Bate-Bola | Jeozadaque Garcia/Da redação | 14/06/2010 12h56

Bate-bola: Fernanda Silva

Compartilhe:
“Se eu quisesse algo bem maior, eu teria que sair daqui”. “Se eu quisesse algo bem maior, eu teria que sair daqui”. (Foto: Foto: Jeozadaque Garcia)

Fernanda Silva

Fernanda Ferreira Silva, de 18 anos, nada contra a maré. Ela compete pela Unisanta, uma das forças da natação nacional, mas insiste em permanecer em Campo Grande, sua terra natal. Segundo a atleta, que mantém os pés no chão, para buscar algo maior seria necessário deixar o Estado.

No Bate-bola, ela cobra uma maior valorização aos atletas sul-mato-grossenses e afirma que não pensa em disputar uma Olimpíada. Para ela, os jogos são um "sonho fantasioso", para atletas "bem mais de ponta".

Esporte Ágil - Como e quando você se interessou pela natação?
Fernanda Silva - Eu comecei a nadar aos 5 anos por influência dos meus pais. Eu fazia balé e natação. Aos 9 anos, meu técnico pediu para eu escolher entre um e outro, e eu acabei escolhendo a natação. Com 11 anos, comecei a competir. Aos meus 12, disputei meu primeiro Brasileiro.

EA - E como você foi parar em Santos?
FS - Quando eu era da categoria Juvenil, nadava pelo Corinthians. Lá, eu me destaquei no Brasileiro e fiquei entre as cinco melhores. Depois que saí do Corinthians, meu técnico teve uma proposta para levar todos os atletas dele para a Unisanta, aí foram o Lucas Kanieski, Daniel Catelan, Elizana Menezes e eu. Estou lá há três anos já.

EA - Você sente alguma diferença entre a estrutura de Santos e a de Campo Grande?
FS - Então. Não há muita diferença. A única diferença é que lá tem a piscina de 50 metros e a faculdade fica do lado. E questão de proximidade das coisas. Essa é a única diferença. Aqui eu tenho uma boa estrutura, já que tenho um preparador físico centrado em mim, o técnico, então não tem muita diferença, pelo menos pra mim.

EA - Pra um atleta, qual a diferença de uma piscina de 50 para uma de 25 metros?
FS - Você tem mais resistência, pega um condicionamento maior em uma piscina de 50 metros. Por exemplo, eu cheguei agora do Troféu Maria Lenk . Passei uma semana treinando em uma piscina de 50 metros e, quando cheguei aqui, estava totalmente condicionada. Estava fazendo treinos bem melhores.

EA - Você acha que as entidades públicas têm dado o apoio necessário a natação?
FS
- Não muito. Antes de eu competir por São Paulo, eu já entrei com projetos, mas não me lembro de ter recebido alguma ajuda dessas entidades.

EA - Você acha que tem muita política envolvida nos critérios de escolha dos projetos?
FS - Não sei se é política, afilhados, sei lá. Não sei disso, só que eu não consegui.

EA - O que você projeta para o seu futuro na natação? Pensa em seguir carreira?
FS - Não. Eu estou meio estável, não penso muito nisso. Olimpíada é o sonho de qualquer atleta, mas eu não penso muito além. Eu já penso mais no meu futuro, em estudar mais. A natação sempre foi meu primeiro plano, agora está ficando meio de lado. Mesmo assim, estou deixando ela junto comigo, é minha vida, nunca vou parar.

EA - E por que você tomou essa decisão de não colocar mais a natação em primeiro plano?
FS - Eu já fiz muito isso, muito mesmo. Tem que ter muita dedicação. Ela é meu foco principal, pois eu me desdobro para estudar, trabalhar e treinar. Eu nunca pararia, sempre vou continuar. É que Olimpíada é um sonho muito fantasioso, é para um atleta bem mais de ponta. Eu sou bem realista.

EA - Você não é uma atleta de ponta?
FS
- Sou de meia ponta (risos). Sou do bolo.

EA - Gostaria de falar algo para finalizar?
FS - Se você tiver um sonho de ir para as Olimpíadas, busque esse sonho. Mas eu já consegui bastante coisa, medalha de Brasileiro, recordes, claro que quero muito mais. Eu quero ser uma atleta mais valorizada. Isso que eu peço, que valorizem mais os atletas. Mato Grosso do Sul perdeu atletas muito bons, que foram embora pelo fato de não terem patrocínio.

EA - Você acha que a Olimpíada é um "sonho fantasioso" justamente pelo Estado não apoiar o esporte?
FS - Pode ser que sim. Atletas nossos, que estão em Mundiais, não estão aqui agora por não terem apoio. Eu não saí até agora porque tenho muito apoio dos meus pais. Mas se eu quisesse algo bem maior, eu teria que sair daqui.

VEJA MAIS
Compartilhe:

PARCEIROS