional em razão dos resultados que nosso atletas, integrando as seleções, tem conquistado fora do Brasil.

O senhor foi eleito tendo como uma das bandeiras o esporte. O que pode ser feito pelo esporte e o que o senhor ainda pretende fazer na Câmara Municipal para fomentar a prática esportiva?
Hoje, estamos extremamente entristecidos, pois uma das grandes conquistas desse trabalho foi trazer a construção da pista de atletismo, padrão olímpico, cujo recurso está depositado na Caixa Econômica Federal e o Executivo não toca para frente a obra. A obra está paralisada, com dinheiro em conta, e não caminha. É um grande salto para o atletismo, que é uma modalidade básica. E temos projetos que implementamos durante o período em que estivemos à frente da Funesp (Fundação Municipal de Esportes), e os dirigentes depois implementaram, que é o projeto de base nos bairros: mais de 11 modalidades esportivas, mais de 11 mil crianças praticando esporte. Hoje está tudo reduzido a nada. A gente vê isso com tristeza, a situação em que se encontra em razão da falta de compromisso da atual gestão. Espero que, com um evento dessa natureza, dessa magnitude, nós possamos despertar novamente esse interesse para essa ferramenta social tão importante que é a prática do esporte, principalmente junto às crianças e aos idosos, para que possamos dar qualidade de vida à nossa população.

Em toda uma vida de envolvimento com o esporte, o senhor tem alguma grande alegria? E uma tristeza?
Alegria é, como já disse, poder oferecer àqueles que podem menos a oportunidade da prática do esporte, pois eu também já pude menos. E uma tristeza foi o dia que eu me lesionei seriamente no joelho e tive que encerrar minha carreira de atleta.

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