Bate-Bola | Da redação | 12/07/2016 14h34

Danny Ramirez Dávalos

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Danny é presidente de um dos mais tradicionais clubes de xadrez de MS. Danny é presidente de um dos mais tradicionais clubes de xadrez de MS. (Foto: Acervo Pessoal)

Presidente do Clube Capablanca de Xadrez fala sobre sua história com o esporte e as principais dificuldades enfrentadas em MS.

‘Jogador mediano, nem ruim e nem excelente’, mas um dos principais incentivadores do xadrez em Mato Grosso do Sul. Danny Ramirez Dávalos, de 46 anos, possui um extenso currículo na modalidade e, há menos de dois meses, assumiu o Clube Capablanca de Xadrez, um dos mais tradicionais e antigos do Estado.

Em entrevista ao Esporte Ágil, ele fala sobre sua história com o esporte, as principais dificuldades enfrentadas em Mato Grosso do Sul e crava: o apoio recebido pela modalidade no Estado é ‘decepcionante’.

“Sem o apoio financeiro ou de local, por exemplo, não podemos fazer nenhum evento a contento. A falta de patrocínio influencia bastante, e o normal é fazer eventos que dão prejuízo, e que se não for a obstinada colaboração pessoal de alguns, não seriam nem realizados”.

Confira:

Quando surgiu seu interesse pelo xadrez?
Surgiu com minha família, meu pai e meus irmãos jogavam e eu fui aprendendo na prática. Isso em 1984, então com 14 anos. Em 2001, participei do meu primeiro torneio oficial pela Federação Sul Mato-grossense de Xadrez e fiz amizade com o então presidente, sr. Orlando Silvestre Filho, e comecei a atuar como auxiliar nos eventos. Peguei gosto pela organização e comecei a atuar como árbitro auxiliar, depois, em 2007, me cadastrei na Confederação Brasileira de Xadrez com Árbitro, e também comecei a fazer eventos de xadrez com mais frequência.

Qual seu objetivo com o esporte?
A paixão pelo esporte supera tudo, o gosto de reunir os amigos, fazer novas amizades e ter uma diversão saudável, incentivar novos jogadores e divulgar o esporte foi sempre meu objetivo.

Quais suas principais conquistas no xadrez? E as maiores tristezas?
É preciso separar por áreas, nas opções que tomei, nesta resposta. Como árbitro, tenho experiência de Árbitro Nacional, são quinze anos, mas como não esperava seguir na carreira, não fiz os procedimentos burocráticos para subir de categoria, coisa que estou fazendo somente agora, então, estou regulamentarmente apenas no primeiro degrau, AA - Árbitro Auxiliar e almejando subir este mês de agosto para o segundo degrau, AR - Árbitro Regional pela CBX. Também atuo como Árbitro pela LBX - Liga Brasileira de Xadrez, na categoria B, e atuei até 2015 como Árbitro Geral da FESMAX. Muitas conquistas, são mais de 200 eventos pela Federação do Estado. Torneios com mais de duzentos jogadores, escolares, campeonatos estaduais absolutos, torneios de xadrez clássico internacionais, fechados e abertos. Ministrei Cursos de Xadrez, Arbitragem e Organização de Eventos de Xadrez, juntamente com outros colegas, em várias cidades do Estado, pelo Governo Estadual.

Como jogador, hoje em dia sou jogador por diversão, já que não estudo, não levo a sério a carreira de jogador, me divirto ganhando dos amigos que tenho e minimizo minhas derrotas com as alegrias dos encontros. Fui campeão em torneios de confraternização, em Coxim, fiquei em segundo em vários torneios de xadrez blitz, e de quarto a sexto lugares em torneios de xadrez clássico. Recentemente fui campeão de um torneio blitz, que realizamos no Comper da Brilhante, uma confraternização. Eu diria que sou um jogador mediano, nem ruim e nem excelente. Me divirto mais nos encontros de amigos, onde às vezes faço "a rodinha", como dizemos quando um jogador ganha uma vez pelo menos e seguidamente dos outros presentes no local, no sistema de "perdeu, levanta". Xadrez blitz, de cinco minutos por jogador. Pura diversão.

Como organizador de eventos, fui e continuo sendo muito feliz, posso dizer sem falsa modéstia que colaborei e continuo colaborando muito com o xadrez no estado, principalmente na capital. Criei vários eventos temáticos, inovadores, como os torneios de comunidades do "falecido" orkut, de times da copa do mundo, de equipes por duplas, do xadrez 960 do Fischer, do Xadrez Australiana, organizei torneios internacionais com a presença de Mestre Internacional, Mestre FIDE, Campeões Estaduais, estabeleci os encontros de amigos, o "chess meeting" normalmente nos hiper mercados Comper - em vários deles, notadamente no do Ypê Center e o da Rua Brilhante, também em casas particulares, e fui o primeiro em realizar um torneio no espaço da Livraria Leitura, no Shopping Campo Grande. Já fiz eventos em praças públicas, como o Belmar Fidalgo, em restaurantes e lanchonetes, como o Choppão, em calçada em local de muito movimento, no centro da cidade, como o do Íris Cyber Café, ali na Afonso Pena entre a Calógeras e a 14 de Julho. Evento no Hotel Novotel, com 42 participantes e estava um frio de 3 graus, Evento com 100 participantes no shopping Planet Outlet, e outros inúmeros eventos, em todas as modalidades do xadrez, o blitz, rápido e pensado. A ideia é sempre movimentar o xadrez, reunir os enxadristas, jogar, jogar e jogar.

