Bate-Bola | Da redação | 07/11/2016 14h37

Genivaldo Alves

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Genivaldo comemora os resultados da equipe em 2016. Genivaldo comemora os resultados da equipe em 2016. (Foto: Acervo Pessoal)

Ex-atleta, é um dos fundadores da AVP/Rádio Clube, equipe que recolocou MS no mapa do voleibol brasileiro após quase 30 anos

Ele não chegou a atuar profissionalmente, principalmente por conta de um acidente de moto aos 18 anos. No entanto, o amor pelas quadras o manteve intimamente ligado ao voleibol.

Natural de Diamantino (MT), especificamente do bairro Pedregal, Genivaldo Alves faz questão de relembrar as origens. Prova disso é o nome do clube que ajudou a fundar: AVP (Associação de Vôlei do Pedregal), equipe oriunda do Mato Grosso que há três anos migrou para Campo Grande e, junto com o Rádio Clube, recolocou Mato Grosso do Sul no cenário nacional do vôlei após quase três décadas, desde a saudosa equipe da Copagaz.

“Depois de 30 anos, é um orgulho. A gente tem apenas um ano trabalhando e já conseguimos chegar onde a maioria das equipes sonham chegar, que é uma vaga na Superliga B”, comemora o diretor administrativo e financeiro da Associação.

A AVP/Rádio Clube disputou, em outubro, a Taça de Prata, que reuniu sete clubes no ginásio do Tijuca Tênis Clube, no Rio de Janeiro (RJ). Com uma única derrota na competição, o selecionado sul-mato-grossense garantiu vaga na Superliga B, divisão de acesso à elite do voleibol brasileiro.

Agora, conforme Genivaldo, o objetivo é alçar voos ainda mais altos. Porém, o apoio financeiro é imprescindível. “O futuro está nas mãos de Deus. Se não tivermos patrocínio, não conseguiremos levar adiante um projeto focado na Superliga B, que é alto e tem um custo muito elevado. Você precisa manter um nível de equipe bem alto, com atletas bons, e isso tem custo”, analisa.

Confira a entrevista:

Por que o interesse pelo voleibol?
Eu fui atleta, não atuei profissionalmente, mas joguei muitos anos da minha vida. Até que, aos 18 anos, sofri um acidente de moto e isso me impediu de jogar. Mas sempre amei o voleibol e, sempre que posso, estou no meio do esporte, principalmente do vôlei. A equipe se chama AVP justamente por conta da cidade de onde vim, do bairro. Associação de Vôlei do Pedregal, que é um bairro de Diamantino. Lá sempre joguei, conheço muito gente, foi lá onde tudo começou. Levo com muito orgulho meu bairro no nome da equipe.

Como começou a equipe?
Ela começou há três anos, no Mato Grosso, e não era para vir para Mato Grosso do Sul. Sou de Diamantino, a 200 quilômetros de Cuiabá (MT). Tudo começou lá, com a equipe jogando na cidade. Em julho, tinham os Jogos de Férias, e começamos a montar o time. Como moro há 15 anos em Campo Grande, começamos a levar os meninos daqui para jogar lá. Ganhamos alguns torneios e surgiu essa ideia, de montar uma equipe para jogar campeonatos.

E como houve essa profissionalização?
Assim que a equipe começou, a gente escolhia um ou dois campeonatos, montávamos equipe competitiva e íamos participar. Com um ano, começamos a falar de montar uma equipe para nós mesmos. Por que não termos uma equipe nossa, para jogar em alto nível? Continuamos com uma equipe catada, quando pega alguns atletas e vai competir. Nessas equipes, começamos a observar os atletas, quem era bom, quem era de grupo, quem não era de briga. E anotávamos tudo e, nas competições, sempre chamávamos os mesmos jogadores.

Houve respaldo da federação do Mato Grosso?
Com dois anos e meio para três anos, queríamos montar a equipe no Mato Grosso. Mas, na Federação de lá, não tivemos respaldo. Cobrou taxas absurdas para federar os meninos. No primeiro momento, não formamos a equipe por conta dos custos. Depois, viemos para Campo Grande, já que temos empresa lá e aqui.

Por isso a equipe migrou para Mato Grosso do Sul?
Em seguida, começamos a conversar com alguns amigos e atletas de voleibol, e todos gostaram da ideia. Fomos até a FVMS (Federação de Voleibol de Mato Grosso do Sul), e o professor Madrugada (presidente da FVMS) tem nos ajudado muito. Através dele fizemos a parceria com o Rádio Clube. Ele não cobrou para federar os atletas, registrar. Só cobra transferência, que é um valor acessível e já estabelecido pela CBV (Confederação Brasileira de Voleibol).

O respaldo foi importante para vocês então?
A Federação não dá dinheiro, claro. Há a taxa anual, que é R$ 1,5 mil para todos. A gente conversou com o professor, para saber o que ele achava de ter uma equipe de alto rendimento aqui, e ele aprovou. A partir daí a gente começou jogando em Mato Grosso do Sul, os torneios da federação, e também saímos para outras competições.

Os jogadores se dedicam integralmente ao vôlei?
Acredito que seja a única equipe de alto rendimento. Os meninos vivem pelo vôlei. São três períodos de treinamento, com academia à tarde. Os que têm ensino médio, ainda fazem faculdade. Hoje, inclusive, estão em Cuiabá (MT) disputando os Jogos Universitários Brasileiros.

E como a equipe é mantida?
Hoje, o que mantém a equipe são nossas empresas, do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Praticamente 100% do que entra de valores na associação, para repassar à equipe, como gastos com alimentação e despesas médicas, saem das nossas empresas. Quando o Cícero (Gomes da Silva, presidente e investidor do clube) ficou doente, ficou essa incógnita, se o time continuaria. Ele ainda está se tratando, mas como os meninos abriram mão de salários, começaram a reduzir despesas... Todas essas coisas ajudaram a minimizar os custos. Assim, resolvemos tocar adiante o projeto. E o resultado foi essa vaga na Superliga B.

Qual avaliação você faz do ano de 2016?
Foi um ano bom. Produtivo, pena que aconteceu a triste notícia com o Cícero. Isso deixou a gente um pouco triste. As conquistas que almejávamos, conseguimos. Trabalhamos forte durante o ano para conquistar essa vaga na Superliga B. Agora, esperamos que o Estado e a Prefeitura possam nos dar o apoio devido. Possa apoiar os meninos, pois eles são de fora e não têm salário. A gente não tem condição. Não sei se a Prefeitura tem algum projeto onde eles possam ser incluídos. Assim, poderemos trazer cada vez mais atletas para Mato Grosso do Sul. Depois de 30 anos, é um orgulho. A gente tem apenas um ano trabalhando e já conseguimos chegar onde a maioria das equipes sonham chegar, que é uma vaga na Superliga B.

E quais os planos futuros?
Tudo vai depender da Prefeitura, do Estado, de patrocínio. A partir de agora, muda o patamar. A Superliga B é outro nível, tem atletas bons que ganham até R$ 4 mil por mês. Se não tiver apoio, você não consegue fazer uma boa temporada. A gente não consegue arcar com esses custos. A gente consegue por a equipe lá, mas precisamos do respaldo do Estado, da Prefeitura, de parceiros, enfim. O futuro está nas mãos de Deus. Se não tivermos patrocínio, não conseguiremos levar adiante um projeto focado na Superliga B, que é alto e tem um custo muito elevado. Você precisa manter um nível de equipe bem alto, com atletas bons, e isso tem custo.

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