Como dirigente, estou como Presidente do Clube Capablanca de Xadrez há 51 dias recém, com muito orgulho, pois é o clube mais antigo do Estado e um dos mais antigos do Brasil. Muita história, e agora, com a nova Diretoria, queremos continuar elevando o nome do clube, em nível Estadual primeiro e depois a nível nacional. Temos objetivos claros e que podem ser logrados, bastando para isso o comprometimento de todos, os dirigentes, os enxadristas e os apoiadores. Neste pouco tempo, conseguimos já realizar 06 eventos, cinco no ritmo de xadrez blitz e um no ritmo de xadrez clássico ou pensado. Destes, cinco eventos foram válidos pela CBX e pela FIDE, homologando seu respectivo rating. Criamos a campanha de Associados do Clube, com a adesão de novos interessados em fazer parte deste seleto time de associados do clube capablanca, e temos até o momento cadastrados 30 sócios. Estes sócios recebem uma carteirinha do clube, que o identifica em todo território nacional, com seu respectivo número de identificação no clube, na CBX, FIDE e LBX. Também usufruem de descontos nos valores das inscrições, nos eventos oficiais e em breve poderão ter descontos em lojas conveniadas, diversas, como academias, farmácias, livrarias, etc. Bastando apresentar a carteirinha. A contra-partida do associado, é o pagamento de uma mensalidade mínima de 20,00 reais, para ajudar nos custos do clube. Uma prioridade da atual Diretoria, é a busca por um local físico, para um correto atendimento aos associados. Ainda não temos, e se tornou nosso objetivo principal, conseguir um espaço doado pela Prefeitura ou Governo, ou em último caso, alugar um salão no centro ou proximidades.

Para terminar esta questão, as decepções. Como Árbitro, poderia ter já meu cadastro mais condizente, minha categoria mais acima, pelo menos no de Árbitro Nacional CBX, e não tomei a sério na época a carreira. Como organizador, é decepcionante ver que sem o apoio financeiro ou de local, por exemplo, não podemos fazer nenhum evento a contento. A falta de patrocínio influencia bastante, e o normal é fazer eventos que dão prejuízo, e que se não for a obstinada colaboração pessoal de alguns, não seriam nem realizados. Como Dirigente, sinto que a falta de comprometimento de alguns é o maior obstáculo, mas não chega a ser uma decepção, e o trabalho é mudar isso.

Qual a realidade da modalidade em Mato Grosso do Sul?
Mato Grosso do Sul tem um xadrez atuante apenas em dois ou três lugares, na Capital, em Corumbá e às vezes em Ponta Porã. Já foi mais assídua em outras cidades, tempos atrás, Dourados, Aquidauana, Jardim, Ponta Porã, por exemplo. Em Corumbá, temos o Organizador de Eventos, Árbitro Regional CBX e Professor de Xadrez, Augusto Samaniego. Um baluarte do esporte, um ícone e referência. Organiza os torneios, as viagens dos atletas para eventos na capital, para fora do Estado, e inova na inclusão do esporte no âmbito social, como por exemplo, o xadrez nos presídios. O forte dele também é a renovação de atletas, como professor de xadrez inclui muitos novos e jovens alunos no esporte. Já na capital, temos o atual Presidente da Federação Sul-Mato-grossense de Xadrez - FESMAX, Prof. Ângelo Mendonça, Árbitro FIDE e Organizador de Eventos. Desde 2015 vem realizando eventos válidos pelas Federações nacional e internacional, como o Aberto do Brasil que distribui prêmios grandes em dinheiro e reúne grandes mestres e excelentes jogadores nacionais. Trabalha com o xadrez escolar também, promovendo os torneios de categorias. Uma excelente pessoa e abnegado profissional que procura sempre divulgar o xadrez e trabalha para melhorar a situação da sua Federação. Realizou bastante e colaborou durante anos para o xadrez no Estado, principalmente quando outros clubes não estavam ativos e tampouco a Federação, criando um grupo de amigos do xadrez, que se reuniam depois no salão da igreja Paulo Sexto e posteriormente criaram o Clube Salesiano de Xadrez que se transformou no atual CSX. Existe também o Clube Sul Mato-grossense de Xadrez, o CSX, que auxilia a Fesmax e organiza os torneios.

Como os praticantes se organizam?
Os praticantes do esporte se organizam normalmente aos finais de semana, o sábado sempre foi um dia típico para os torneios ou encontros de xadrez. Normalmente, aos sábados à tarde tem torneio ou encontro de amigos. Hoje temos como opção a ACP - Associação dos Professores, na 7 de setembro esquina com a Rui Barbosa, onde o CSX e Fesmax fazem suas reuniões de confraternização e torneios, temos o Hiper Center Comper da Rua Brilhante 2.702 onde a Caíssa Eventos ou CCX realizam eventos. Também, durante a semana, encontros habituais acontecem na Livraria Leitura, no segundo andar do Shopping Campo Grande, normalmente à tarde, após as quinze hs. Nas quintas-feiras, ficou tradicional o encontro nos torneios realizados na Pizzaria Ritorna, na Rua Arthur Jorge 728, um local bastante aprazível e com opções gastronômicas para os enxadristas. Fora isso, algum encontro esporádico na casa de algum enxadrista, ou torneio em local definido e avisado com antecedência pela mídia, como o site do esporte ágil, e notadamente pelo Facebook e grupos de whatsapp.

Tanto o CCX - Clube Capablanca de Xadrez, como a FESMAX - Federação Sul Mato-grossense de Xadrez tem seus calendários, e a Caíssa Eventos - by Danny Dávalos realiza eventos com mais frequência, e por isso divulgados apenas na semana do torneio. O CSX realiza seus eventos em conjunto com a Federação.
Quanto o apoio ao esporte, este é mínimo, quase inexistente. De parte de empresários, são poucos os que enxergam no jogo de xadrez um espaço para investir, realizar uma publicidade. Normalmente, são os próprios enxadristas, que tem como profissão advogados, professores, proprietários de lojas, e outros que ajudam, colaboram, com dinheiro. Neste ponto posso citar alguns, como Marcelo Lopes, Ricardo Duailibi, Ancho Ramirez, Masami Kawata, Mario Gonzales, Paulo Moreno e outros que no momento não lembro os nomes.

A Prefeitura Municipal apoia com o local do torneio, principalmente os realizados pela Caíssa Eventos e o Clube Capablanca. Acredito que o Governo Estadual possa colaborar mais depois que o Clube Capablanca apesentar projetos, como o da inclusão do xadrez nos bairros da capital, objetivo da atual Diretoria. Já o CSX , conseguiu apoio ano passado com ajuda da Fesmax, para realizar um evento, e só. A esperança é que em breve tanto o CSX, a FESMAX, como o Capablanca possam conseguir mais apoio da Prefeitura e do Governo Estadual. Estamos trabalhando para conseguir isso.

Existem Campeonatos Estaduais, na categoria Absoluto e nas Categorias Feminino, e de idades. A FESMAX iniciou o ano em Abril com Circuito Estadual de Xadrez Blitz, e agora em Agosto terá a primeira etapa do Circuito Estadual de Xadrez Clássico. O Capablanca pretende realizar um evento oficial em modalidade blitz por mês, e vários eventos pela LBX - Liga Brasileira de Xadrez em todas as modalidades.

Poucos jogadores na categoria absoluto participam de torneios fora do MS, principalmente pela questão econômica, os custos para tal são elevados, já que são normalmente alguns dias de evento e tem o translado, a hospedagem e alimentação. Então, são poucos os que possuem condições e podem viajar em eventos fora do Estado. Quando o jogador não possui condições financeiras, dependerá de conseguir colocação para os Campeonatos Brasileiros de Categorias e de patrocínio para sua viagem. Como foi por exemplo a participação de jovens no FENAJ.

O que uma pessoa precisa para começar na modalidade? Quem deve procurar?
Precisa apenas de vontade. A vontade aprender, de conhecer o esporte, de fazer amigos. Para aprender, temos à disposição vários jogadores que atuam como professores particulares de xadrez, o clube capablanca terá em breve (assim que tiver o local físico) cursos para iniciantes. Um exemplo de um bom professor, é o nosso penta-campeão estadual Fernando Freire, que está atualmente dando aulas particulares. Cel. 991046453. Já para quem já tem noção dos movimentos e falta apenas praticar para melhorar, temos os encontros habituais dos sábados e os torneios pela LBX. Temos um grupo de whatsapp - Agenda - onde informamos os eventos, e marcamos jogos em locais esporádicos, qualquer dia e horário da semana. Outro grupo - XadrezMS- de assuntos diversos sobre xadrez. Para contatos comigo, à esse respeito (posso incluir nos grupos) ou outra informação, no cel. 99266-5224. Também divulgamos no facebook, na minha página pessoal, https://www.facebook.com/danny.ramirezdavalos, e nos blogs e site: www.capablancams.blogspot.com.br, www.dannyrdavalos.blogspot.com.br, www.csx.org.br. O telefone do Presidente da FESMAX é 9924-62774. Nos torneios, para que um jogador participe, basta fazer a inscrição - o custo depende de qual torneio é, se vale FIDE, etc. - pode variar de dez reais a cem reais, e cumprir os requisitos do regulamento específico, divulgado nos canais citados. Faço um pedido aqui, para todos, para que entrem em contato, se informem, e venham fazer parte desta família do xadrez. De minha parte, agradeço a oportunidade para contar um pouco da minha história e do xadrez do estado, frisando que muito ainda há para contar, seria necessário um livro, e fico à disposição para qualquer interessado no esporte, e principalmente a novos sócios para o Clube Capablanca.

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